Está preparado para lidar com a ameaça do COVID-19?

Negócios

Num contexto de alarme económico e social como o atual, evite enfiar a cabeça na areia mas também não se deixe levar pelo pânico. 02-03-2020

Numa altura em que a Direção Geral de Saúde emite alertas e pontos de situação sobre o risco de ameaça viral como a que se vive com o coronavírus, COVID-19, a pergunta que se impõe é a seguinte: o meu negócio está preparado para lidar com a ameaça do COVID-19?

À pergunta que acaba de ler, a sua empresa deve responder com ação pensada e articulada. Ou seja, com um plano a definir com os seus colegas de gestão e a partilhar com a restante equipa. Nada de entrar em pânico mas, evite manter a cabeça enfiada na areia. Saiba liderar com calma e controlo sobre as circunstâncias.

Mesmo em estruturas de menor dimensão, prepare-se para cenários que podem perturbar a continuidade do seu negócio. É que estes riscos são reais e se a sua opção é aguardar para ver “como a coisa pode vir a evoluir”, a sua opção está errada.

O primeiro conselho que lhe deixamos é o de aproveitar o cenário de relativa acalmia nacional, pelo menos aparente (com casos ainda por confirmar à data de redação deste artigo) para que possa definir um plano de contingência de negócio, a pôr em prática - caso as circunstâncias se agudizem.

 

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Liderar é antecipar cenários

De acordo com a Gartner, é importante identificar pontos-chave de atividade e competências de que não pode mesmo prescindir para garantia da continuidade do negócio.

Mais, para que a sua empresa assegure capacidade de reagir a um cenário de crise, é importante que possa ter respostas antecipadas a interrogações como:

  • Capacidade de enfrentar elevados níveis de absentismo;
  • Capacidade de assegurar a multidisciplinariedade e polivalência dos colaboradores;
  • Capacidade e estrutura para garantir uma rede de teletrabalho;
  • Ter planos de contingência em caso de viagens a zonas de risco ou para repatriação de colaboradores afetados nesses locais;
  • Assegurar a higienização do espaço de trabalho, sua salubridade e dos sistemas de ventilação;
  • Assegurar a segurança dos colaboradores residentes; possibilidade de obter mais recursos; garantia de um gabinete de crise capaz de responder a dúvidas.

 

Estes pontos-chave podem variar em função da escala e da área do seu negócio. Mas, fundamental é antecipar riscos e ajudar a minimizar o seu impacte. Sistematize-os - riscos e soluções - com o seu caso concreto.

 

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Comunicar e sensibilizar é importante

Tão importante, ou mais, que ter um plano é conseguir comunicá-lo e envolver os colaboradores à volta dos seus propósitos.

Prepare-se para manter-se a par dos últimos desenvolvimentos ou noticias e tente adaptar-se à evolução. Seja flexível e rápido a reagir. Existem linhas de apoio que o podem ajudar neste exercício, sendo que a Direção Geral de Saúde (DGS) dispõe de informação atualizada sobre o assunto no seu portal.

Assegure que as fontes são fiáveis e portanto capazes de o habilitar a decidir com propriedade. A par desta preocupação em manter-se informado, faça circular essa informação de maneira compreensível e simples à sua estrutura de colaboradores.

Mobilize e fomente um espirito de confiança e resiliência. Acima de tudo, lembre-se que ambas se baseiam num clima de transparência e clareza de informação e esclarecimento.

 

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Qual o seu plano para a continuidade do negócio?

Analise a cadeia de valor do seu negócio, desde os meios internos; aos fornecedores e pontos de escoamento dos seus produtos e serviços. Identifique os pontos nevrálgicos para a continuidade do negócio:

  • Quais os meus fornecedores-chave;
  • Quais podem estar mais estar mais expostos a um risco de pandemia;
  • Como assegurar alternativas;
  • Vale a pena ponderar a compra de matéria-prima de maneira mais volumosa;
  • Como posso gerir a minha estrutura de produção;
  • Como posso assegurar a minha estrutura de distribuição?
  • Como devo preservar a minha reputação junto de clientes?
  • Como manter a sua confiança?
  • Como lidar com o risco de reputação?

 

Estas e outras perguntas devem constar de um plano que, na sua generalidade, empresas de maior dimensão têm a cautela de manter e atualizar ao longo do tempo. E que empresas de menor dimensão, pela fragilidade da sua estrutura humana e de gestão podem não ter. Estas contam, porém, com um fundamental atributo a seu favor.

Trata-se da agilidade e flexibilidade com que podem reagir a contextos de menor previsibilidade, ou seja a situações atípicas. Se há lição que - grandes ou pequenos negócios - podem retirar desta experiência, é justamente a da capacidade de adaptação a cenários bruscos.

 

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Quais os conselhos da DGS?

A DGS é bastante clara nas instruções que deixa às empresas no Documento de Orientação sobre a Infeção por SARS-CoV-2 (COVID-19), “ o empregador é responsável por organizar os Serviços de Saúde e de Segurança do Trabalho (SST) de acordo com o Regime Jurídico de Promoção da Segurança e Saúde no Trabalho”.

Isto implica que além das decisões que deve tomar relativamente ao seu negócio concreto, há necessidade de ter em conta detalhes que provém das determinações oficias.

Esta responsabilização dos empregadores passa por identificar os efeitos que a infeção de trabalhadores pode causar na empresa mas também por prepará-la para fazer face a casos de infeção - confirmados ou suspeitos.

Nestes últimos, nomeadamente, com passos como:

  • Definição de responsabilidades, nomeadamente a obrigação de alertar chefias diretas em caso de suspeita de contágio;
  • Procedimentos específicos como de conduta social; obrigação de alerta entre os colaboradores e a chefias; uso de máscaras e manuseamento; higienização das mãos;
  • Disponibilização de contactos para o Serviço de Saúde do Trabalho;
  • Aquisição de disponibilização de equipamentos e produtos como soluções antissépticas.

 

Para mais informações consulte: Orientações da DGS 

 

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