Estudar noutro país através do Erasmus+ pode ser uma experiência importante quer do ponto de vista pessoal como académico e profissional. Mas quanto custa fazer Erasmus? E a bolsa é suficiente para pagar o alojamento, a alimentação e as viagens?
Não existe um valor igual para todos. O custo depende do país e da cidade escolhidos, da duração desta deslocação para fora, dos custos de alojamento e dos hábitos de consumo. Por isso, antes de partir, é essencial calcular as despesas previstas, confirmar o valor da bolsa e perceber que parte do orçamento terá de ser assegurada pelo estudante ou pela família.
O que é o Erasmus+?
O Erasmus+ é o programa da União Europeia para a educação, a formação, a juventude e o desporto. No ensino superior, permite estudar ou realizar um estágio no estrangeiro combinam uma componente física combinada com uma componente virtual. O atual programa decorre desde1 de janeiro de 2021 e até 31 de dezembro de 2027.
Quem se pode inscrever?
Podem participar estudantes de cursos técnicos superiores profissionais, licenciaturas, mestrados e doutoramentos, matriculados numa das instituições de ensino superior participantes. Também existem oportunidades de estágio para recém-diplomados, desde que a seleção tenha ocorrido dentro das condições previstas no programa.
Toma Nota:
Em Portugal, a gestão do Erasmus+ nos domínios da educação e formação cabe, desde abril de 2026, ao Instituto para o Ensino Superior, I. P. Este organismo sucedeu à Direção-Geral do Ensino Superior e à Agência Nacional Erasmus+ Educação e Formação, formalmente extintas a 1 de abril de 2026.
Como se organizam as candidaturas?
As candidaturas são organizadas pelas instituições de ensino superior que participam no programa. Cada instituição define os destinos disponíveis, os critérios de seleção, os documentos exigidos e os prazos de candidatura.
Quem pretende fazer Erasmus deve começar por consultar o gabinete de relações internacionais ou de mobilidade, onde pode saber:
- que destinos estão disponíveis para o seu curso;
- quais os critérios de seleção;
- que unidades curriculares pode realizar no estrangeiro;
- qual é o valor previsto da bolsa;
- que documentos deve apresentar;
- quais são os prazos a cumprir.
O processo começa na instituição de ensino superior de origem, que deve selecionar os candidatos de forma justa e transparente. Antes da partida, estudante e universidade de acolhimento e origem definem as unidades curriculares cumprir no estrangeiro, de acordo com Learning Agreement. Este contrato de estudos também define as condições de reconhecimento académico.
Quanto tempo pode durar um Erasmus?
Uma mobilidade de estudos ou estágio de longa duração pode decorrer entre 2 e 12 meses. O limite total é, em regra, de 12 meses por ciclo de estudos, independentemente do número de mobilidades ou programas em que se inscreva.
Isto significa que um estudante pode fazer Erasmus mais do que uma vez no mesmo ciclo, desde que a duração acumulada não ultrapasse os 12 meses. Nos cursos de ciclo único, como Medicina ou Arquitetura, a duração acumulada pode chegar aos 24 meses. Também existem mobilidades curtas, com uma componente física entre 5 e 30 dias.
Quanto custa fazer Erasmus?
Não existe um custo mensal oficial aplicável a todos os estudantes. Viver numa capital, numa cidade turística ou num destino com rendas elevadas pode exigir um orçamento muito superior ao de uma cidade universitária mais pequena.
Para calcular quanto custa fazer Erasmus, devem ser consideradas as seguintes despesas:
- viagem de ida e regresso;
- alojamento;
- caução ou depósito inicial;
- água, eletricidade, gás, aquecimento e internet;
- alimentação;
- transportes locais;
- seguro;
- eventuais despesas de saúde;
- material académico;
- telemóvel e comunicações;
- atividades culturais e lazer;
- viagens durante a permanência no estrangeiro;
- encargos administrativos;
- fundo para imprevistos.
