Tempo estimado de leitura: 3 minutos
Já ouviu falar em cashback? Traduzido à letra significa dinheiro de volta e é uma funcionalidade cada vez mais popular, associada não só aos cartões de crédito, mas também a outras formas de pagamento. A ideia é simples. Sempre que faz uma compra, recebe uma percentagem do valor gasto diretamente na sua conta ou como saldo disponível para novas compras.
Mas será que compensa ter um cartão com cashback? O benefício depende das condições de utilização, dos limites de reembolso e dos eventuais custos associados. Saiba como funciona o cashback, quanto pode recuperar e que contas deve fazer para perceber se vale realmente a pena.
O que é o cashback?
Um cartão com a funcionalidade de cashback permite-lhe receber uma percentagem (definida pela instituição financeira emissora do cartão, 1% a 3%, normalmente), do valor dos pagamentos registados no mês anterior, nomeadamente em lojas associadas. A devolução deste montante pode ser feita para a conta associada ao cartão ou de outro modo, consoante as respetivas condições de utilização.
É um benefício que permite recuperar parte do dinheiro gasto em determinadas compras. O valor devolvido depende das condições definidas pela entidade que disponibiliza esta vantagem. Embora esteja frequentemente associado aos cartões de crédito, também pode existir em cartões de pagamento de débito, aplicações de compras, plataformas digitais e programas de fidelização.
Ao contrário dos descontos tradicionais (reduzem o preço no momento da compra), o cashback é geralmente atribuído depois do pagamento.Isto, embora nem todos os programas devolvem dinheiro diretamente. Alguns disponibilizam saldo para novas compras ou outros benefícios, sujeitos a condições específicas.
Como funciona o cashback nas compras?
O funcionamento é simples. Ao utilizar um cartão ou aderir a um programa com cashback, pode receber uma percentagem do valor das compras abrangidas. Imagine que faz uma compra de 100€ e que o programa oferece 2% de cashback. Receberia 2 € de volta, desde que a operação cumpra todas as condições estabelecidas. A percentagem de reembolso varia consoante o cartão, o comerciante, a campanha ou a categoria de despesa.
O benefício pode ser atribuído de diferentes formas:
- Crédito na conta bancária: o valor é transferido para uma conta associada;
- Desconto no extrato: o cashback é abatido ao montante a pagar pelo cartão.;
- Saldo para compras futuras: o valor fica disponível para utilizar em estabelecimentos ou plataformas aderentes.
- Outros benefícios: determinados programas atribuem créditos ou recompensas de acordo com as suas regras.
Todas as compras contam para receber cashback?
Não necessariamente. Alguns programas atribuem cashback apenas em determinadas categorias, como supermercados, combustíveis, restauração ou viagens. Outros exigem um valor mínimo de compras ou estabelecem um limite máximo de reembolso.
Antes de aderir, confirme quais as despesas elegíveis e se correspondem aos seus hábitos de consumo.
Quais as vantagens do cashback?
A principal vantagem do cashback é permitir recuperar parte do dinheiro gasto em compras que já tencionava fazer. Dependendo das condições do programa, pode ainda beneficiar de:
- Redução do custo das compras se receber parte do valor pago, diminuindo a despesa efetiva;
- Acumulação de benefícios, se determinadas campanhas permitirem juntar cashback a descontos ou outras vantagens;
- Flexibilidade na utilização quando os programas devolvem dinheiro para utilizar livremente;
Benefícios em despesas habituais se puder recuperar dinheiro em compras recorrentes.
Estas vantagens só representam uma poupança efetiva quando os benefícios superam os custos adicionais necessários para os obter.
O QUE A CAIXA PODE FAZER POR SI?
Usar o seu cartão de pagamento, nomeadamente o cartão de crédito implica cuidados de segurança, mas também cuidados no seu uso. Lembre-se que o deve manter sempre dentro dos limites das suas possibilidades financeiras. Para isso, deve encontrar uma solução à medida das suas necessidades e perfil.
Leia Mais Aqui
Leia também:
- Cartões de pagamento: quais os seguros e coberturas?
- Sabe como fazer compras online em segurança?
- Impacte da inflação: no consumo e nas poupanças
Como calcular a poupança real com cashback?
Receber cashback não significa necessariamente poupar dinheiro. Para perceber se compensa, deve calcular o valor recebido e descontar os custos adicionais associados. veja o exemplo nas linhas abaixo.
Benefício líquido do cashback = cashback recebido − custos adicionais necessários para obter o benefício
Quanto pode poupar num ano: um exemplo
Imagine que utiliza um cartão de crédito com as seguintes condições:
- Cashback de 1% nas compras elegíveis;
- Despesas mensais elegíveis de 500 euros;
- Anuidade do cartão de 30 euros;
- Pagamento integral do saldo, sem juros;
- Ausência de comissões ou limites de reembolso aplicáveis.
Neste cenário, os resultados seriam os seguintes:
| Operações | Valor anual |
|---|---|
| Compras elegíveis | 6 000 € |
| Cashback recebido (1%) | 60 € |
| Anuidade do cartão | 30 € |
| Benefício líquido anual | 30 € |
Tome Nota:
As vantagens do Cashback também dependem do seu perfil de consumidor. Regra geral, os reembolsos em cashback estão associados a determinada tipologia de compras ou estabelecimentos. Por exemplo, combustível, restauração; viagens; alojamento; entre outros. Já se tiver de se tiver de fazer face aos custos e comissões a pagar pelo cartão pode deixar de compensar.
E se existir um limite máximo de cashback?
Imagine agora que o mesmo cartão devolve 1% das compras, mas estabelece um limite de três euros de cashback por mês.
