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Com o verão à porta e temperaturas acima do normal previstas para Portugal, saber como lidar com o calor extremo tornou-se essencial.
As ondas de calor podem causar desidratação, exaustão térmica e golpe de calor, sobretudo em crianças, idosos, grávidas, doentes crónicos e pessoas que trabalham ao ar livre.
Em junho de 2026, o desenvolvimento do fenómeno El Niño reforça a necessidade de prevenção, já que pode aumentar o risco de extremos climáticos a nível global.
Preparar a casa, hidratar-se e evitar a exposição solar nas horas críticas são cuidados simples que ajudam a proteger a saúde.
Dicas práticas para se proteger em casa
1. Manter a casa fresca sem ar condicionado
- Feche janelas e persianas durante o dia para bloquear o calor.
- Abra as janelas à noite para criar correntes de ar e refrescar a casa.
- Use ventoinhas estrategicamente: coloque uma taça com gelo à frente para um efeito de ar frio.
- Desligue aparelhos eletrónicos que geram calor desnecessário.
2. Hidrate-se e alimente-se bem
- Beba água regularmente, mesmo sem sede.
- Evite bebidas alcoólicas e com cafeína.
- Prefira refeições leves e frescas, como saladas e frutas ricas em água (por exemplo, melancia, pepino, laranja).
3. Crie um espaço refrescante
- Use o truque dos lençóis húmidos nas janelas pode arrefecer o ar que entra.
- Coloque plantas em vasos perto das janelas. Ajudam a reduzir a temperatura ambiente.
- Se possível, passe parte do dia em espaços públicos climatizados, como bibliotecas ou centros comerciais.
4. Use tecidos refrescantes na roupa de cama
- Troque os lençóis por tecidos leves como algodão ou linho, que respiram melhor e retêm menos calor;
- Evite cobertores ou edredões, mesmo finos. Opte por lençóis frescos e até (um pouco) húmidos se necessário.
5. Crie um refúgio fresco em casa
- Escolha a divisão mais fresca da casa (normalmente virada a norte) e passe lá as horas mais quentes;
- Coloque ventoinhas cruzadas para criar circulação de ar;
- Se tiver crianças ou idosos em casa, este espaço pode ser essencial para evitar o sobreaquecimento.
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6. Improvise soluções: bolsa fria caseira
- Encha uma meia com arroz cru, feche bem e coloque no congelador.
- Use-a como almofada fria para o pescoço ou pulsos. Mantém-se fresca durante bastante tempo.
7. Adapte a rotina diária
- Trate das tarefas domésticas (como passar a ferro ou cozinhar) fora das horas de maior calor;
- Evite usar o forno. Prefira refeições frias ou feitas no micro-ondas;
- Se possível, trabalhe em horários flexíveis para evitar deslocações nas horas mais quentes.
8. Cuide dos animais de estimação
- Mantenha-os em locais frescos e com água sempre disponível.
- Evite passeios entre as 11 e as 19 horas. O chão pode queimar as patas.
- Pode colocar cubos de gelo na água ou oferecer snacks gelados próprios para animais.
9. Use aplicações e alertas oficiais
- Instale apps como a Proteção Civil ou SNS 24 para receber alertas de calor extremo.
- Consulte o IPMA para previsões e avisos meteorológicos atualizados.
E na rua: como proteger-se do calor sem gastar muito?
1. Evite exposição nas horas de maior calor
- Planeie saídas para antes das 11 horas ou para depois das 19 horas
- Use chapéus de abas largas, óculos de sol e roupas leves de algodão.
- Leve sempre uma garrafa de água reutilizável.
2. Refresque-se com recursos simples
- Molhe os pulsos, pescoço e rosto com água fresca.
- Procure zonas de sombra natural, como parques com árvores.
- Utilize fontes públicas para refrescar-se (evite desperdiçar água).
3. Cuidados especiais com grupos vulneráveis
- Idosos e crianças devem ser monitorizados frequentemente.
- Mantenha contacto regular com vizinhos ou familiares que vivam sozinhos.
