Desperdiçar comida

Como o Aparício acabou com o desperdício…

Os Contos do Sebastião

Descobre por que somar pode na verdade querer dizer desperdiçar. Vamos começar todos a contar? Um, dois, três… 20-01-2023

Idade recomendada de leitura: 6 a 10 anos

 

COMO O ZECA ACABOU COM O DESPERDÍCIO...

 

O Zeca é um dos irmãos Aparício. Os Aparícios são uma família grande com cinco irmãos e uma casa enorme, mesmo a maior da rua onde moram.

Lá, nesta casa enorme, tudo se passava a dobrar, a triplicar, a quadriplicar. Como se em vez de se contar um, dois, três, ali se contasse tudo e de outra maneira. Um número valia por dois. Era estranho e um grande desperdício.  

As refeições eram feitas a dobrar, os queijos era comprados a triplicar, os pacotes de leite, de açúcar e de farinha, esses então nem valia a pena reparar…bastava contar. E era sempre a somar.

Ovos, iogurtes e sumos iam direitinhos para o frigorífico e era só vê-los entrar. Não se olhava a quantidade, aos preços, ao espaço, nem ao tamanho do frigorífico ou à validade destes frescos. Tinha que ficar tudo recheadinho, apertadinho e sem espaço para mais um niquinho.

Era tudo em grande e sem grandes contas para calcular. A não ser claro, as contas de somar.

 

O que pode somar também pode mirrar…

No dia em que o Sebastião visitou os Aparícios, era o dia da festa de aniversário do Zeca. Tudo brilhava e nada estava fora do sítio. Havia balões, muitos, havia concertinas e música mas, o que mais o impressionou era a quantidade.

Como sempre, aquela era a casa onde tudo se somava e nada se contava. Era mais , mais e mais, sem  limites. Por isso mesmo, o Sebastião começava a ficar baralhado.

É que as horas passavam, o lanche estava pronto mas, até àquele momento, nem sinal de viva-alma. Faltava o elemento mais importante de qualquer festa, os convidados.

À exceção do Sebastião, ninguém ainda tinha chegado.

 

Uma festa sem pessoas? Onde estão os convidados?

O Zeca agarrou-se ao Sebastião e perguntou-lhe:
- Então mas onde está toda a gente?
O Sebastião encolheu os ombros e perguntou-lhe
- Não sei Zeca mas, não foste tu que os convidaste?

O Zeca assustou-se. E lembrou-se que quem tinha ficado de enviar os convites - para a  escola e para os outros sítios  - eram os pais… mas onde estavam afinal os pais?

Encontrou-os a tentar arrumar o frigorífico, entre os iogurtes e as sobremesas e os sumos para serem servidos na mesa principal.

 - Mas o que se passa com os convidados que nunca mais chegam? Perguntou.

A mãe, a Senhora Dª Aparício perguntou imediatamente ao pai:
- Mas a que horas lhes disseste tu para vir?
O pai, o Senhor Aparício respondeu com vergonha:
- Eu não disse nada…Não tinhas ficado tu de convidar as pessoas?

A mãe largou o prato em que pegava, atirou as mãos à cabeça e desfez-se em desculpas. Algo tinha corrido menos bem…

 

Como tirar beneficio de todo desperdício?

Como os pais do Zeca tinham-se esquecido de fazer o principal - que era convidar as pessoas para a festa -, ninguém tinha chegado.
Nem ia chegar. O único que lá estava era o Sebastião, convidado pelo próprio Zeca Aparício que finalmente, percebeu como todos aqueles preparativos nunca seriam usados e, por isso mesmo, não passariam nunca de um grande e valente
d e s p e r d í c i o.

Com tanto empenho em comprar a comida da festa; encher o frigorífico; comprar e encher os balões; fazer os bolos e as sobremesas; decorar toda a casa; esqueceram-se que aquele trabalho todo servia apenas para um único objetivo, receber os convidados para que o Zeca se sentisse feliz.

O resultado tinha sido afinal o oposto. O Zeca estava triste, muito envergonhado por ter uma festa sem convidados.

Os pais, esses, estavam nervosos e cansados de se terem perdido nas fadigas da comida e das compras e esquecido do mais importante da festa.

Mas o Sebastião, convidado único daquela festa sem convidados, estava preocupado com um outro grande detalhe. O maior de todos. E por isso perguntou:

- O que vai acontecer a esta comida toda. Será desperdiçada? E continuou:
- Ó Senhor Aparício, temos que parar com o desperdício! E deu logo uma ideia.

 - Por que não oferecemos a comida a outras pessoas? A minha escola aceita comida para dar a meninos que vivem longe das escolas, cujos pais têm menos dinheiro para comprar guloseimas, bolos e petiscos como os que aqui fizeram.

A mãe respondeu logo que era exatamente isso que iam fazer e o Sebastião sorriu com mais uma estória para contar na escola. A da família Aparício que finalmente acabara com o desperdício.

 

Evita o desperdício em tua casa
Uma das maneiras de evitar o desperdício é ter juízo - e comprar exatamente aquilo de que se precisa. Ou seja antes de comprar, pensar em quanto comprar. Quando comprares mais do que aquilo que realmente precisas, então partilha. Partilha com quem pode precisar tanto como tu, embora não tenha possibilidade de comprar o mesmo. E portanto o teu desperdício pode ser o benefício de muita gente. Pensa nisto…