Investir as suas poupanças aconselha a prudência

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O princípio do investimento responsável deve orientar as suas opções para aplicar poupanças. Deixamos-lhe algumas orientações. 23-10-2019

Investir as suas poupanças aconselha a prudência

Sabe qual é o seu perfil de investidor? Conhece os critérios a seguir para aceitar uma proposta de investimento? Qual a melhor maneira de rentabilizar as suas poupanças? E se quiser esclarecimentos? Estes e outros detalhes para o orientar.

Tomar a decisão de poupar exige esforço e disciplina. Todos o sabemos mas, a mesma cautela que dedicou a esse exercício de aforro deve dedicar à segunda etapa deste objetivo de poupança, ou seja, investir e rentabilizar a verba que for conseguindo amealhar.

Falemos de investimento como a outra face do aforro e, sobre este assunto, há muito a descobrir. São inúmeros os casos de pessoas que se desiludem, perdem ou desesperam por desconhecer como investir, como saber distinguir as ofertas milagrosas daquelas outras que valem a pena aceitar.

Em suma, desconhecem como tirar o melhor proveito do esforço realizado na poupança. E sobretudo, não estão verdadeiramente esclarecidas sobre o risco de vir a desperdiçar esse esforço.

Refletir antes de decidir

Assim como nos momentos em que poupou para conseguir o montante necessário para investir - ao seguir com disciplina os objetivos traçados na sua estratégia - também na hora de investir deve assegurar-se que tem o seu plano devidamente acautelado.

Uma estratégia para quê?

Antes de avançar, considere o seu grau de experiência e de conhecimento sobre esta alternativa de aplicação de poupanças. Investir no mercado de capitais é uma decisão ponderada e informada que passa por várias frentes de reflexão.

Comece por ter em conta a sua situação financeira, ou seja que disponibilidade tem para investir, identifique os verdadeiros objetivos do investimento e o seu perfil de risco; podere ainda se pretende preservar a integridade do capital ou se procura rentabilizá-lo; projete o prazo a partir do qual pretende ter retorno desse investimento. 

A estimativa sobre este retorno é igualmente importante. Não se esqueça de perceber exatamente qual a rentabilidade garantida assim como os custos que tem necessariamente que suportar com determinada solução financeira. Os custos assumidos têm impacte direto na rentabilidade do investimento.

Considere os custos

É fundamental que tenha total conhecimento sobre o que vai pagar ao subscrever determinado produto. Lembre-se que a compra, venda e posse de produtos de investimento implica a prestação de determinado serviço por um intermediário. Conte com custos como a comissão de transações; a comissão de guarda de títulos; a comissão de reembolso; a comissão de pagamento de juros ou cupões (rendimentos gerados pelas obrigações) e, no caso das ações, a comissão pelo pagamento de dividendos.

Considere a rentabilidade

Existem particulares cuidados a ter com a rentabilidade das soluções que lhes estejam a propor. Parta do princípio de que todos os investimentos comportam risco, e quanto maior for a promessa de retorno maior será o risco a suportar. Os produtos de maior risco potenciam igualmente uma maior remuneração mas isso não deve ser o único fator de decisão. Tenha sempre em conta até onde a sua capacidade financeira e perfil de risco podem chegar.

Os 13 cuidados para investir

  1. Validar o seu intermediário financeiro – não arrisque optar por uma entidade que pode não oferecer as garantias de segurança e competência necessárias. Deve  consultar as entidades credenciadas pela CMVM;
  2. Ler os documentos antes de subscrever qualquer das soluções financeiras que lhes estejam a propor;
  3. Evite assinar documentos, cuja informação não compreenda;
  4. Sem perceber, não invista;
  5. Confirme que todas as informações que o convenceram optar por determinada solução, constam da documentação oficial que lhes estão a dar para assinar;
  6. Diversifique os seus investimentos. Nada de confiar todos os ovos no mesmo cesto;
  7. Opte por diversas categorias de ativos. Por exemplo, obrigações; unidades de participação em fundos de investimento;
  8. Tente combinar valores imobiliários com vários graus de risco;
  9. Assegure que as suas apostas sejam aplicadas em emitentes de vários mercados e ramos de atividade;
  10. Confirme o risco e perfil global da carteira em que pretende apostar;
  11. Tenha sempre em conta a fase da vida em que se encontra;
  12. Invista de maneira progressiva e sensata;
  13. Evite contrair empréstimos para investir.

