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A forma como nos alimentamos tem impacto direto não só na nossa saúde, mas também no planeta. A alimentação sustentável surge como uma resposta a este desafio, garantir alimentos nutritivos para todos, sem comprometer os recursos naturais do futuro.
Descubra o que significa comer de forma mais consciente, quais as vantagens e alternativas disponíveis, e como mudar de hábitos sem complicações.
O que é a alimentação sustentável?
Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS) e a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), uma alimentação sustentável respeita o ambiente, é acessível e nutritiva, assim como promove a saúde, tanto das pessoas como dos ecossistemas.
Ou seja, não se trata apenas de comer melhor, mas de fazer escolhas que ajudem a:
- Reduzir o impacte ambiental e poupar na água e na luz (e evitar as emissões de gases com efeito de estufa);
- Proteger a biodiversidade e os recursos naturais;
- Garantir a segurança alimentar das gerações futuras;
- Ser economicamente viável, acessível a todos;
- Promover a saúde e o bem-estar.
Tome Nota:
A produção de carne e laticínios consome mais água, solo e recursos naturais do que a produção de cereais, legumes ou frutas. Sobretudo se forem seguidas as regras de uma agricultura sustentável.
Porque é importante repensar a forma como comemos?
Comer é um ato básico, mas tem consequências globais. A produção e o consumo de alimentos estão entre os principais responsáveis pelas alterações climáticas, desflorestação, poluição da água e perda de biodiversidade.
Segundo a OMS, os sistemas alimentares atuais são insustentáveis e o seu impacto é visível:
- Cerca de 30% das emissões de gases com efeito de estufa têm origem na produção alimentar;
- Um terço dos alimentos produzidos no mundo é desperdiçado;
- Globalmente, mais de 3 mil milhões de pessoas não têm acesso a uma alimentação saudável.
Mudar a forma como nos alimentamos é essencial para proteger a saúde humana e a saúde do planeta.
Alimentação sustentável e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável
A Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas (ONU) define 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), metas universais que abrangem áreas como erradicação da pobreza, saúde, educação, igualdade de género, ambiente e consumo responsável. A alimentação sustentável associa-se a estes objetivos globais:
- ODS 2– Erradicar a Fome: promover o acesso universal a alimentos nutritivos e suficientes;
- ODS 3 – Saúde de Qualidade: melhorar a nutrição e prevenir doenças associadas à má alimentação;
- ODS 12 – Produção e Consumo Sustentáveis: reduzir o desperdício alimentar e tornar os sistemas de produção mais responsáveis;
- ODS 13 – Ação Climática: diminuir o impacto ambiental da produção alimentar;
- ODS 14 e 15 – Proteger a Vida Marinha e Terrestre: evitar práticas agrícolas e alimentares que prejudicam os ecossistemas.
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Tendências que estão a mudar o nosso prato
A alimentação sustentável está a tornar-se uma prioridade para muitas pessoas e organizações, refletindo uma crescente preocupação com saúde, ambiente e justiça social. Várias tendências evidenciam como estamos a transformar o que colocamos no prato.
O que é o flexitarianismo?
Esta abordagem permite uma transição mais acessível para padrões alimentares sustentáveis e é apontada como benéfica tanto para a saúde como para o planeta. Não sendo uma dieta exclusivamente vegetariana ou vegana, reduz intencionalmente o consumo de carne e produtos de origem animal com efeitos mais controlados na pegada ecológica.
E a dieta mediterrânica?
Rica em vegetais, azeite, peixe, cereais integrais e leguminosas, é considerada um modelo de dieta saudável e sustentável, com forte base cultural e científica.
Opções com proteínas vegetais e alternativas à carne
Substitutos de carne à base de soja, ervilha, grão-de-bico ou cogumelos estão a ganhar popularidade. Estas opções respondem à procura por fontes proteicas mais sustentáveis e com menor impacto ambiental.
Tome Nota:
Adotar uma alimentação sustentável pode ser vantajoso para a carteira. Planear refeições, evitar o desperdício e dar preferência a alimentos da época e de produção local permite reduzir gastos mensais e apoiar a economia local.
Agricultura regenerativa
Vai além da sustentabilidade tradicional. Promove práticas que restauram os solos, aumentam a biodiversidade e capturam carbono. Muitos produtores e marcas estão a adotar este modelo como resposta às alterações climáticas.
Rótulos e certificações conscientes
Os consumidores estão mais atentos à origem e ao impacto dos alimentos que consomem. Certificações como biológico, comércio justo (fair trade), produção integrada ou carbono neutro ganham peso nas decisões de compra.
