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Saber escolher um cartão de crédito é tão importante como utilizá-lo de forma responsável.
Além de funcionar como meio de pagamento, o cartão disponibiliza um plafond, ou limite de crédito, que pode ser usado para pagar compras, fazer reservas ou responder a despesas imprevistas. Como se trata de crédito renovável, os montantes reembolsados voltam a ficar disponíveis para utilização.
Há consumidores que o utilizam apenas como forma de pagamento pontual e outros que optam por concentrar todos os pagamentos mensais no cartão de crédito. O truque está em saber gerir pagamento da fatura do cartão.
Quando usado com as cautelas recomendadas e dentro dos prazos de reembolso (entre 20 a 50 dias, conforme contratos e entidade bancária) está inclusive isento daqueles juros. Além disso dá acesso a vantagens comerciais como o caso do cash advance (levantar dinheiro a crédito) e cashback, descontos, pontos ou seguros, Os benefícios variam consoante a instituição e o produto contratado
Venha daí conhecer a realidade dos cartões de crédito. Siga as boas práticas e conte com mais este apoio na gestão das finanças pessoais sem medos e em segurança.
Principais vantagens de ter um cartão de crédito
- Possibilidade de crédito sem juros - no pressuposto de que liquida todos os meses o total do saldo utilizado;
- Fazer pagamentos on-line;
- Meio de pagamento aceite em todo o mundo (VISA, MasterCard ou American Express);
- Adiantamento de dinheiro (cash advance) que permite levantar dinheiro utilizando o crédito disponível no cartão e que pode implicar uma comissão fixa, uma percentagem sobre o montante levantado (e juros). Deve ser reservado para situações excecionais:
- Possibilidade de optar pelo fracionamento dos pagamentos. Desde que sem pagar juros.
- Possibilidade de aceder ao cashback dos cartões. Ou seja, a possibilidade de reaver uma percentagem (definida pela instituição financeira) do valor dos pagamentos registados em lojas associadas;
- Pagamentos mais seguros por não envolver uso direito de dinheiro;
- Descontos em lojas e restaurantes;
- Utilidade numa situação de emergência;
- Possibilidade de fazer compras fracionadas, dependendo das condições do cartão de crédito;
- Parcerias que podem oferecer vantagens e descontos nas compras, como faz a CGD com o Programa Sempre em Caixa.
Seguros associados ao cartão de crédito
Os seguros mais comuns associados a um cartão de crédito são os de viagem e o seguro de assistência em viagem. Cada uma das opções com grande leque de coberturas à escolha conforme as suas necessidades. O seguro de viagem cobre acidentes pessoais em viagem e traduz-se num capital a receber em caso de morte, invalidez permanente. Aplica-se viagens de avião, de transportes públicos ou caso conduza um automóvel alugado. O seguro de assistência em viagem pode incluir despesas médicas, transporte ida e volta e estadia familiar, prolongamento de estadia, envio de medicamentos para o estrangeiro, transporte ou repatriamento de falecidos e pessoas seguras.
Além destas opções também pode tirar partido dos seguros de proteção contra gastos abusivos, proteção ao crédito ou mesmo de proteção às compras, com indemnização em caso de perda ou roubo de bens adquiridos com o cartão, ou ainda em caso de roubo de dinheiro após o levantamento em ATM. Deve confirmar cada possibilidade junto do seu Banco.
Leia também:
- Como evitar que o seu cartão seja clonado
- Como pagar as despesas fora do país: dicas e cuidados a ter
- Como conseguir um empréstimo no banco: os fatores que contam
O QUE A CAIXA PODE FAZER POR SI?
Nada como ponderar e avaliar antes de decidir avançar com a contratação de um cartão de crédito. Pode ser um aliado importante na gestão das suas finanças pessoais, desde que gerido conforme as suas possibilidades e perfil de uso. Cabe-lhe a si escolher a solução a que melhor se adapta.
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Compreenda as modalidades de pagamento
Em Portugal e conforme os contratos, os cartões de crédito oferecem diferentes modalidades de reembolso, nomeadamente:
- Pagamento integral (100%): Liquidar todo o saldo utilizado até à data-limite de pagamento. Esta opção não gera juros e é a forma mais económica de usar o cartão;
- Pagamento parcial ou mais flexivel: Pagar apenas uma percentagem mínima do saldo (geralmente entre 3% e 5%). O valor restante acumula juros que podem tornar o crédito muito dispendioso. Uma modalidade a usar apenas em situações excecionais;
- Período free-float: Alguns cartões oferecem entre 20 a 50 dias sem juros desde a data da compra até à data-limite de pagamento. Aproveite este período pagando sempre o saldo total.
