Seguros de saúde:
uma realidade a descobrir

Proteção

Saiba que ao contratar um seguro de saúde está a cuidar de si e da sua família com a atenção merecida. 12-07-2019

A ironia da expressão “tratar da saúde” que normalmente se usa em ambiente descontraído, não se aplica à decisão de subscrever um seguro de Saúde. Além de se tratar de uma alternativa que verdadeiramente faz a diferença no bem-estar familiar, implica algum rigor na escolha. A oferta é variada e isso exige-lhe atenção redobrada. Descubra como avaliar a melhor opção para si e para os seus.

O que são e como funcionam os seguros de saúde

Os seguros de saúde são produtos de proteção que o ajudam a suportar as despesas clínicas. Cobrem, total ou parcialmente, o custo de consultas e intervenções médicas, de exames de diagnóstico e internamentos.

Há várias empresas que oferecem seguros de saúde - de bancos a seguradoras especializadas -, e o mercado é monitorizado pela Entidade Reguladora da Saúde (ERS).

Dependendo do que foi determinado na apólice, os seguros de saúde podem pagar as despesas no imediato ou reembolsar os clientes mais tarde. No primeiro caso, é imprescindível que o cliente se faça acompanhar do número de beneficiário do seguro; no segundo caso, é essencial que o cliente peça uma fatura com número de contribuinte para enviar à seguradora.

Os seguros de saúde funcionam como uma alternativa ao Sistema Nacional de Saúde (SNS). Eles dão acesso privilegiado a uma rede de cuidados de saúde particular e constituem, desta forma, um complemento ao sistema público.

Os benefícios dos seguros de saúde

Uma das vantagens de subscrever seguros de saúde é a liberdade para escolher os médicos e os hospitais onde é atendido. Pode, em caso de necessidade, procurar qualquer hospital ou clínica privada, dentro ou fora da rede convencionada, e ser reembolsado de parte do valor que pagar.

Pagar apenas uma parte da despesa é outra das vantagens dos seguros de saúde. De todas as consultas, exames e intervenções clínicas que fizer, fica com a certeza de pagar apenas uma parcela (a franquia ou o co-pagamento).

É ainda uma vantagem dos seguros de saúde a abrangência de especialidades: cobrem todas as especialidades tradicionais da medicina e, em alguns casos, também cobrem as despesas com partos, próteses e ortóteses.

A forma de pagamento é ainda flexível. Na maioria dos casos, pode pagar os seguros de saúde mensalmente, trimestralmente ou anualmente (ainda que diferentes opções tenham custos diferentes).

As cautelas a ter em conta

Paralelamente às vantagens, os seguros de saúde apresentam algumas exigências cujo impacte pode ser minimizado se as conhecer e souber gerir convenientemente. Uma delas é o período de carência. No seu curso, não há lugar ao copagamento de despesas médicas. Isto significa que o cliente pode precisar de aguardar por uma margem de tempo (que pode ir até aos 270 dias), entre a subscrição e o momento em que passa a beneficiar das coberturas contratadas.

Outra vulnerabilidade dos seguros de saúde são as pré-autorizações. A maioria das apólices inclui uma lista de exames e intervenções clínicas que só são comparticipadas pelo seguro se o cliente apresentar, previamente, um pedido de autorização e este for deferido pela seguradora. Mas nada de dramatizar. Deve saber destas restrições e sobretudo a que intervenções se aplicam. Pode acontecer não terem impacte significativo nas suas necessidades concretas.

Ultrapassando o valor estipulado, o seguro deixa de pagar as despesas clínicas do cliente, a menos que estas sejam bem justificadas com relatórios médicos. Mesmo assim, trata-se de uma dificuldade mais óbvia em casos de doenças pré-existentes - diagnosticadas antes da subscrição.

Os seguros estão também particularmente atentos à idade dos clientes e, a partir de determinado momento, podem deixar de aceitar a renovação da apólice.

Como escolher o melhor seguro de saúde

De entre todos os seguros de saúde existentes no mercado, existem os que podem adaptar-se melhor às suas necessidades do que outros. Para descobrir o que mais lhe compensa, esteja atento a alguns pontos específicos:

As coberturas

Avalie as coberturas incluídas na apólice e veja se são as mais adequadas para si. Por vezes há coberturas que, não sendo necessárias, fazem aumentar o preço.