Mesmo que faça compras elegíveis de 500 € mensais, receberá apenas 3€ , em vez dos 5€ correspondentes à percentagem anunciada. Ao fim de um ano, acumulará 36€ de cashback. Descontando uma anuidade de 30€, o benefício líquido será de apenas 6€. Ou seja, este exemplo mostra por que razão a percentagem de cashback, isoladamente, não permite avaliar se uma oferta compensa.
Tome Nota:
Para não pagar juros quando utiliza o seu cartão de crédito, opte pelo pagamento integral (a 100%) do valor da dívida, dentro do prazo de pagamento.
Quando é que o cashback não compensa?
O cashback pode deixar de ser vantajoso quando os custos superam os benefícios ou quando incentiva despesas desnecessárias. Existem cinco situações a que deve prestar especial atenção.
1. Quando a anuidade supera o cashback recebido: se pagar mais pela utilização do cartão do que recebe em cashback, não estará a obter uma vantagem financeira com essa funcionalidade;
2. Quando paga juros do cartão de crédito: se utilizar um cartão de crédito e não liquidar integralmente o saldo dentro do prazo aplicável, os juros podem ultrapassar o cashback recebido. Segundo o Banco de Portugal, o pagamento parcial do cartão de crédito implica o pagamento de juros sobre o montante utilizado que permanece em dívida. Para evitar estes encargos nas compras abrangidas pelo período de crédito sem juros, privilegie o pagamento integral do saldo dentro do prazo previsto;
3. Quando as suas compras não são elegíveis: um cartão pode anunciar uma percentagem de cashback atrativa, mas aplicá-la apenas a determinadas lojas ou categorias de despesa. Se raramente comprar nesses estabelecimentos, o benefício será reduzido.
4. Quando existem limites de reembolso: alguns programas estabelecem um valor máximo de cashback mensal ou anual. Mesmo que aumente as compras elegíveis, poderá não receber mais dinheiro depois de atingir esse limite.
5. Quando leva a gastar mais: comprar produtos desnecessários apenas para receber cashback compromete a poupança. Por exemplo, gastar 100 € numa compra de que não precisa para recuperar dois euros significa ter uma despesa desnecessária de 98 €.
A regra é simples. O cashback deve recompensar compras que já precisava de fazer, não incentivar novas despesas.
O que verificar antes de escolher um cartão com cashback?
Antes de contratar um cartão ou aderir a um programa, compare as condições e confirme se correspondem aos seus hábitos de consumo. Faça check à seguinte lista:- Percentagem de cashback: quanto recebe por cada compra elegível?
- Compras abrangidas: todas as despesas contam para o reembolso?
- Limite máximo: existe um teto mensal ou anual?
- Valor mínimo: é necessário gastar determinado montante?
- Custos do cartão: existem anuidades, comissões ou outros encargos?
- Modalidade de pagamento: consegue liquidar integralmente o saldo sem pagar juros?
- Condições de utilização: o cashback tem prazo de validade ou exige adesão a campanhas?
Tome Nota:
Nos cartões de crédito, consulte também a Taxa Anual de Encargos Efetiva Global (TAEG), que representa o custo total anual do crédito, incluindo juros e outros encargos considerados no cálculo. De acordo com o Banco de Portugal, os custos associados à emissão e utilização dos cartões devem constar do preçário da instituição emitente.
Cashback e cash advance: quais as diferenças?
Embora o nome seja parecido e ambas as modalidades estejam normalmente associadas a cartões de crédito, são funcionalidades distintas. Enquanto o cashback permite receber uma percentagem do valor das compras, o cash advance é um adiantamento de dinheiro a crédito (com ou sem juros associados). Tendo sempre em consideração o plafond contratado, o cash advancepermite levantar dinheiro das caixas multibanco ou uma transferência do saldo autorizado para o saldo disponível de modo imediato. Trata-se de um adiantamento de dinheiro através do cartão de crédito, que pode implicar o pagamento de comissões e juros.
Cashback: perguntas frequentes
1. O cashback é dinheiro gratuito?
Não exatamente. O cashback permite recuperar parte do valor das compras elegíveis, mas pode estar sujeito a limites, condições de utilização e custos associados. Para perceber se existe uma vantagem financeira, compare o montante recebido com as despesas adicionais necessárias para obter o benefício.
2. É possível receber cashback com um cartão de débito?
Sim. Embora seja frequente nos cartões de crédito, o cashback também pode estar disponível em determinados cartões de débito e programas comerciais. As condições dependem da
3. Todas as compras dão direito a cashback?
Não. Alguns cartões ou programas apenas atribuem cashback em determinados estabelecimentos, categorias de despesas ou campanhas. Podem também existir valores mínimos de compra e limites máximos de reembolso.
4. O cashback compensa se pagar juros do cartão de crédito?
Nem sempre. Os juros e outros encargos podem ultrapassar o montante recebido em cashback. Para avaliar se compensa, compare o benefício obtido com os custos efetivos do cartão e privilegie o pagamento integral do saldo dentro do prazo.
5. O que acontece ao cashback quando devolvo uma compra?
Depende das condições do programa. Quando uma compra é anulada ou reembolsada, o cashback pode ser cancelado ou deduzido ao saldo acumulado. Consulte as regras aplicáveis antes de utilizar o benefício.
Leia também:
- Money muling: o que é e como pode proteger-se deste esquema
- Como pagar as despesas fora do país: dicas e cuidados a ter
- Comissões MB WAY: quanto custa uma transferência?
- Sabe o que é um cartão virtual? Descubra para que serve e como criar
- Como conseguir um empréstimo no banco: os fatores que contam
- Cashback: compensa ter cartões de pagamento que devolvem dinheiro?
- MB WAY: saiba como funciona esta app em 5 pontos essenciais
A informação deste artigo não constitui qualquer recomendação e não dispensa a consulta necessária de entidades oficiais e legais.