O uso do cartão de crédito em Portugal
A utilização de cartões de crédito e de outras formas de crédito renovável mantém-se relevante em Portugal ao longo de 2026. De acordo com os dados do Banco de Portugal, "os cartões de crédito são uma das principais formas de crédito renovável. Em 2025, foram celebrados 910 mil novos contratos de crédito renovável, com um plafond de 1439 milhões de euros, 93% associados a cartões de crédito".
Em agosto de 2026, foram celebrados 77 756 novos contratos de crédito renovável (onde se incluem os cartões de crédito e outros produtos com limite de crédito reutilizável) num montante total de 125,7 milhões de euros.
Se falarmos exclusivamente de cartões de crédito, dados de maio de 202 mostram que ter um cartão de crédito não significa necessariamente acumular dívida. No final de 2025, existiam cerca de sete milhões de cartões de crédito, mas 48% não apresentavam qualquer montante utilizado e quase 20% não eram usados há mais de sete anos. Mais, "o limite máximo de crédito associado aos cartões, conhecido como plafond, tem vindo a aumentar mas a percentagem utilizada manteve-se estável, próxima de 30%".
Ou seja, o uso do cartão de crédito pode ser uma salvaguarda com que pode contar e - desde que bem gerido -, não preciso de significar endividamento imediato.
O que é o crédito renovável?
Trata-se de uma modalidade de crédito com limite máximo de utilização, também conhecido como plafond. O consumidor pode usar crédito de forma repetida, sempre até este limite. por exemplo, pagamento de bens e serviços; levantar numerário a crédito, através de uma operação de cash advance.
Como escolher o melhor cartão de crédito para si?
Avaliar o seu perfil de consumo para perceber se esta é uma boa solução para si é um passo essencial, mas não chega. Eis alguns critérios a ter em conta:
1. Escolher uma instituição de crédito credenciada:Confirme que está a lidar com uma instituição autorizada. Escolha uma das entidades de crédito devidamente registadas no Banco de Portugal e autorizadas a conceder financiamento. Proteja-se de esquemas fraudulentos e garanta que está protegido pela legislação nacional;
2. Ler Ficha de Informação Normalizada (FIN):Resume as principais características do contrato e os compromissos que irá assumir. A FIN deve ser lida com atenção e inclui informações cruciais como:
- O montante total do crédito disponível (plafond)
- A taxa de juro anual nominal (TAN)
- A taxa anual de encargos efetiva global (TAEG)
- As modalidades de reembolso disponíveis
- As comissões e encargos associados
- O período de crédito sem juros (se aplicável) com que pode contar no cálculo de possíveis despesas
3. Compare várias propostas
Evite resignar-se com a primeira proposta. Tenha em conta diversas opções de cartões de crédito com características distintas. Compare a TAEG de diferentes instituições e esteja atento às limitações impostas pelo Banco de Portugal.
4. Avalie a sua taxa de esforço: Este indicador mostra que percentagem do seu rendimento mensal está comprometida com dívidas. A taxa de esforço não deve (idealmente) ultrapassar os 30% do rendimento líquido mensal. Este cálculo evita situações de sobre-endividamento e ajuda a cumprir os compromissos assumidos. Evite cair na Lista Negra do Banco de Portugal. Se este Mapa de Responsabilidades tiver registos de incumprimento, ser-lhe-á negada a emissão de cartão ou de qualquer crédito.