O tipo de comparticipação

Há modalidades de seguros de saúde que pagam uma percentagem das despesas médicas (e o cliente assume o resto), outras em que o cliente paga sempre um valor fixo e o seguro assume o que falta. Faça as contas aos atos médicos que mais pratica para saber qual dos moldes é mais vantajoso para si.

Possibilidade de reembolso

Se vive ou passa muito tempo em zonas onde não há estabelecimentos de saúde convencionados com a sua seguradora, é importante garantir que ela permita o reembolso mediante fatura. Este reembolso aplica-se ao recurso a hospitais ou clínicas não convencionadas, onde o cliente paga a totalidade da despesa e depois envia a fatura à seguradora para que esta possa devolver a parte que lhe cabe.

Possibilidade de juntar a família

Há seguros de saúde que permitem juntar toda a família numa só apólice. Estas modalidades são, geralmente, de preço mais reduzido do que a soma dos seguros de saúde individuais.

Forma de pagamento

Os seguros de saúde podem ser pagos mensalmente, trimestralmente ou anualmente. Além da diferença de periodicidade, eles podem ter uma diferença de preço. A anuidade pode sair mais barata do que a soma das mensalidades, por exemplo.

Limites de idade

É comum os seguros de saúde terem limite de idade para subscrição e renovação. Se está com a idade avançada, procure saber se ainda pode subscrever o produto e durante quanto tempo vai poder usufruir dele, para não passar diretamente do período de carência para a idade limite.

Períodos de carência

Os períodos de carência exigidos pelos seguros de saúde variam consoante as seguradoras, os planos contratados e até as coberturas. Avalie os períodos de carência dos seguros que pondera subscrever para saber se fazem sentido mediante as suas necessidades do momento.

Como poupar no seguro de saúde

Para conseguir poupar no seguro de saúde é necessário dominar as variáveis que influenciam o preço.

  • Adaptar a apólice às suas necessidades
    Dispense coberturas que não vai usar e tente negociar a substituição sem custos adicionais por coberturas que, não fazendo parte daquele plano, lhe são mais úteis. O objetivo é conseguir seguros de saúde mais próximos das suas reais necessidades, para tirar o máximo proveito do que vai pagar.
  • Pagar anualmente
    A modalidade de pagamento anual é quase sempre mais barata do que as restantes, porque as seguradoras assumem um risco menor de incumprimento. Se tiver disponibilidade para pagar tudo de uma vez, aproveite para poupar.
  • Incluir familiares na apólice
    Os seguros de saúde familiares tendem a ser mais baratos do que a soma de vários seguros de saúde individuais. Se tem familiares que também precisam de seguro de saúde, tente enquadrar todos na mesma apólice e, com isso, reduzir o prémio.
  • Adquirir cartões de desconto para especialidades específicas
    Pode acontecer que precise muito de uma especialidade em particular, mas não precise de todas as outras coberturas que vêm com ela quando é acrescentada à sua apólice. Nestes casos, pode compensar subscrever um seguro de saúde mais básico, só com as coberturas de que precisa, e, à parte, comprar um cartão de desconto da especialidade médica que lhe faz mais falta.

 

Seguro de saúde ou plano de saúde?

Em alternativa aos seguros de saúde, o mercado oferece também planos de saúde. Os planos de saúde são igualmente produtos de proteção, mas menos abrangentes do que um seguro e, paralelamente, mais fáceis de subscrever.

O plano de saúde oferece o acesso a uma rede de cuidados médicos convencionada a preços especiais. Ao contrário dos seguros de saúde, o plano de saúde não dá direito a copagamento, ou seja, não paga uma parte da despesa, só oferece os descontos. Pela mesma lógica, também não dá direito a reembolso quando o beneficiário for atendido fora da rede convencionada.

O plano de saúde é pago mensalmente e não tem limite de idade nem exclusão de doenças pré-existentes. Também não tem períodos de carência nem necessidade de autorizações prévias. Por outro lado, não abrange intervenções clínicas complexas nem próteses ou ortóteses, e pode ser mais caro do que alguns seguros de saúde.

Saber se lhe compensa mais um plano de saúde ou um seguro de saúde vai depender do tipo de intervenções que faz, das suas necessidades e da sua localização. Se precisar de poucas consultas médicas por ano, por exemplo, o plano de saúde é mais favorável. Por outro lado, se viver no interior do país e não tiver por perto nenhuma instituição de saúde convencionada, os seguros de saúde são mais vantajosos. Terá de avaliar o seu caso em particular e fazer uma equivalência entre as coberturas das duas opções e as suas necessidades.