Open Banking

Como surgiu o Open Banking?

O Banco e Eu

Sofia Rodrigues Mota, manager da área da banca da everis NTT DATA Portugal explica-nos como a transformação nos afeta. 16-07-2021

Tempo estimado de leitura: 15 minutos

A relação das instituições financeiras com os seus clientes está em constante transformação. O ritmo da inovação nunca foi tão alto e está constantemente a mudar a forma como interagimos, transacionamos e fazemos negócios. O onlinebanking é disso exemplo.

É atualmente possível realizar vários processos bancários pela via online, desde a abertura de contas, à contratação de produtos financeiros mais complexos. Esta transformação foi intensificada com a situação pandémica que vivemos desde março de 2020, traduzindo-se num aumento significativo da utilização dos canais e meios de pagamento digitais.

A par desta transformação, têm-se vindo a assistir a um esforço cada vez maior no sentido da regulamentação, quer em termos de proteção de dados pessoais com o RGPD (Regulamentação Geral de Proteção de Dados), quer em termos de democratização dos dados de clientes mantidos pelas instituições financeiras e partilha dos mesmos com parceiros através da diretiva europeia PSD2 (Payment Service Directive 2). É neste contexto que surge o Open Banking.

 

Mas o que é afinal o Open Banking?

O Open Banking surge com a diretiva PDS2 (acima referida) e vem possibilitar que os clientes possam partilhar, de forma segura e caso o consintam, o acesso a dados financeiros relacionados com outras entidades, bancárias e não bancárias.

Para os clientes isto significa ter mais ferramentas e soluções para gerirem o seu património, novas formas de pagamento, novos produtos e serviços e, em última análise, uma melhor experiência de relação com as entidades financeiras.
No imediato, isto significa que os clientes, empresas ou particulares, têm a possibilidade de agregar parte do seu património financeiro num único sítio. Atualmente, já é possível agregar contas à ordem, cartões de crédito, cartões de refeição e alguns investimentos.

Isto já é possível na grande maioria dos bancos e também em novos operadores, como o DABOX, criado pela Caixa. Este é um primeiro passo mas, no futuro, será possível alargar a informação financeira passível de agregação a produtos como poupanças, investimentos, seguros, entre outros, para que os clientes tenham uma visão transversal das suas finanças.

 

Uma gestão mais eficiente do património financeiro

Associado à agregação de contas, a grande maioria das instituições financeiras e outros operadores de mercado disponibilizam também aos seus clientes funcionalidades que lhes permitem fazer uma gestão mais eficiente do seu património financeiro.

Estas funcionalidades são, por exemplo, a categorização de despesas e receitas (automática ou manual), o resumo periódico da atividade financeira, a possibilidade de definir objetivos de poupança ou a possibilidade de definir orçamento e alertas.

Em alguns casos, são também disponibilizadas soluções personalizadas para apoiar os clientes nas suas decisões financeiras, desde dicas sobre gestão do orçamento, passando pela disponibilização de conselheirosdigitais, que têm a missão de apoiar os clientes nas suas decisões de investimento, até à disponibilização de modelos preditivos, para apoiar os clientes no planeamento financeiro dos seus rendimentos e despesas a curto, médio e longo prazo.

Além da agregação de contas e todas as funcionalidades relacionadas, o Open Banking veio também facilitar os pagamentos, sendo atualmente possível realizar pagamentos e transferências a partir de contas agregadas, sem que o cliente tenha de fazer log-in na app ou no online banking de cada vez que usa uma destas contas.   

No final do dia, a agregação de contas e as funcionalidades complementares contribuem ativamente para a capacitação dos clientes, permitindo-lhes assumir o controlo das suas finanças.

 

O que é que esta tecnologia pode oferecer no futuro?

A revolução da banca que coloca o cliente no controlo dos seus dados e no centro das decisões do banco está no início, mas já é certo que os dados dos clientes, de cada um de nós, serão cruciais e estarão no centro desta revolução, que tem como principal vantagem a melhoria da relação dos cidadãos com os bancos.  

Neste sentido, é de antever que os bancos possam fazer evoluir os serviços em termos de:

  • Personalização: oferecendo produtos e serviços à medida, partindo dos dados dos clientes em termos de aspirações, necessidades e comportamentos;
  • Conveniência: disponibilizando num único local uma gama abrangente de produtos e serviços adaptados às necessidades do dia-a-dia do cliente, que podem ir desde temas relacionados com a habitação (por exemplo, compra; arrendamento; seguro; contratação de serviços de eletricidade e gás; serviços de manutenção) até temas de viagens e lazer (por exemplo, seguros, reservas, pagamentos, reclamações);
  • Segurança: oferecendo capacidades de identificação digital aos clientes (autenticação e identificação) para facilitar as interações do dia-a-dia, como pagamentos. Por exemplo, permitindo-lhes definir que informação querem partilhar em cada momento, com cada parceiro, evitandos vários processos de registo, o que oferece igualmente muita comodidade.

 

Assim se conclui que as potencialidades do Open Banking são muitas e que com a consolidação da tecnologia e o aumento da sua utilização, os clientes poderão beneficiar de várias capacidades que lhes darão ainda maior controlo sobre as suas vidas financeiras.

Sofia Rodrigues Mota,manager da área da banca da everis NTT DATA Portugal