Como evitar dívidas e controlar despesas com cartão de crédito
1. Conhecer os Custos Associados
A TAEG dos cartões de crédito está limitada pelas taxas máximas fixadas trimestralmente pelo Banco de Portugal, mas esteja sempre atento à possibilidade dos seguintes encargos:
- Comissão de disponibilização (anuidade);
- Comissões por levantamentos em caixas automáticos;
- Comissões por utilização no estrangeiro;
- Custos de seguros associados ao cartão;
- Custos de reembolso antecipado caso pretenda liquidar a divida acumulada
2. Controlar as Despesas
- Um cartão de crédito pode ser uma das formas mais onerosas de financiamento. Existem alternativas com taxas de juro mais reduzidas, como conseguir um empréstimo bancário;
- Reveja os extratos mensalmente: Verifique cuidadosamente todas as transações para detetar erros ou despesas não autorizadas;
- Estabeleça um orçamento: Use o cartão apenas para despesas que consegue pagar no final do mês;
- Evite usar o limite máximo: Manter o saldo utilizado abaixo de 30% do plafond demonstra gestão financeira responsável;
- Tenha atenção ao cash advance: Levantamentos de dinheiro a crédito têm custos adicionais elevados. Utilize esta funcionalidade apenas em emergências;
- Tire proveito do período de isenção de juros e garanta o reembolso sem custos;
- Evite cair num ciclo de endividamento rotativo em que fica sempre dependente da capacidade de crédito do cartão.
Que tipos de cartão de pagamento existem
Os sistemas de pagamento determinam as características e funcionalidades de cada cartão de débito ou de crédito. Por exemplo, para efetuar operações a débito, são usuais as plataforma Multibanco, Visa Electron. As operações a crédito usam um sistema Visa, MasterCard ou American Express. Os cartões de pagamento que incorporam simultaneamente funções de crédito e de débito denominam-se cartões duais ou mistos.
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Cartão de crédito:cuidados para usar com segurança
1. Proteger os Dados do CartãoA segurança dos dados do cartão é fundamental para evitar fraudes. E por isso é fundamental seguir um conjunto de boas práticas e as recomendações do seu Banco. Destacamos algumas essenciais:
- Nunca partilhe número do cartão, a data de validade, o código CVV (os três dígitos no verso) e o PIN. São informações pessoais e intransmissíveis. Nenhum banco ou instituição legítima pedirá estes dados por telefone, email ou mensagem;
- Assine o cartão: Após receber o novo cartão, assine-o no verso. Esta é uma das principais formas de identificar o titular legítimo e dificulta a utilização fraudulenta;
- Memorize o PIN e destrua o envelope: Após memorizar o código pessoal, destrua o papel onde estava registado. Nunca anote o PIN junto ao cartão ou no telemóvel;
- Cuidado com o código CVV que serve exclusivamente para validar compras online. Nunca o partilhe com terceiros nem o fotografe. Use-o apenas em plataformas seguras e confiáveis.
2. Previna esquemas de fraude
Em ambiente de compras ou não, as abordagens são múltiplas e cada vez mais sofisticadas. Tenha cuidado com as compras online e mantenha-se atento a esquemas que atentam à segurança das suas operações online ou em ambiente físico. Por exemplo:
- Phishing:Mensagens falsas que imitam bancos ou lojas conhecidas e tentam obter os seus dados. Nunca clique em links suspeitos nem forneça informações através de emails não solicitados;
- Spoofing:Criminosos fazem chamadas telefónicas exibindo números verdadeiros de instituições financeiras. Desconfie sempre de contactos não solicitados que peçam dados do cartão, mesmo que o número pareça oficial;
- Usurpação de identidade: Golpistas que se fazem passar por funcionários de bancos e solicitam dados sensíveis. Nenhuma instituição legítima pede códigos de segurança, senhas ou PIN por telefone.
- Clonagem de cartões:Dispositivos instalados em caixas automáticos ou terminais de pagamento copiam os dados do cartão. Verifique sempre se o equipamento apresenta sinais de adulteração antes de utilizar e nunca perca o seu cartão de vista.
3. Compras online em segurança
As compras pela internet exigem cuidados específicos e por isso nada como os ter sempre presente:
- Compre apenas em sites de confiança: Verifique se o endereço web começa com https:// (o s indica segurança) e apresenta um cadeado na barra de navegação;
- Nunca guarde dados do cartão em lojas online: Guardar as informações do cartão aumenta o risco em caso de violação de segurança do site;
- Use redes seguras: Nunca realize transações financeiras através de redes Wi-Fi públicas. São mais vulneráveis a ataque;
- Considere cartões virtuais: Muitos bancos oferecem cartões de crédito virtuais temporários para transações específicas e menor risco de fraude;
- Ativar Alertas e Notificações: Configure alertas na app do seu banco para receber notificações imediatas em cada transação. Assim permite identificar rapidamente movimentos suspeitos e agir de imediato em caso de utilização não autorizada.
