O Compromisso Pagamento Pontual é vital

Negócios

O secretário-geral da ACEGE, Jorge Líbano Monteiro destaca o impacte do Compromisso Pagamento Pontual em contexto de crise. 27-04-2020

Mais de 1340 empresas estão comprometidas com o pagamento a fornecedores no prazo certo.

A situação económica despoletada pela COVID-19 será provavelmente a mais desafiante das nossas vidas e do nosso país nestes anos de democracia. Um desafio imenso que precisa de todos - Estado, sector privado e social para ser superado.

Um desafio onde será necessário que cada um assuma as suas responsabilidade e, faça tudo aquilo que estiver ao seu alcance, com racionalidade económica, coragem e generosidade.

A par das grandes medidas politicas, que têm de ser concretizadas, há todo um conjunto de práticas empresariais essenciais para a construção de uma nova dinâmica na economia portuguesa. Políticas e medidas que podem parecer pequenas perante os grandes problemas existentes mas que fazem toda a diferença na vida de milhares de gestores, empresas e famílias.

O respeito pelo pagamento a horas aos fornecedores, é uma dessas pequenas, mas grandes medidas de gestão, que sempre marcaram a diferença, mas que na presente crise, onde a falta de liquidez é um dos maiores problemas, assume uma importância vital.

Para fazer face a este enorme problema que afeta toda a economia portuguesa, a ACEGE, a CIP, o IAPMEI e a APIFARMA, com o apoio da Caixa Geral de Depósitos, em conjunto com mais de 1 300 empresa já aderentes, têm vindo a promover o “Compromisso Pagamentos Pontuais” que pretende travar este ciclo vicioso de pagamentos atrasados, dando início a um ciclo virtuoso de pagamentos a horas.

 

Um histórico que exige empenho

Segundo dados da InformaDb, de fevereiro deste ano, só 14% das empresas portuguesas paga no prazo acordado. Um número assustador, e que ainda por cima, na maioria dos casos, não está relacionado com problemas financeiros e de liquidez, mas é apenas fruto de lideranças e culturas empresariais que não percebem a relevância e o impacto negativo do atraso do pagamento e por isso não organizam processos internos para o fazer.

A maioria dos responsáveis empresariais considera que o prazo de pagamento não é relevante, e que os fornecedores podem esperar e aguentam esse atraso. Só assim se percebe que no início deste ano, havia menos empresas a pagar no prazo acordado do que durante o período de intervenção da troika (14% em 2019 contra 16,5% em 2012).

No entanto, a verdade é que o impacto do atraso dos pagamentos é muito relevante. Por exemplo, segundo dados da União Europeia, 25% das falências a nível europeu são devidas a atrasos de pagamentos e, de acordo com um estudo da ACEGE com o Professor Augusto Mateus, o agravamento de 12 dias nos prazos médios de pagamento cria mais de 75 mil desempregados em cinco anos, cerca de 15 mil novas famílias que anualmente são afectadas por este sofrimento do desemprego.

 

Um apelo à consciência das lideranças

É por isso essencial termos um novo olhar sobre o cumprimento dos prazos de pagamento a fornecedores sensibilizando os líderes e decisores públicos. É essencial que cada líder tenha a consciência plena que ao atrasar o pagamento ao seu fornecedor, pode provocar sofrimento a outras pessoas, e está a limitar o desenvolvimento da economia e, por consequência, o da sua própria empresa.
Nesse sentido, o “Compromisso Pagamento Pontual”, faz três apelos a todas as empresas:

 

1. Que não atrasem pagamentos que podem realizar, porque nesta crise a  falta de liquidez é um dos maiores problemas experimentados pelas empresas, e é essencial não promover ciclos viciosos de pagamentos que acabam por levar à falência de muitas empresas. A manutenção dos prazos de pagamento é neste tempo um ato de verdadeira e profunda responsabilidade social.

 

2. Que não aproveitem a crise para tirar vantagens a empresas em dificuldades ou sem poder negocial, através da dilatação de prazos de pagamento ou de propostas de pagamentos antecipados contra descontos comerciais ou outros. O desrespeito pelos valores e a ética, é um fator que diminui e corrompe aqueles que a praticam.

 

3. Que adiram ao compromisso pagamento pontual, em www.pagamentospontuais.pt assumindo publicamente o compromisso de pagar no prazo acordado e ajudando a criar este movimento que pretende construir a esperança nas empresas e potenciar a recuperação da economia portuguesa.

 

Juntos podemos aspirar a transformar esta cultura de atraso, numa cultura de pagamentos a horas, que torne a nossa economia mais competitiva, mais sólida e próxima, em todo o país.

Uma tarefa que começa em cada empresa e em cada decisão de pagamento que fazemos!

 

Jorge Líbano Monteiro
Secretário-geral da ACEGE