O alojamento é normalmente uma das despesas com maior peso. No entanto, não basta comparar a renda anunciada. Um quarto mais barato pode ter um custo total superior se ficar longe da universidade ou se obrigar ao pagamento separado de aquecimento, eletricidade, internet e transportes.
Antes de escolheres um destino, compara o custo de vida de cada cidade e não apenas o valor da bolsa disponível.
Como fazer os cálculos ao orçamento?
O orçamento deve incluir as despesas mensais e os custos pagos apenas uma vez, como a viagem, a caução, o seguro ou a compra de material necessário para o acolhimento.
Podes usar esta fórmula: Despesas mensais × número de meses + despesas iniciais − apoios confirmados = montante a financiar
Imagina uma mobilidade para um programa de cinco meses com os seguintes valores:
•despesas mensais estimadas: 850€;
•caução, viagem e outros custos iniciais: 1 000€
•bolsa e outros apoios confirmados: 2 500€
O custo total estimado seria: 850€ × 5 meses + 1000€ = 5 250€
Depois de descontados os apoios: 5 250€− 2 500€ = 2 750€
Nesta simulação,o estudante teria de assegurar 2 750€, o equivalente a 550€ por cada mês da mobilidade. Como estes valores são apenas orientadores, antes de tomares uma decisão, deves substituí-los pelos preços reais do destino e pelos apoios comunicados pela instituição de ensino superior.
Quanto se recebe de bolsa Erasmus?
A bolsa Erasmus+ é uma contribuição para as despesas adicionais de viagem e estadia. Não corresponde ao pagamento integral da experiência e o valor não é igual para todos. O montante depende de vários fatores, nomeadamente:
•país de origem e país de destino;
•diferença entre os respetivos custos de vida;
•duração da mobilidade;
•distância da viagem;
•tipo de mobilidade;
•existência de complementos;
•financiamento disponível;
•condições definidas para o projeto e para o ano académico.
O Guia do Programa Erasmus+ 2026 enquadra os apoios individuais de acordo com a relação entre o custo de vida do país de origem e o do país de destino. A instituição de ensino superior deve informar o aluno sobre o montante mensal aplicável, o apoio à viagem, as datas de pagamento e as restantes condições. Estes valores devem constar do contrato financeiro da mobilidade.
Toma Nota:
A mobilidade em Erasmus pode realizar-se para países com custo de vida superior, semelhante ou inferior. Os intervalos previstos no enquadramento europeu não correspondem automaticamente ao valor que cada estudante português recebe. Atenção, que não é prudente prudente preparar o orçamento com base apenas em valores pesquisados na internet ou associados a outras universidades.
A bolsa Erasmus cobre todas as despesas?
Não existe garantia de que a bolsa cubra o custo total do Erasmus. O apoio pode representar uma parte importante do orçamento, mas a diferença depende sobretudo do preço do alojamento, do destino, da duração da estada e dos hábitos do estudante. O cálculo deve ser feito pela seguinte ordem:
1.estimar as despesas reais do destino;
2.somar os custos iniciais;
3.confirmar o valor da bolsa;
4.confirmar os complementos e outros apoios;
5.calcular o montante que ainda falta financiar.
Toma Nota:
É importante saber quando será paga a bolsa. Algumas despesas surgem antes da partida ou nas primeiras semanas, como a viagem, a caução, a primeira renda e a compra de bens essenciais.
O estudante deve consultar o contrato financeiro e confirmar junto da instituição as condições e o calendário dos pagamentos.
Que complementos podem aumentar a bolsa Erasmus?
Além da bolsa base, podem existir apoios adicionais. No entanto, cada complemento tem regras próprias e não deve ser considerado no orçamento antes de estar confirmado.
Complemento para participantes com menos oportunidades
O Guia Erasmus+ 2026 prevê um complemento mensal de 250 euros para estudantes e recém-diplomados com menos oportunidades que realizem mobilidades de longa duração.A atribuição não é automática. Os critérios usados para identificar os participantes elegíveis são definidos a nível nacional pelas entidades competentes.