Posso ou não ter cartão de crédito?
Ter um cartão de crédito pode ser útil para fazer compras, reservar viagens, responder a uma despesa imprevista ou beneficiar de vantagens previstas no contrato, como seguros, descontos ou cashback.
Mas só deverá contratá-lo se conseguir controlar os gastos e pagar, de preferência, 100% do saldo utilizado até à data-limite. Nesta modalidade, não são cobrados juros, embora possam existir anuidades ou outras comissões.
Se optar pelo pagamento parcial, o valor em dívida transita para o mês seguinte e fica sujeito a juros, prolongando o reembolso e aumentando o custo total. Antes de decidir, consulte a Ficha de Informação Normalizada (FIN), compare a TAEG, a anuidade, as comissões e as modalidades de pagamento e escolha um plafond ajustado ao seu orçamento.
A TAEG permite comparar o custo total do crédito e está sujeita aos limites máximos definidos trimestralmente pelo Banco de Portugal. Em resumo, pode valer a pena ter cartão de crédito se o utilizar como meio de pagamento e não como complemento habitual do rendimento.
Glossário:
- Cartão de crédito: cartão de pagamento com um limite de crédito (denominado de plafond) previamente estabelecido entre o emissor do cartão e o seu titular. Pode ser reembolsado na totalidade ou de forma parcial, onde se cobram juros sobre o montante utilizado e não pago até à data acordada para pagamento.
- Cash-advance: adiantamento de dinheiro. O titular de um cartão de crédito pode levantar dinheiro aos balcões das instituições de crédito ou em caixas Multibanco, conforme o plafond contratado.
- Ficha de Informação Normalizada: documento que as instituições de crédito têm de disponibilizar aos clientes antes da contratação de um crédito e que, numa linguagem clara e transparente, descreve as principais caraterísticas desse crédito.
- Plafond: limite de crédito que pode ser utilizado no âmbito de um cartão de crédito, por exemplo.
- Prestação: valor a pagar com uma determinada periodicidade.
- Reembolso: devolução, por parte do devedor ao credor, do dinheiro emprestado, acrescido de juros e outros encargos.
- Risco de incumprimento: possibilidade do devedor não ter capacidade financeira para pagar a dívida ao credor no prazo acordado entre ambos.
- TAEG: a Taxa Anual de Encargos Efetiva Global mede o custo total de um crédito e é expressa em percentagem anual sobre o montante do crédito concedido.
- Taxa de juro: no caso do crédito, é o custo do dinheiro que se pediu emprestado.
Cartão de crédito: perguntas frequentes
1. Como usar um cartão de crédito sem pagar juros?
Para evitar juros nas compras com cartão de crédito, escolha a modalidade de pagamento a 100% e liquide o saldo até à data-limite. Tenha em atenção que podem existir outros encargos, como anuidades, comissões ou custos associados a levantamentos de dinheiro.
2. O que acontece se pagar apenas o valor mínimo do cartão de crédito?
Ao pagar apenas o valor mínimo, a dívida restante continua sujeita a juros. Quanto menor for o montante reembolsado mensalmente, mais tempo poderá demorar a liquidar a dívida e maior poderá ser o custo total do crédito.
3. Ter um cartão de crédito significa estar endividado?
Não necessariamente. Ter um cartão de crédito significa dispor de um limite de financiamento. Só existe dívida quando utiliza esse crédito. Se pagar integralmente o saldo dentro do prazo previsto, pode evitar juros sobre o pagamento das compras.
4. É possível ter um cartão de crédito sem conta bancária?
Sim. Algumas instituições permitem contratar cartões de crédito sem abrir uma conta bancária na entidade emitente. No entanto, é necessário assegurar o reembolso dos montantes utilizados, através dos meios de pagamento díponíveis
5. Ter um cartão de crédito pode dificultar a aprovação de um empréstimo?
Não. Os bancos avaliam as responsabilidades de crédito, incluindo os cartões de crédito, antes de concederem novos empréstimos, mas ter um cartão não implica a recusa automática do financiamento. A decisão depende da situação financeira do cliente e da avaliação de risco.
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A informação deste artigo não constitui qualquer recomendação, nem dispensa a consulta necessária de entidades oficiais e legais.