- Tenha sempre à mão os números de emergência e siga as orientações da DGS e Proteção Civil
Pequenas ações com grande proteção
Adaptar-se ao calor extremo não precisa de ser caro. Com medidas simples, práticas e económicas, é possível manter-se seguro e confortável mesmo nos dias mais quentes. Partilhe estas dicas com amigos e familiares. Juntos, podemos enfrentar o calor com mais segurança e tranquilidade.
Excesso de calor: como se chegou até aqui?
O calor extremo é cada vez menos excecional. Em Portugal, as ondas de calor têm-se tornado mais frequentes, intensas e prolongadas, sobretudo nas últimas décadas, acompanhando a tendência de aquecimento observada na Europa e no resto do mundo.
Segundo o Instituto Português do Mar e da Atmosfera, nos últimos 30 anos têm sido observados mais episódios extremos de ondas de calor no verão em Portugal Continental. As regiões do interior Norte e Centro e o Alentejo estão entre as mais afetadas, com episódios particularmente severos registados depois de 1990 e, no Sul, sobretudo depois de 2000.
A evolução recente confirma esta tendência. Em maio de 2026, Portugal Continental viveu uma onda de calor iniciada a 20 de maio, que se prolongou até ao início de junho em várias regiões.
Durante este episódio foram registados 25 novos máximos de temperatura máxima do ar para maio, mas esta realidade não acontece isoladamente.
O relatório europeu do clima de 2025, elaborado pelo Serviço de Alterações Climáticas Copernicus e pela Organização Meteorológica Mundial, confirma que a Europa é o continente que aquece mais depressa. Em 2025, quase todo o continente registou temperaturas anuais acima da média e a Europa enfrentou a sua segunda onda de calor mais severa de sempre.
E o que podemos esperar este verão?
Há ainda outro fator a acompanhar em 2026, o El Niño. A Organização Meteorológica Mundial confirmou, em junho, que as condições de El Niño estavam a desenvolver-se no Pacífico tropical, com uma probabilidade estimada de 80% entre junho e agosto de 2026. Este fenómeno natural pode influenciar padrões de temperatura e precipitação à escala global e aumentar o risco de extremos, incluindo calor intenso.
O impacto direto em Portugal pode variar, mas o contexto reforça a importância da prevenção.
Por isso, falar de calor já não é apenas falar de desconforto. É falar de saúde, segurança, consumo de energia, risco de incêndio e proteção das pessoas mais vulneráveis. Preparar a casa, adaptar rotinas, evitar a exposição solar nas horas críticas e acompanhar os avisos oficiais são medidas cada vez mais importantes para enfrentar os dias com temperaturas elevadas.
Quais as causas científicas?
A principal causa é o aumento dos gases com efeito de estufa na atmosfera oriundo de atividades humanas como a queima de combustíveis fósseis, a desflorestação e a pecuária. Estes gases retêm mais calor e perturbam o equilíbrio natural do clima.
Ao mesmo tempo, as temperaturas mais altas aumentam a evaporação, reduzem a humidade do solo e agravam situações de seca. Quando a precipitação diminui ou se torna mais irregular, o território fica mais vulnerável a ondas de calor, stress hídrico e incêndios.
Também contam os padrões atmosféricos. Períodos prolongados de altas pressões podem bloquear a circulação do ar e favorecer a acumulação de calor durante vários dias. Em resumo, o calor extremo resulta da combinação entre aquecimento global, emissões de gases com efeito de estufa, solos mais secos, menor disponibilidade de água e padrões meteorológicos mais persistentes.
Portugal tem um clima fortemente influenciado pela sua localização no sul da Europa e pela proximidade à bacia do Mediterrâneo, uma das regiões mais vulneráveis às alterações climáticas. Os verões são naturalmente quentes e secos em grande parte do território, mas o que está a mudar é a frequência, a duração e a intensidade dos episódios de calor extremo.
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A informação deste artigo não constitui qualquer recomendação, nem dispensa a consulta necessária de entidades oficiais e legais.