Complemento para estágios
Os estudantes e recém-diplomados que realizem estágios de longa duração podem receber um complemento mensal de 150€ Quando o participante num estágio também cumpre os critérios aplicáveis às pessoas com menos oportunidades, os complementos podem acumular-se, de acordo com as condições do programa.
Complemento português para estudantes bolseiros
Os estudantes bolseiros de ação social aos quais seja atribuída uma bolsa Erasmus+ podem beneficiar de um complemento mensal de mobilidade. O regulamento português prevê:
• 100€ por mês, quando o valor da bolsa base anual é inferior a sete vezes o Indexante dos Apoios Sociais;
• 150€ por mês, quando o valor da bolsa base anual é igual ou superior a sete vezes o Indexante dos Apoios Sociais.
Este complemento da ação social portuguesa não deve ser confundido com o complemento europeu de 250€ para participantes com menos oportunidades. São apoios diferentes, com enquadramentos e condições próprias.
O Regulamento de Atribuição de Bolsas de Estudo a Estudantes do Ensino Superior foi novamente alterado pelo Despacho n.º 7994/2026, de 25 de junho. Esta alteração incidiu nos prazos das candidaturas às bolsas de estudo e não modificou diretamente a duração das mobilidades Erasmus+ nem os complementos europeus.
Apoio à viagem
Pode existir um apoio para a viagem calculado em função da distância. O enquadramento do programa também prevê condições associadas à utilização de meios de transporte com menores emissões.
Apoio para despesas adicionais
Os participantes que necessitem de apoio adicional para tornar a mobilidade possível podem ter acesso a financiamento baseado em custos reais. As despesas elegíveis podem incluir alojamento adaptado, assistência durante a viagem, acompanhamento, assistência médica ou adaptação de material académico. A atribuição depende da análise e aprovação da candidatura.
É necessário pagar propinas durante o Erasmus?
Durante a mobilidade, a instituição de acolhimento não pode cobrar propinas, taxas de inscrição ou de exames, nem taxas pelo acesso a laboratórios e bibliotecas. Contudo, podem existir pequenos encargos, como seguros ou quotas de associações de estudantes. Antes de partires, deves confirmar que pagamentos continuam a em curso na instituição de origem.
Como encontrar alojamento para Erasmus?
A procura deve começar nos canais oficiais da instituição de destino. Muitas universidades e institutos politécnicos disponibilizam residências, serviços de apoio ao alojamento, contactos de entidades parceiras ou listas de opções destinadas a estudantes.
O gabinete de mobilidade da instituição portuguesa e as associações de estudantes também podem ajudar. Se recorreres a plataformas comerciais, confirma:
•a identidade do senhorio ou da entidade responsável;
•a morada exata;
•a distância até à instituição;
•o valor da renda;
•o montante da caução;
•as despesas incluídas;
•a duração mínima do contrato;
•as condições de cancelamento;
•a existência de contrato escrito;
•a emissão de comprovativo de pagamento.
Evita transferir dinheiro sem confirmar a autenticidade do anúncio, a identidade de quem recebe o pagamento e as condições do alojamento. Desconfia de preços muito abaixo do mercado, pedidos de pagamento urgente impossibilidade de visitar o espaço antecipadamente.
Como preparar a candidatura ao Erasmus?
Os procedimentos variam entre instituições, mas o processo começa normalmente no gabinete de relações internacionais ou de mobilidade. Antes de apresentares a candidatura:
1.consulta os destinos disponíveis para o seu curso;
2.confirma os critérios de seleção;
3.verifica a compatibilidade das unidades curriculares;
4.compara o custo de vida das cidades;
5.estima o orçamento total;
6.confirma o valor da bolsa e dos complementos;
7.consulta os documentos exigidos;
8.prepara o contrato de estudos ou de estágio;
9.procura alojamento através de canais seguros;
10.organiza a viagem, o seguro e o fundo para imprevistos.
