Acordo de crédito firmado com um aperto de mãos

Como conseguir um empréstimo no banco: os fatores que contam

Banco & Eu

Está a pensar pedir um crédito bancário? Antes, confira se reúne as condições necessárias para conseguir um empréstimo no banco e descubra algumas dicas 06-03-2025

Tempo estimado de leitura: 5 minutos

Quando pede um crédito bancário, a instituição financeira avalia a sua solvabilidade. Isto é, a sua capacidade para pagar as prestações desse crédito. No entanto, mesmo que a avaliação da solvabilidade seja positiva, a instituição não é obrigada a aprovar o seu pedido.

Saiba quais os critérios que os bancos avaliam e o que pode fazer para tornar a aprovação de um empréstimo bancário mais provável.

 

 

Como é que o banco avalia a solvabilidade?

A avaliação da solvabilidade depende das características do cliente bancário. Para esta análise, a instituição de crédito tem em conta:

 

Tome Nota:
A instituição de crédito pode pedir documentos que comprovem a sua situação atual assim como a veracidade de todas as informações prestadas. Se não entregar as informações pedidas ou indicar dados falsos, o empréstimo corre o risco de ser reprovado.

 

Histórico de pagamento de empréstimos

A instituição de crédito pode pedir que o cliente lhe forneça as informações das bases de dados de responsabilidades de crédito, nomeadamente da Central de Responsabilidades de Crédito (CRC). No fundo, trata-se de um histórico, sob a gestão do Banco de Portugal, com informações sobre os créditos de que o cliente é devedor ou fiador; descobertos em contas bancárias ou valores utilizados e não utilizados em cartões de crédito.

O mapa faz-se com base nas informações que as instituições de crédito enviam ao Banco de Portugal. São incluídos créditos com um valor inicial igual ou superior a 50 euros e indica-se a existência ou não de situações de incumprimento.

Estes dados ajudam as instituições financeiras a avaliar o risco de conceder um crédito. Tendencialmente, alguém com histórico de incumprimento tem mais dificuldades na aprovação do empréstimo.

 

Como obter o mapa de responsabilidades de crédito?
Pode verificar gratuitamente o estado dos seus créditos na Central de Responsabilidades de Crédito do Banco de Portugal. Para isso, deve:

  • Entrar no site do Banco de Portugal;
  • Ler as condições de acesso às informações e, se concordar, carregar em Autenticar e obter mapa;
  • Autenticar-se com os dados de acesso ao Portal das Finanças ou com o Cartão de Cidadão;
  • Selecionar Obter mapa;
  • Abrir ou guardar o mapa em formato PDF;
  • Encerrar a sessão e eliminar o mapa nos ficheiros temporários da Internet.
  • Encontrou algum erro nas informações consultadas? Cada crédito está associado a uma instituição financeira. Contacte esta entidade e peça a retificação dos dados. Para conseguir um empréstimo no banco, é essencial que todas as informações estejam corretas e atualizadas.

     

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    Idade

    Clientes mais jovens tendem a conseguir prazos de amortização maiores. Como consequência, as prestações podem ser menores e tornar a taxa de esforço menos elevada. Teoricamente, aumenta-se o grau de solvabilidade e a probabilidade de conseguir empréstimo no banco.

    Mas esta realidade não é estanque. Se o cliente for recente no mercado de trabalho e não tiver um contrato sem termo por exemplo, o seu perfil pode não ser atrativo para a instituição financeira. Para conceder ou não o empréstimo, o banco analisa as características do cliente de forma global.

     

    Situação profissional

    O banco avalia a estabilidade dos seus rendimentos. Isto é, se tem um contrato a termo, por tempo indeterminado ou se é trabalhador independente. Por norma, as instituições de crédito valorizam os contratos sem termo, já que representam menor risco de ficar sem emprego.  

    Os trabalhadores independentes, por outro lado, podem ter de apresentar as três declarações de IRS anteriores para provar a sua estabilidade.

     

    Rendimentos regulares

    O Banco de Portugal recomenda que a avaliação da solvabilidade tenha por base os rendimentos regulares do cliente. Ou seja, o salário, as remunerações pela prestação de serviços e as prestações sociais. Para os cálculos contam os rendimentos dos três meses anteriores ao momento em que se avalia a solvabilidade e nunca se assume um aumento do rendimento no futuro.

