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O preço dos combustíveis não depende apenas do petróleo. A cotação internacional da gasolina e do gasóleo, o valor do euro face ao dólar, os custos logísticos, os biocombustíveis, a margem comercial e os impostos influenciam o preço pago no posto.
É por isso que uma descida do petróleo bruto nem sempre provoca uma redução imediata ou equivalente no preço da gasolina ou do gasóleo. Pelo mesmo motivo, os dois combustíveis podem evoluir em sentidos diferentes.
Ultimamente, e na sequência do conflito internacional em curso, estes preços voltaram a castigar o bolso dos portugueses. Mas os fatores são múltiplos.
Tome Nota:
Onde está o combustível mais barato? No site da Direção-Geral de Energia e Geologia pode pesquisar por região e saber quais são os postos com preços mais baixos.
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Como é calculado o preço dos combustíveis em Portugal?
Para compreender como se forma o preço dos combustíveis, há que perceber todos os fatores que contribuem para que, quando abastece o carro, pague determinado valor por litro.
De acordo com informação do portal da Entidade Nacional para o Setor Energético (ENSE), as componentes que contribuem para o custo custo final dos combustíveis são múltiplas. Ou seja:
- cotação internacional do produto refinado;
- transporte do produto para Lisboa;
- incorporação de biocombustíveis;
- reservas estratégicas;
- descarga e armazenamento;
- Imposto sobre os Produtos Petrolíferos e Energéticos, ou ISP;
- contribuição rodoviária;
- componente de carbono;
- IVA.
De forma simplificada, o preço final resulta da soma de vários fatores:
Preço final = produto refinado + logística + biocombustíveis + margens comerciais + ISP + IVA
Ainda assim, embora partam do mesmo tipo de fatores, os preços dos combustíveis em Portugal são livres e podem variar consoante a marca e a zona geográfica.
Tome Nota:
A cotação do barril de Brent serve de referência para os mercados europeu e asiático. Pode acompanhar aqui a evolução do preço.
Preço do petróleo: brent e preço dos combustíveis são a mesma coisa?
Não. O petróleo bruto é a matéria-prima a partir da qual se produzem a gasolina, o gasóleo e outros combustíveis. O Brent é uma referência internacional utilizada para acompanhar o preço do petróleo bruto, normalmente apresentado em dólares por barril.
A gasolina e o gasóleo são produtos obtidos depois da refinação do petróleo. Cada combustível tem a sua própria cotação internacional, que pode evoluir de forma diferente da cotação do Brent. Têm preços de referência distintos baseados nas cotações internacionais dos produtos já refinados.
Ao preço do produto refinado juntam-se, como vimos, outros custos, como transporte, incorporação de biocombustíveis, armazenagem, distribuição, margens comerciais e impostos.
Uma descida do Brent pode contribuir para baixar o preço dos combustíveis, mas não garante uma redução imediata, nem na mesma proporção na gasolina e no gasóleo. O preço final depende do custo do combustível já refinado e das restantes componentes até chegar ao posto de abastecimento.
O que faz subir ou descer o preço dos combustíveis?
1. Cotação internacional da gasolina e do gasóleo
Os preços baseiam-se nas cotações internacionais dos produtos refinados e incluem ainda custos com biocombustíveis e custos operacionais no mercado nacional. Quando a cotação internacional da gasolina ou do gasóleo aumenta, o custo de aquisição do produto tende igualmente a subir. Os seus efeitos no consumidor dependem da evolução das restantes parcelas.
2. Preço do petróleo bruto
Uma subida do petróleo bruto pode aumentar o custo da matéria-prima utilizada na produção dos combustíveis. O efeito não tem de ser imediato nem proporcional, uma vez que entre a cotação do petróleo e o preço final existem custos de transformação, transporte, armazenamento, distribuição e comercialização.
3. Valor do euro face ao dólar
O petróleo e os produtos petrolíferos são negociados nos mercados internacionais em dólares.
Se o euro perder valor face à moeda norte-americana, são necessários mais euros para pagar o mesmo montante em dólares. Um euro mais fraco pode, por isso, encarecer os combustíveis importados, mesmo que a respetiva cotação internacional não aumente. Um euro mais forte pode produzir o efeito contrário.
4. Transporte e armazenamento
O preço considera custos relacionados com o transporte, a recepção, a descarga e o armazenamento dos produtos petrolíferos. Alterações nos custos dos fretes ou dificuldades nas cadeias de abastecimento podem influenciar o preço. O que se passa hoje em dia com o conflito no médio-orinte tem estrangulado estas cadeias de abastecimento.
5. Oferta e procura
Os preços respondem à quantidade de combustível disponível e à procura existente nos mercados. Uma menor disponibilidade de determinados produtos refinados pode pressionar os preços. Uma diminuição da procura ou um aumento da oferta pode produzir o efeito inverso.
