cuidado para contratar credito pessoal

7 cuidados a ter antes de contratar um crédito pessoal

Banco & Eu

Num cenário de subida das taxas de juro, há que redobrar os cuidados a ter na contratação de um crédito pessoal. Saiba quais são. 19-12-2022

Tempo estimado de leitura: 9 minutos

Quais os cuidados a ter antes de avançar para um crédito pessoal? Como garantir que, mesmo num contexto economicamente desafiante, este empréstimo não se transforma em mais uma dor de cabeça? Avaliar, comparar e analisar são alguns dos verbos que deve conjugar quando pensa em contrair um empréstimo.

Um crédito pessoal pode servir para concretizar um projeto há muito adiado ou até para realizar um sonho, mas é importante garantir que não vai ter um impacto demasiado grande no seu orçamento.

 

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É uma boa altura para contrair um crédito pessoal?

Esta é, talvez, a primeira pergunta que deve fazer antes de equacionar aumentar o seu nível de endividamento. Sobretudo em momentos de crise económica.

O cenário é bem conhecido e os seus efeitos já se sentem. Por um lado, a inflação, e em particular a escalada dos preços da energia e dos combustíveis, tornam o rendimento disponível cada vez menor.

Por outro, a decisão do Banco Central Europeu de continuar a subir as taxas de juro como resposta à inflação, reflete-se num agravamento da Euribor e, consequentemente, do custo dos créditos.

Em qualquer situação, e em especial num contexto como este, é fundamental refletir antes de tomar uma decisão de cariz financeiro tão importante como é a contratação de um crédito pessoal.

 

5 informações essenciais sobre o crédito pessoal

  1. O crédito pessoal integra o crédito aos consumidores. Ou seja, o que é destinado a financiar a aquisição de bens de consumo (por exemplo, eletrodomésticos, viagens, automóveis, educação ou saúde);
  2. Este tipo de crédito abrange os empréstimos a particulares de montantes entre os 200 euros e os 75 mil euros, incluindo as ultrapassagens de crédito. Também estão inseridos no crédito aos consumidores os empréstimos destinados à realização de obras em imóveis, sem garantia hipotecária;
  3. A taxa a aplicar pode ser fixa ou variável;  
  4. Existem taxas máximas definidas trimestralmente pelo Banco de Portugal (BdP), que pode consultar na página da instituição;  
  5. Os créditos pessoais destinados a financiar Educação, Saúde, Energias Renováveis e Locação Financeira de Equipamentos têm taxas de juro mais baixas.

 

 

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Quais os cuidados antes de fazer um crédito pessoal?

Mesmo que a sua situação financeira seja mais desafogada e o seu orçamento não esteja ainda a ser penalizado pela atual conjuntura económica, há cuidados a ter antes de decidir contratar um crédito pessoal.

Se, pelo contrário, já sente os efeitos da crise e teme a ansiedade financeira que mais uma despesa lhe pode causar, então deve agir ainda com mais prudência.

Estes são alguns dos aspetos a ter em conta antes de tomar uma decisão.

 

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1. Avalie se o crédito é mesmo necessário

Num cenário de incerteza financeira esta questão é ainda mais relevante. Tenha em conta que, ao contrair um crédito pessoal, estará a endividar-se por um período que pode chegar a 10 anos. Ou seja, estará a assumir um compromisso financeiro a médio prazo, pelo que é importante assegurar que o faz por algo essencial. Por exemplo, para tratar de um problema de saúde, pagar os estudos de um filho ou fazer face às despesas com obras urgentes em casa.

 

Tome Nota:
Os contratos de crédito pessoal têm como prazo máximo de reembolso 7 anos. Este limite é alargado para 10 anos nos contratos de crédito pessoal com as finalidades educação, saúde, energias renováveis e crédito automóvel.

 

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2. Calcule o impacto da prestação no orçamento familiar

Este cuidado é ainda mais importante quando já existem outros empréstimos para pagar. De qualquer modo, mesmo que não tenha outras prestações, é fundamental perceber se esta despesa mensal não vai desequilibrar as suas contas.

Avalie a sua taxa de esforço (isto é, a percentagem do rendimento mensal que se destina a pagar a prestação) e, se esta for muito elevada, o melhor será não avançar.