    Nas contas finais, o valor total das prestações mensais do cliente não deve ser superior a 50% do seu rendimento (líquido de impostos e de contribuições para a Segurança Social. No cálculo deste rácio (conhecido como debt service-to-income ratio) consideram-se os rendimentos líquidos mensais do agregado familiar e incluem não só o empréstimo que se pretende contratar, mas também todos os outros que o cliente esteja a suportar.

    Esta percentagem mais elevada serve sobretudo de referência para o crédito habitação. Nos restantes tipos de crédito, convencionou-se que a taxa de esforço das famílias não deve ultrapassar 33% do rendimento total do agregado, em vez dos 50%.

     

    Despesas regulares

    Da mesma forma que a instituição de crédito não assume um aumento dos rendimentos do cliente bancário, também não assume uma redução futura das despesas. Neste ponto, a instituição pondera se, ao conceder o empréstimo, o cliente ainda fica com um valor razoável para enfrentar as despesas regulares. Consideram-se despesas regulares as obrigações pessoais, familiares e de outros créditos em vigor.

     

    Tome Nota:
    Quando o valor do crédito a contratar é inferior a dez salários mínimos, a instituição de crédito pode avaliar a solvabilidade segundo uma estimativa de rendimentos e de despesas. O mesmo é válido para pedidos de aumento de crédito por um período inferior a três meses. Nos dois casos, a instituição só pode recorrer a este método de avaliação indireta se tiver informações suficiente.

     

    Circunstâncias futuras que possam comprometer o pagamento

    No momento de avaliar a solvabilidade, as instituições de crédito também olham para o futuro. Isto é, avaliam a capacidade de o cliente cumprir as obrigações de crédito perante vários cenários, como:

  • Redução de rendimentos após a idade de reforma ou após o fim do contrato de trabalho, quando o contrato de crédito vigora além desses momentos;
  • Aumento das despesas com outros créditos de que o cliente é fiador ou avalista;
  • Aumento da prestação, quando a taxa de juro é variável ou mista
  • Variações na prestação, devido à contratação de períodos de carência no pagamento de juros ou de capital assim como pelo diferimento do pagamento de parte do capital no fim do contrato.

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    Pedir crédito: siga estas dicas
    As prestações de crédito têm impacte no orçamento familiar. Por isso, quando contratar um crédito, deve:

  • Avaliar se os seus rendimentos conseguem cobrir o pagamento da dívida;
  • Prestar informações verdadeiras sobre a sua situação financeira;
  • Antecipar dificuldades em cumprir com as suas obrigações.
  • Se estiver em risco de incumprimento, aconselha-se a que regularize a sua situação junto da instituição de crédito. Não só para ter maior probabilidade de conseguir novo empréstimo, mas também para que a vida financeira da sua família não fique em risco. Perante este cenário, a instituição de crédito deve apresentar-lhe soluções de pagamento adaptadas à sua situação, objetivos e necessidades. Se precisar de ajuda, pode ainda recorrer à Rede de Apoio ao Cliente Bancário. O acesso é gratuito e encontra entidades que o informam sobre os seus direitos e deveres perante uma situação de endividamento.

     

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    Prazos de empréstimo e outras exigências

    Se quer saber como conseguir empréstimo no banco, é importante ter em conta outros fatores além da solvabilidade. As instituições financeiras têm uma série de outras exigências com efeitos na aprovação do crédito. Tudo depende das suas características e da valorização ao bem ou serviço para o qual quer fazer o empréstimo.

     

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    Prazos de empréstimo

    Os créditos habitação e outros créditos com garantia hipotecária não devem ter prazos médios de maturidade acima de 30 anos. Quanto ao prazo máximo, não pode ultrapassar:  

  • 40 anos, se o cliente tiver idade igual ou inferior a 30 anos;
  • 37 anos, se o cliente tiver mais de 30 anos ou idade igual ou inferior a 35 anos;
  • 35 anos, se o cliente tiver mais de 35 anos.
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    Já os créditos pessoais não podem ultrapassar sete anos. A única exceção são créditos para educação, saúde e energias renováveis, em que o limite passa para 10 anos. Este é também o limite para o crédito automóvel.