A gasolina e o gasóleo têm mercados próprios. Por isso, uma alteração da oferta ou da procura pode afetar um combustível mais do que o outro.
6. Incorporação de biocombustíveis
O custo dos biocombustíveis incorporados nos combustíveis rodoviários também integra a formação do preço de referência. O Decreto-Lei n.º 84/2022 estabelece metas para a utilização de fontes renováveis de energia nos transportes, pelo que os fornecedores estão obrigados a assegurar a incorporação de combustíveis de baixo teor em carbono.
7. Margens e custos de comercialização
Embora os preço de referência da ENSE não incluem componentes de retalho ( distribuição até aos pontos de venda), a margem de comercialização e o IVA correspondente a essas parcelas têm impacto no preço final pago pelo consumidor.
8. Impostos
O preço final inclui o ISP e o IVA. As taxas de ISP não são iguais para todos os combustíveis e podem ser alteradas por portaria. O peso percentual dos impostos também varia. Mesmo que não haja uma mudança nas taxas, uma alteração das restantes componentes pode fazer aumentar ou diminuir a percentagem que os impostos representam no preço final.
Tome Nota:
O ISP, Imposto sobre os Produtos Petrolíferos e Energéticos, é um imposto aplicado aos produtos utilizados ou vendidos como carburantes ou combustíveis, incluindo a gasolina e o gasóleo. O seu valor integra o preço pago pelo consumidor em cada litro abastecido
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Porque é que os combustíveis não descem logo quando o petróleo baixa?
A descida do petróleo bruto pode não chegar imediatamente ao posto porque, como já vimos, o seu preços final depende de múltiplos fatores:
- petróleo bruto e combustível refinado não têm a mesma cotação;
- a gasolina e o gasóleo têm mercados próprios;
- o câmbio entre o euro e o dólar pode compensar parte da descida;
- os custos logísticos podem aumentar;
- os produtos vendidos podem ter sido adquiridos em momentos anteriores;
- os impostos não acompanham automaticamente a cotação do petróleo;
- o preço final inclui custos de distribuição e comercialização.
Existe ainda um intervalo entre a evolução das cotações internacionais e a venda do combustível ao consumidor. Por isso, não é rigoroso concluir que uma descida do Brent provoca de modo imediato e e na mesma proporção, uma diminuição do preço na bomba.
Qual é o peso dos impostos na gasolina e no gasóleo?
O peso fiscal não é fixo. Associa-se ao tipo de combustível e ao período analisado. Em Portugal, e de acordo com este boletim da ERSE, no segundo trimestre de 2026, os impostos representaram, em média:
- • 50% do preço da gasolina 95 simples;
- 44% do preço do gasóleo simples.
No mesmo período, Portugal ocupou a sétima posição entre os países da União Europeia com preços mais elevados na gasolina 95 simples e a nona posição no gasóleo simples.
Porque é que o IVA aumenta quando sobe o preço do combustível?
O IVA é calculado através da aplicação de uma percentagem ao valor tributável. Se as componentes que formam o preço aumentarem, o montante de IVA também pode crescer, ainda que a taxa aplicável não se altere. Não se trata de um aumento da taxa de IVA, mas da aplicação dessa taxa a um valor mais elevado.
Por exemplo, se a base sujeita a IVA aumentar 10 cêntimos por litro, o valor de IVA a cobrar também aumenta proporcionalmente.
O ISP sobre os combustíveis pode mudar?
Sim. As taxas de ISP aplicáveis à gasolina sem chumbo e ao gasóleo rodoviário no continente são fixadas por portaria.
Com o objetivo de atenuar os efeitos da subida do preço dos combustíveis, e com isso aliviar a carga financeira sentida pelos consumidores, está aprovado um mecanismo temporário e extraordinário de redução ou subida do ISP (sempre que ultrapassasse 10 cêntimos face à semana de 2 a 6 de março), indexada à evolução dos preços.
Por exemplo, a Portaria n.º 331-A/2026/1, publicada em 7 de agosto revia em alta esta taxa na sequência de uma quebra temporária do custo dos combustíveis.
Porque é que os combustíveis são mais caros em Portugal do que em Espanha?
Porque falamos de duas realidades fiscais distintas. A comparação entre Portugal e Espanha deve distinguir os preços com e sem impostos. De acordo com a ERSE, no segundo trimestre de 2026, antes de impostos:
- a gasolina 95 simples custava, em média, menos 5,9 cêntimos por litro em Portugall;
- • o gasóleo simples custava menos 10,6 cêntimos por litro.
- a gasolina 95 simples custava mais 41,8 cêntimos por litro em Portugal;
- o gasóleo simples custava mais 25,1 cêntimos por litro.
Depois de considerados os impostos, a situação invertia-se:
Estas diferenças podem contudo alterar-se com a evolução dos preços, dos impostos e das medidas adotadas em cada país.
O que é o ISP?
