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Se está a pensar pedir um crédito ou a precisar de renegociar contratos com o seu Banco, é essencial calcular corretamente a taxa de esforço.
Confira o que é a taxa de esforço, os rácios ideais, a importância de os manter dentro dos valores recomendados, e como a deve calcular. Explicamos ainda o que muda nas recomendações do Banco de Portugal (BP) para quem quer aceder ao crédito habitação
O que é a taxa de esforço?
A taxa de esforço é a percentagem do rendimento mensal líquido que se destina a pagar os empréstimos que contratamos. Na prática, indica a capacidade financeira de um agregado familiar para pagar uma prestação bancária mensalmente.
Para as instituições financeiras, calcular a taxa de esforço é uma forma de avaliar o risco de um crédito. Já para o consumidor que pede o empréstimo, ajuda a tomar melhores decisões e a manter a vida financeira em ordem. É um indicador importante para evitar o sobre-endividamento.
Taxa de esforço e apoio ao arrendamento
A taxa de esforço não é apenas importante na concessão de crédito. Por exemplo, as famílias com casa arrendada podem aceder às medidas de apoio ao arrendamento quando a sua taxa de esforço é superior a 35%. Num contexto de arrendamento, a taxa de esforço resulta da divisão entre o valor a pagar pelo rendimento mensal líquido do agregado familiar. Ao multiplicar o valor dessa fração por 100, obtém a percentagem de rendimentos absorvida pela renda da casa.
Vejamos um exemplo:
500 euros (valor da renda)/1 200 euros (rendimento mensal líquido) X 100 = 41,67% (taxa de esforço).
Como calcular a taxa de esforço?
Para calcular a taxa de esforço na atribuição de um empréstimo, tenha em conta os rendimentos mensais líquidos do agregado familiar e os encargos financeiros mensais com créditos. Siga esta fórmula:
taxa de esforço = (encargos financeiros mensais/rendimento líquido do agregado) x 100
Na parcela dos encargos financeiros, deve somar todas as prestações mensais com créditos, nomeadamente:
Nos rendimentos, deve considerar não apenas o salário líquido mas também quaisquer outras receitas líquidas (por exemplo, juros; rendas; pensões).
Vejamos alguns exemplos.
Exemplo 1
Um casal com um rendimento mensal líquido de 2 000€ e uma prestação de crédito à habitação de 350€. A taxa de esforço desta família é de 17,5%
Taxa de esforço = (350 / 2000) x 100 = 17,5%
Exemplo 2
Uma pessoa solteira, com um rendimento mensal líquido de 980 euros, um crédito à habitação de 250 euros e um crédito pessoal de 100 euros, tem uma taxa de esforço de 35,7%.
Taxa de esforço = (250 + 100 / 980) x 100 = 35,7%
Tome Nota:
O montante e o prazo do crédito tem efeitos diretos na taxa de esforço. Um montante mais elevado ou um prazo mais curto traduzem-se numa taxa de esforço superior. Isto significa que, perante dois agregados com o mesmo rendimento familiar, mas com condições de crédito diferentes, a taxa de esforço também não vai ser igual.
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Qual a taxa de esforço ideal?
Quanto mais baixa for a taxa de esforço, melhor. Ou seja, mais equilibrado será o orçamento familiar. Mesmo assim, existe um valor limite recomendado a partir do qual este indicador pode tornar-se insustentável.
Ataxa de esforço ideal não deve por isso ultrapassar 33% (um terço do rendimento total do agregado). Dessa forma, o agregado familiar fica com 67% para as restantes despesas fixas e, se for possível, para poupar.
O conselho é que não viva no limite de esforço para poder acomodar alguma quebra inesperada de rendimentos ou alguma variação em alta das despesas.
No caso do crédito à habitação, por exemplo, a sua prestação pode aumentar com a Euribor ao contratar uma taxa de juro variável o que vem penalizar a taxa de esforço inicial. Daí que se deva manter alerta ao longo do tempo. Esteja atento aos números e evite surpresas. Se isso ocorrer deve imediatamente contactar o seu Banco e procurar soluções. Evite o incumprimento.