Embora não exista uma percentagem ideal, uma taxa de esforço acima dos 35% não é recomendável. Tendo esta referência, pondere bem se os seus rendimentos (atuais e os que espera vir a ter) são suficientes para pagar as prestações.

 

Tome Nota:
Neste guia pode encontrar algumas explicações sobre os principais cálculos a fazer antes de contrair um empréstimo.

 

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3. Compare diferentes propostas de crédito

Antes de decidir, é essencial comparar várias opções. O simulador de crédito aos consumidores do Banco de Portugal é uma boa ajuda para fazer essa comparação.

Sempre que pedir uma simulação para um empréstimo, a instituição de crédito em causa deve entregar-lhe a Ficha de informação normalizada em matéria de crédito aos consumidores (FIN). Este documento contém toda a informação necessária para que possa comparar e analisar as várias propostas. 

O BdP aconselha a fazer essa comparação, com base na taxa anual de encargos efetiva global (TAEG). Uma TAEG mais baixa será a melhor opção, já que esta taxa reflete o custo total do crédito para o cliente.

Analise também a duração do empréstimo, o regime de taxa de juro (se é fixa ou variável) e o valor da prestação, bem como as garantias exigidas e os encargos relacionados com a falta de pagamento.

 

Tome Nota:
Se tem dúvidas quanto a conceitos, siglas ou quais os melhores procedimentos a seguir antes de contratar um crédito pessoal, conheça o ABC do Crédito que resumimos nesta infografia.

 

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4. Não minta nem oculte informação

Para que o seu banco possa apresentar a proposta mais adequada e vantajosa para o seu caso, é importante não esconder factos que possam vir a ter uma influência negativa no seu risco de crédito.

Se sabe que o seu contrato de trabalho não vai ser renovado ou se vai aumentar a família, o mais provável é que a sua situação financeira se altere, pelo que poderá vir a sentir dificuldades para cumprir com a prestação acordada. Ocultar este tipo de informação ou qualquer outra relacionada com perda de rendimento ou aumento de despesa é prejudicial para ambas as partes.

É igualmente importante ser transparente sobre a finalidade do crédito a contratar. As taxas de juro para financiar estudos, pagar despesas de saúde ou adquirir equipamentos de energias renováveis têm condições mais favoráveis. Não se esqueça que pode ter que comprovar que usou o crédito para esses fins.

 

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5. Analise as vendas associadas

Quando está a negociar a contratação de um crédito pessoal, pode ser-lhe proposta a aquisição facultativa de outros produtos ou serviços financeiros (por exemplo, um seguro de saúde ou um cartão de crédito). Estas vendas associadas têm como contrapartida uma redução dos custos do crédito. Enquanto consumidor, cabe-lhe avaliar a sua pertinência.

Além disso, é importante perceber o que acontece se, durante o contrato, quiser desistir desses produtos ou serviços. O spread vai aumentar? As condições do empréstimo mantêm-se? 
Vai encontrar todas as informações necessárias na FIN. Este documento tem de identificar o cabaz de produtos comercializados, associados ao crédito, e explicitar os benefícios resultantes da contratação conjunta. Tem igualmente de referir qual o impacte que qualquer alteração pode ter nas taxas de juro, spread, comissões, despesas e outros custos. 

 

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6. Leia tudo com atenção

É um conselho que se aplica antes de assinar seja o que for. Leia com toda a atenção a informação que lhe é disponibilizada, seja na FIN, na minuta do contrato ou em qualquer outro documento relacionado com o crédito.

Se ficar com dúvidas sobre qualquer aspeto, esclareça-as. Faça todas as perguntas que considere necessárias até compreender totalmente o que está em causa. Lembre-se que qualquer decisão financeira deve ser tomada de forma ponderada e informada.

 

7. É bom demais? Desconfie

Deve ter especial cuidado com as promessas de crédito fácil, especialmente as que são divulgadas através de redes sociais por particulares ou empresas que desconhece.

Apenas as entidades autorizadas pelo Banco de Portugal podem conceder crédito e é muito fácil descobrir se aquela instituição pode ou não exercer essa atividade. Basta pesquisar pelo respetivo nome nesta página do BdP.

As burlas de crédito são mais comuns do que pensa e podem deixar a sua família numa situação financeira ainda mais complicada. Um dos principais cuidados a ter antes de contratar um crédito pessoal é garantir que o faz junto de uma entidade que cumpra a lei. Esta é a melhor forma de se proteger. 
 
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