A instituição de origem acompanha a preparação da mobilidade, informa sobre o financiamento aplicável e assegura o reconhecimento académico de acordo com o plano aprovado.
Como poupar durante o Erasmus?
Um orçamento simples ajuda a evitar que o dinheiro previsto para vários meses seja gasto nas primeiras semanas. Antes de partires, não te esqueças de:
•comparar a renda com o custo dos transportes;
•confirmar se água, eletricidade, aquecimento e internet estão incluídos;
•procurar residências universitárias;
•pesquisar passes e descontos para estudantes;
•reservar a viagem com antecedência, quando possível;
•estabelecer um limite semanal para despesas variáveis;
•manter um fundo separado para emergências;
•registar os gastos numa aplicação ou folha de cálculo.
Durante o programa, divide o dinheiro disponível pelo número de semanas e acompanha regularmente o saldo. Se gastares em determinado período, ajusta o orçamento das semanas seguintes.
Se o orçamento ficar demasiado apertado, tenta optar por uma cidade acessível, reduzir duração da mobilidade ou optar por um programa curto ou misto se isso for compatível com as tuas ambições académicas.
O Erasmus faz diferença no percurso académico?
Estudar ou estagiar no estrangeiro permite contactar com outros métodos de ensino e de trabalho, praticar línguas, desenvolver competências interculturais e ganhar capacidade de adaptação. O Erasmus+ procura também promover a inclusão, a empregabilidade, a participação cívica e o desenvolvimento de competências digitais e ambientais.
Para que a experiência seja sustentável, a decisão deve começar com três perguntas:
•quanto custa viver no destino;
•que apoios estão efetivamente confirmados;
•quanto terá o estudante de financiar com recursos próprios.
Quanto mais cedo estas respostas forem encontradas, menor será o risco de dificuldades durante a mobilidade.
Perguntas frequentes sobre Erasmus
1. Quanto custa fazer Erasmus por mês?
Não existe um valor mensal único. O custo depende da cidade, do alojamento, da alimentação, dos transportes e dos hábitos do estudante. A estimativa deve ser feita com preços reais do destino.
2. Quanto se recebe de bolsa Erasmus?
O montante depende do país de destino, da duração, do tipo de mobilidade e dos apoios aplicáveis. O valor deve ser confirmado junto da instituição e constar do contrato financeiro.
3. A bolsa Erasmus paga o alojamento?
A bolsa não se destina exclusivamente ao alojamento. É uma contribuição para as despesas de viagem e subsistência e pode não cobrir a totalidade da renda e dos restantes custos.
4. Posso fazer Erasmus para estudar e para estagiar?
Sim. O programa prevê mobilidades para estudos e para estágios. Podem também existir modalidades que combinem as duas experiências, quando estejam previstas e sejam aprovadas pelas instituições envolvidas.
5. Quanto tempo pode durar o Erasmus?
Uma mobilidade de longa duração para estudos ou estágio pode decorrer entre dois e 12 meses. Nas mobilidades curtas, a componente física decorre entre cinco e 30 dias e deve, em regra, ser acompanhada por uma componente virtual.
6. Posso fazer Erasmus mais do que uma vez?
Sim. É possível realizar várias mobilidades, desde que seja respeitado o limite acumulado de 12 meses por ciclo de estudos. Nos cursos de ciclo único, como Medicina ou Arquitetura, esse limite pode chegar aos 24 meses.
7. É necessário pagar propinas no destino?
A universidade de acolhimento não pode cobrar propinas, taxas de inscrição ou de exames, nem pelo acesso a laboratórios e bibliotecas. Podem existir pequenos encargos, como seguros ou quotas de associações de estudantes.
8. Onde posso obter informação sobre a candidatura?
No gabinete de relações internacionais ou de mobilidade da tua universidade, onde te podes informar sobre destinos, vagas, critérios de seleção, documentos, prazos, valores da bolsa e pagamentos.
A informação deste artigo não constitui qualquer recomendação, nem dispensa a consulta necessária de entidades oficiais e legais.