O que diz o Banco de Portugal?
O Banco de Portugal (BP) utiliza o conceito de debt service-to-income (DSTI). A fórmula é semelhante à da taxa de esforço. Somam-se todas as prestações mensais de uma pessoa ou agregado, divide-se o resultado pelo rendimento mensal líquido e, no final, multiplica-se por 100. Seguindo esta fórmula, o Banco de Portugal recomenda que as instituições bancárias não concedam empréstimos sempre que o DSTI for superior a 50%, embora com exceções muito pontuais.
Taxa de esforço no crédito habitação: que muda na recomendação do BP?
O Banco de Portugal quer tornar mais prudente o acesso ao crédito à habitação. Por isso lançou uma nova recomendação macroprudencial no sentido de tornar mais curta a taxa de esforço a exigir a partir de agosto de 2026.
A proposta passa por baixar de 50% para 45% o limite da taxa de esforço ou seja, a parcela do rendimento mensal que uma família pode comprometer com prestações de crédito. Na prática, esta alteração reduzirá o montante máximo que algumas famílias conseguem pedir ao banco.
Num contexto de forte subida dos empréstimos para a compra de casa e pressão persistente nos preços do imobiliário, a proposta passa por baixar o limite da taxa de esforço de 50% para 45%. Uma alteração macroprudencial já comunicada ao Bancos nacionais e que os novos contratos para crédito habitação podem começar a sentir.
O supervisor pretende também reduzir a margem de exceções (permitidas aos bancos) e rever os prazos máximos dos contratos. Atualmente, o prazo máximo recomendado é de 40 anos para clientes até aos 30 anos, 37 anos para quem tem mais de 30 e até 35 anos, e 35 anos acima dessa idade. Se avançar, a proposta levará o limite de 40 anos aos clientes até aos 35 anos.
Embora se trate de uma recomendação ( sem cumprimento vinculativo pelos Bancos), pretende-se controlar o risco de sobre-endividamento das famílias e reforçar a estabilidade do sistema financeiro, sem fechar totalmente a porta ao crédito dos mais jovens. Em maio de 2026, os empréstimos para habitação cresceram 10,8% em termos anuais.
Um exemplo prático dos efeitos desta mudança
Imagine um casal com 2 500€ líquidos e 250€ de crédito automóvel. Com a regra atual, taxa de esforço até 50%, casal poderia comprometer até 1 250€ por mês com todos os créditos. Ou seja, poderia acomodar uma prestação adicional de até 1000€. Com as novas regras, o banco só poderia aceitar uma prestação da casa até 875€, não 1 000€. Mesmo podendo alargar o prazo, o montante financiável cairia e poderia obrigar a maior entrada inicial.
Como reduzir a taxa de esforço?
Aumentar os rendimentos e reduzir os créditos é a receita imediata para baixar a taxa de esforço. Contudo, nem sempre é possível rentabilizar um hobby para obter rendimento adicional; renegociar o salário ou cortar nos empréstimos.
Ainda assim, há algumas estratégias para evitar que a taxa de esforço o coloque em risco de incumprimento:
Procure sempre a melhor opção financeira. O objetivo é ganhar flexibilidade no orçamento disponível e nunca comprometer os encargos familiares.
Se contrair um crédito....
Para ter plena consciência da sua taxa de esforço, é importante pensar nestas questões:
- Prevê alterações na família (por exemplo, aumentar a família ou ida de dependente para a universidade)?
- Os rendimentos familiares são estáveis (existência de contrato de trabalho e qual o tipo de vínculo?
- Tem outros créditos ativos? Se sim, qual o valor?
Antes de avançar com o pedido de empréstimo. Avalie a sua situação financeira. A taxa de esforço (incluindo o novo crédito) não deve exceder um terço do rendimento mensal do agregado familiar. Evite o risco de crédito.
A informação deste artigo não constitui qualquer recomendação, nem dispensa a consulta necessária de entidades oficiais e legais.