Inovação verde na cadeia alimentar
A tecnologia está a desempenhar um papel crucial na sustentabilidade alimentar, através de soluções como embalagens biodegradáveis, irrigação inteligente, agricultura vertical e redução do desperdício alimentar.
O que dizem os especialistas?
De acordo com a Associação Portuguesa de Nutrição (APN), uma alimentação sustentável deve garantir a saúde individual e coletiva. Respeita simultaneamente os recursos naturais, os ecossistemas e os direitos humanos. A Direção-Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV) reforça que é possível adotar uma alimentação saudável e equilibrada, baseada em produtos de origem vegetal, sem comprometer sabor, qualidade ou valor nutricional. A Organização Mundial da Saúde (OMS) defende que as políticas alimentares devem promover dietas sustentáveis como estratégia para melhorar a saúde pública, reduzir doenças crónicas e combater as alterações climáticas. Organizações como a OMS e a FAO sublinham ser urgente a transição para sistemas alimentares sustentáveis e políticas públicas com vista à agricultura ecológica e regenerativa; à educação alimentar desde os primeiros anos de escolaridade e ao acesso a alimentos saudáveis e nutritivos.
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Por onde começar e quais as vantagens?
Adotar uma alimentação sustentável não exige mudanças radicais, basta fazer escolhas mais conscientes no dia a dia. Estas alternativas, além de ajudar o ambiente, trazem benefícios para a saúde e para a carteira.
Coma mais alimentos de origem vegetal
Frutas, legumes, leguminosas (como grão, feijão ou lentilhas), frutos secos e cereais integrais têm menor impacto ambiental do que alimentos de origem animal. Mais, dietas ricas em vegetais associam-se a menor risco de doenças como obesidade, diabetes tipo 2 e problemas cardiovasculares.
Reduza o consumo de carne
Reduzir o consumo de carne (especialmente de vaca e porco) contribui para a diminuição da pegada ecológica e das emissões de gases com efeito de estufa.
Aposte em alimentos locais e sazonais
Comprar produtos da região e da época reduz a necessidade de transporte e de estufas intensivas. Um contributo para o controlo da poluição. Além disso, os produtos sazonais costumam ser mais acessíveis e frescos o que se traduz em melhor sabor e valor nutricional.
Escolha produtos de origem responsável
Se consome carne, peixe, ovos ou laticínios, privilegie opções com certificação de bem-estar animal ou pesca sustentável. Isto contribui para práticas mais éticas e respeitadoras do ambiente.
Evite o desperdício alimentar
Planear refeições, aproveitar sobras e conservar bem os alimentos são práticas simples que ajudam a reduzir o desperdício. Isto significa menos comida no lixo e mais dinheiro poupado no final do mês.
Tome Nota:
Começar por pequenas mudanças é o segredo para uma alimentação mais sustentável. Por exemplo, incluir mais legumes no prato, usar marmitas reutilizáveis, congelar sobras ou preferir alimentos a granel são hábitos simples com grande impacto.
Escolha produtos com menos embalagens
Optar por alimentos a granel ou embalagens recicláveis reduz a produção de resíduos e o uso de plásticos descartáveis. Este tipo de consumo mais consciente incentiva práticas sustentáveis na produção e promove modelos de economia circular (além da alimentação, como é o caso da Moda.
Os desafios da alimentação sustentável
Mudar hábitos alimentares exige tempo, informação e acesso. Há obstáculos reais ste caminho, como por exemplo:
- Preço mais elevado de alguns produtos sustentáveis (os de produção biológica ou local)
- Desigualdades no acesso a alimentos saudáveis, especialmente em zonas rurais ou economicamente desfavorecidas;
- Falta de informação clara ou confusão entre termos (como biológico, orgânico, vegetariano, local ou saudável)
- Falta de tempo ou disponibilidade para cozinhar, o que dificulta a preparação de refeições equilibrada;
- Hábitos alimentares enraizados e resistência à mudança, muitas vezes influenciados pela tradição, publicidade ou rotina.
Apesar destes desafios, pequenas mudanças fazem diferença. Não é necessário transformar tudo de uma vez. Cada escolha conta no caminho para uma alimentação mais sustentável.
Tome Nota:
Ao fazer compras, verifique os rótulos e a origem dos produtos. Alimentos com certificações como o modo de produção biológico ou comércio justo garantem práticas mais responsáveis ao longo da cadeia alimentar.
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A informação deste artigo não constitui qualquer recomendação, nem dispensa a consulta necessária de entidades oficiais e legais.
