Comissões bancárias: porque aumentam e o que fazer?

O Banco e Eu

José Figueiredo explica de que maneira os clientes bancários podem lidar com o atual incremento das comissões bancárias 23-01-2020

Tem sido um tópico quente nos últimos meses, com os bancos a aumentarem as comissões para insatisfação de vários setores da sociedade. Devemos também perguntar-nos: há razões legítimas para este aumento? O que podem fazer os clientes quanto a isto?

O agravamento destas comissões acontece numa vasta gama de produtos, começando pela gestão de ativos, passando pelas normais contas à ordem e passando até pelo Mbway e contas de serviços mínimos. A questão que todos nos colocamos é: por que razão os bancos têm aumentado estas rubricas?

Na realidade, a banca, no presente momento, tem uma necessidade de aumento de receitas. É verdade que se tem emprestado mais, nomeadamente no crédito ao consumo (cresceu 21,3% em outubro, segundo os dados do Banco de Portugal) e no crédito à habitação (onde foram emprestados mais 28 milhões de euros face a setembro, de acordo com os dados do mesmo regulador). Contudo, por outro lado, também se verificam, sobretudo no imobiliário, juros em níveis mínimos que se refletem depois na rentabilidade da própria banca.

Como sabemos, depois de várias recapitalizações, a banca portuguesa precisa de equilibrar as contas. E, apesar de terem voltado a lucrar, algo importante para a sustentabilidade do ecossistema financeiro, a verdade é que há trabalho a fazer para a estabilização destas receitas. Um fator de volatilidade é a suscetibilidade da banca face às mudanças nas políticas monetárias do Banco Central Europeu, que ao cortar nas taxas de juro e a colocá-las em mínimos históricos, corta também num fator de rentabilidade da banca. Daí que novas fontes de receita tenham que ser encontradas e o consequente aumento das comissões. Uma banca descapitalizada seria o pior dos cenários.

Quer isto dizer que os clientes têm que se sujeitar ao aumento contínuo de comissões, destinados a pagar cada vez mais pelos seus produtos? Não necessariamente. Aqui entram duas alternativas para os consumidores: a comparação e a utilização inteligente dos produtos bancários. Em primeiro lugar, é importante que se conheçam todas as alternativas existentes em cima da mesa. E já há ferramentas que o permitem fazer.

O Banco de Portugal lançou, no seu website, este instrumento que permite, de forma bastante simples, a comparação de comissões bancárias, quer por instituição, quer por serviço prestado. Há aqui vários serviços que podem ser colocados em perspetiva, desde, por exemplo, comissões de manutenção de conta, levantamento de numerário, cash advance, entre outras.

Comparando, o cliente pode obter uma ideia de quanto pouparia ao optar por qualquer outra instituição, fazendo com que estas, pela clareza na apresentação das alternativas da concorrência, tenham atenção no que toca ao aumento das comissões.

Uma segunda via é utilizar os serviços do banco de forma inteligente, o que requer alguma literacia financeira. Alguns exemplos: há bancos que possuem apps próprias e, ao fazer transferências MbWay dentro da aplicação do banco, fica isento do comissionamento (varia de banco para banco se tal se aplica a transferências intra ou interbancárias). Depois, há casos específicos de pessoas que, apesar do aumento das comissões, continuam isentas ou, pelo menos, possuem um desconto significativo nalguns destes custos. Podemos estar a falar de reformados até um determinado nível de rendimentos, jovens até uma certa idade, entre outros. É importante que o cliente verifique se se encontra isento (ou se possui algum tipo de abatimento) ou não.

Em suma, a subida das comissões para evitar problemas de sustentabilidade não quer dizer que os consumidores estejam condenados a pagar mais: a comparação e a utilização inteligente dos produtos financeiros são, aqui, o caminho a seguir.


José Figueiredo, CEO Portal COMPARAJA.pt