 

Qual a importância do contexto e seus desafios?

Tenha sempre presente de que o que se passa no mundo pode trazer implicações no seu investimento. Neste momento, um dos principais centros financeiro da União Europeia está prestes a abandonar o espaço comunitário. O Brexit deve ser, por isso mesmo, é um dos pontos a ter em conta antes de oficializar opções de investimento que pretenda executar a curto prazo. Mantenha-se informado sobre a realidade que a cerca, procure antecipar consequências e informa-se adequadamente junto do seu intermediário.

 

Lembre-se disto:

Promessa de rentabilidade elevada com pouco ou nenhum risco são indícios de fraude. Desconfie de quem os esteja a propor.

Rentabilidades passadas não asseguram rentabilidades futuras. Num mercado volátil, não parta do princípio de que um bom investimento em determinado momento possa ter desempenho igual noutro contexto e noutra altura.

Qual o efeito dos novos canais?

Ao mesmo tempo que os novos canais de informação disponibilizam maior diversidade de informação e esclarecimento, também podem permear a maior facilidade de subscrição.

Estes riscos devem ser minimizados com mais atenção dos investidores e com a salvaguarda dos dados pessoais por que deve sempre zelar. Evite partilhá-los com entidades que desconhece e sobre as quais ainda não tem informação consistente. Lembre-se, um clique pode significar a adesão a determinado produto

Princípio de investimento responsável na Semana do Investidor

Este ano, e pelo segundo consecutivo, a Semana Mundial do Investidor incluiu sessões de Open Day na Banca. Trata-se de um conjunto de ações de esclarecimento que, num esforço conjunto entre a Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) e a Associação Portuguesa de Bancos (APB), percorreram várias agências bancárias do País. A oportunidade permitiu o contacto direto dos clientes com uma equipa especializada do Regulador, junto de quem puderem esclarecer as suas dúvidas em sessões dedicadas para onde tinham sido previamente convidados.

 

A semana decorreu de 30 de outubro a 6 de novembro e envolveu vários bancos nacionais, nomeadamente a Caixa Geral de Depósitos. A Semana Mundial do Investidor é organizada todos os anos pela IOSCO com o objetivo de destacar a  importância da educação financeira e da proteção do investidor.

 

EM CASO DE DÚVIDA:

Contacte a CMVM através de: investidores@cmvm.pt

E ainda através da linha verde: 800 205 339

 

Glossário do investidor:

Ativo Financeiro: Trata-se de um instrumento financeiro que atribui ao comprador o direito de receber determinada remuneração do lado do vendedor.

Categorias de ativos: As várias opções de investimento e que podem variar entre dinheiro, depósitos bancários; contas correntes; contas de aforro; certificados; ações; entre outras.

Emitentes: A entidade que se responsabiliza pela emissão e remuneração de determinada solução financeira. Por exemplo, ações; obrigações ou títulos de divida.

Comissão de transações: Valor a pagar pelo comprador de determinado ativo pela transação que acaba de fazer ao seu intermediário.

Comissão de guarda de títulos: Valor a pagar pelo detentor de determinado ativo que está guardada junto do intermediário financeiro.

Comissão de reembolso: Valor a pagar pelo comprador ao vendedor de determinado ativo pelo resgate de determinado ativo.

Perfil de risco: Caracteriza o investidor, conforme a sua maior ou maior aversão ao risco; o seu conhecimento e experiência em diferentes instrumentos financeiros; o seu grau de edução e situação financeira. Pode variar entre conservador, moderado e agressivo.

Valores imobiliários (Fundos de investimento imobiliário): são instituições de investimento coletivo cujo objetivo consiste no investimento dos capitais obtidos junto dos investidores, sendo o seu funcionamento sujeito a um princípio de repartição de risco.

Valores mobiliários: Trata-se de um título de propriedade (ação) ou de crédito (obrigação), emitido por um ente público (governo) ou privado (sociedade anônima ou instituição financeira). Assumem características e direitos padronizados (cada título de uma dada emissão tem o mesmo valor nominal ou a mesma cotação em bolsa, os mesmos direitos a dividendos, entre outros). São também denominados títulos financeiros.

Fonte: CMVM – Semana Mundial do Investidor. Apresentação Investir no Conhecimento, investir com confiança.

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