O imposto sobre produtos petrolíferos incide sobre todos os produtos petrolíferos e energéticos que se destinem ao consumo e à venda para uso carburante ou combustível. É aplicado à gasolina e ao gasóleo, mas também ao GPL, gás propano e butano, e ao petróleo. As taxas são definidas através de portaria. No valor final do ISP incluem-se também a taxa de carbono e a antiga contribuição de serviço rodoviário.
O QUE A CAIXA PODE FAZER POR SI?
As energias alternativas podem ser dar-lhe uma opção de mobilidade mais sustentável para o Ambiente mas também mais económica para a sua bolsa. Caso entenda ser o momento para mudar para um carro hibrido ou elétrico, esteja a par do que pode envolver a mudança.
Como saber se os combustíveis vão subir ou descer?
Não é possível antecipar com certeza o preço no posto apenas através da cotação do petróleo. Para avaliar a tendência, é necessário acompanhar:
- cotações internacionais da gasolina e do gasóleo;
- evolução do petróleo bruto;
- câmbio entre o euro e o dólar;
- custos logísticos;
- oferta e procura;
- alterações ao ISP;
- preços de referência;
- preços de venda ao público.
- compare os preços dos postos próximos;
- planeie as deslocações e agrupe tarefas no mesmo percurso;
- verifique regularmente a pressão dos pneus;
- evite transportar peso desnecessário;
- conduza de forma regular, sem acelerações ou travagens bruscas;
- registe os litros abastecidos e os quilómetros percorridos;
- avalie o preço final depois de aplicados os descontos;
- considere transportes públicos, deslocações partilhadas ou mobilidade suave quando forem alternativas adequadas.
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A ENSE publica diariamente os preços de referência.
Tome Nota:
Ao comparar o preço entre postos, deve considerar o preço final depois dos descontos e a distância necessária para abastecer. Uma deslocação maior pode reduzir ou eliminar a poupança obtida por litro. Consulte o portal da Direção Geral de Energia e Geologia, onde pode fazer esta comparação entre pontos de abastecimento de todo o País.
Quanto custa uma subida dos combustíveis no orçamento?
Para calcular o custo adicional de um abastecimento, multiplique o aumento por litro pela quantidade abastecida. Exemplo de uma subida de 5 cêntimos por litro:
Num abastecimento de 50 litros:
0,05 € × 50 litros = 2,50 €
Se fizer dois abastecimentos semelhantes por mês:
2,50 € × 2 = 5 € por mês
Mantendo-se o preço e o consumo durante 12 meses:
5 € × 12 = 60 € por ano
Ou seja, neste exemplo, o impacto anual da subida no abastecimento é de 60€
Como reduzir os gastos com combustível?
Ainda que prever ou controlar os preços se mantenha uma realidade fora dos nosso alcance, existem pequenos truques que podemos pôr em prática para reduzir consumos e gastos. Por exemplo:
Perguntas frequentes sobre o preço dos combustíveis?
O preço do petróleo determina o preço da gasolina?
O petróleo influencia o preço, mas não o determina sozinho. A gasolina é um produto refinado com cotação própria. O câmbio, a logística, os biocombustíveis, os impostos e as margens comerciais também intervêm na formação do preço.
Porque sobem os combustíveis quando o petróleo não aumenta?
A subida pode resultar da valorização do dólar, do aumento das cotações da gasolina ou do gasóleo, de maiores custos logísticos ou de alterações noutras componentes.
Porque não descem imediatamente quando o petróleo baixa?
O petróleo bruto e os produtos refinados têm cotações diferentes. Existe ainda um percurso entre aquisição, transformação, transporte, armazenamento, distribuição e venda.
O ISP é igual na gasolina e no gasóleo?
Não. As taxas são diferentes e podem ser revistas por portaria. Antes de indicar um valor, deve confirmar-se o diploma mais recente aplicável ao período em causa.
O IVA incide sobre o ISP?
Sim. De acordo com a decomposição apresentada pela ENSE, o IVA é aplicado às componentes que formam o preço, incluindo o ISP.
Os preços são iguais em todo o País?
Não. Os preços são livres e podem variar consoante a marca, o posto e a zona geográfica.
Quem comunica os preços à DGEG?
Os titulares das licenças de exploração dos postos são responsáveis pela comunicação e atualização dos preços publicados no portal da DGEG.
Uma descida do ISP garante uma redução igual no posto?
Não necessariamente. O preço final resulta de várias componentes que podem evoluir em sentidos diferentes. O impacto só pode ser avaliado ao identificar, no mesmo período, a alteração fiscal e as restantes parcelas do preço.
Como calcular quanto custa uma subida?
Multiplique o aumento por litro pelos litros abastecidos. Uma subida de 10 cêntimos acrescenta 5 euros a um abastecimento de 50 litros.
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A informação deste artigo não constitui qualquer recomendação e não dispensa a consulta necessária de entidades oficiais e legais.