     

    Garantias

    Para conseguir empréstimo no banco, é comum ter de apresentar certas garantias. São esses mecanismos que, em caso de imprevisto financeiro como desemprego ou incapacidade para o trabalho, asseguram que o banco não perde o dinheiro do empréstimo. Tais garantias podem acontecer sob a forma de:

  • Hipoteca:  garantia típica do crédito habitação. A instituição de crédito pode exigir a constituição de hipoteca sobre o imóvel financiado;
  • Fiança: é uma garantia prestada por uma terceira pessoa. Se o cliente não cumprir as suas obrigações, o fiador assume os pagamentos;
  • Seguro de vida: apólice para reforço à hipoteca. O banco pode pedir que o seguro de vida esteja em nome do cliente e do seu cônjuge. Em caso de morte, doença ou desemprego, a seguradora pode saldar a dívida bancária;
  • Seguro de crédito: se ocorrer um sinistro previsto no contrato, como hospitalização ou desemprego da pessoa segura, o seguro de crédito paga as prestações ao banco;
  • Reserva de propriedade: garantia muito comum no crédito automóvel. Se o cliente não pagar as prestações, a instituição financeira pode ficar com o automóvel financiado.
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    LTV no crédito habitação

    No caso do crédito habitação, as instituições financeiras ponderam o loan-to-value ratio ou rácio LTV. Na prática, trata-se do rácio entre o montante do empréstimo e o valor do imóvel dado em garantia hipotecária.

    Para o valor do imóvel, considera-se o preço de aquisição ou o valor da avaliação do imóvel (o que for mais baixo). Definido esse montante, o valor do contrato de crédito não pode ser superior a:

  • 90% do valor do imóvel, quando é um crédito para habitação própria e permanente;
  • 80% do valor do imóvel, quando o crédito tiver outras finalidades que não habitação própria e permanente do cliente;
  • 100% do valor do imóvel, se o crédito tiver em vista a compra de imóveis detidos por instituições e contratos de locação financeira imobiliária.
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    Estão em curso medidas - muito dirigidas às camadas mais jovens da população -  que visam aliviar este esforço inicial da compra de habitação

     

    Qual o crédito mais adequado para o seu caso?
    Escolher o crédito certo para cada situação é fundamental porque condições e custos variam entre produtos. Existem duas categorias principais:

  • Crédito habitação: destina-se à aquisição ou construção de habitação própria permanente, secundária ou para arrendamento. Abrange ainda a aquisição ou manutenção de direitos de propriedade sobre terrenos e edifícios existentes ou projetados. Também o pagamento do sinal para a aquisição do imóvel;
  • Crédito aos consumidores: destina-se à compra de bens e serviços, como eletrodomésticos, carros, serviços de educação e saúde. Engloba também os cartões de crédito, a facilidade de descoberto e a ultrapassagem de crédito (mas só se não estiver associado a um bem imóvel).
  • Só as instituições de crédito e as sociedades financeirasregistadas no Banco de Portugal estão autorizadas a conceder crédito. Antes de tomar uma decisão, deve verificar sempre se a entidade que escolheu para o seu contrato está legalmente habilitada para esse fim.

     

    Conclusão: como conseguir empréstimo no banco com 5 dicas essenciais

    Nenhuma instituição está obrigada a conceder empréstimos. No entanto, há uma série de sugestões que pode seguir para aumentar a probabilidade de receber luz verde para o seu pedido:

  • Mantenha uma taxa de esforço baixa, aumentando rendimentos ou saldando dívidas;
  • Evite atrasos no pagamento das dívidas com empréstimos;
  • Prove que tem um rendimento estável;
  • Se recorrer ao crédito habitação, garanta uma entrada inicial de, pelo menos, 10% do valor do imóvel. Ter a capacidade para dar uma entrada pode aumentar a probabilidade de conseguir o crédito e aceder a condições mais favoráveis;
  • Reúna toda a documentação que o banco pedir e não oculte nenhum dado.
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    A informação deste artigo não constitui qualquer recomendação, nem dispensa a consulta necessária de entidades oficiais e legais.