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As taxas de juro voltam a subir em 2026, depois de o Banco Central Europeu (BCE) ter aumentado as taxas diretoras em 0,25 pontos percentuais, com efeitos a partir de 17 de junho. A decisão procura conter as novas pressões sobre a inflação na área do euro.
Na prática, trata-se de uma mudança nos juros cobrados pelo BCE para emprestar dinheiro aos bancos comerciais (as chamadas taxas diretoras) traduz-se depois numa alteração da Euribor. Se a Euribor subir, o impacto será sentido nas prestações do crédito de muitas famílias. Os empréstimos de taxa variável e mista estão indexados a esta evolução, nomeadamente o crédito habitação.
Confira como fazer face às consequências desta subida no seu orçamento familiar e junto do seu Banco.
Porque sobem as taxas de juro?
O valor das taxas diretoras depende da política monetária seguida pelo Banco Central Europeu e relaciona-se, ainda que de forma indireta, com a taxa de inflação.
Se a taxa de inflação subir para níveis que façam perigar o equilíbrio macroeconómico, pode haver necessidade de recorrer à subida das taxas de juro diretoras, emanadas do BCE, para controlar a taxa de inflação.
Sempre que assim ocorre, os bancos comerciais têm mais custos para se financiar e passam a cobrar uma taxa de juro mais alta nos empréstimos concedidos às famílias e às empresas.
Mais recentemente, em julho de 2026, as taxas de juro de referência na área do euro seguem uma tendência de subida, depois de o Banco Central Europeu ter aumentado as três taxas diretoras em 0,25 pontos percentuais. O BCE justifica este aumento com o agravamento das pressões inflacionistas, sobretudo devido à subida dos preços da energia, e prevê uma inflação média de 3% em 2026, acima do objetivo de 2%. Esta evolução já se reflete nas taxas do mercado monetário (incluindo a Euribor). Pode registar-se um aumento da prestação do crédito à habitação com taxa variável nas próximas revisões do contrato.
Taxas de juro versus Euribor
Com taxas de juro mais elevadas, a economia reage com menor consumo e menor margem de subida dos preços. Face a um fenómeno inflacionista que destabilize preços; níveis de consumo e investimento, há necessidade de controlar as taxas de juro que ditam o preço do dinheiro. Daí que uma tendência de subida da inflação pode provocar uma subida das taxas de juro diretoras do BCE e portanto da Euribor. A consequência mais direta será o aumento da prestação mensal do seu crédito habitação.
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Uma subida das taxas de juro não se fará sentir apenas no crédito habitação, mas em todos os créditos indexados à Euribor. Isto significa que - a menos que tenha condições para aumentar o seu rendimento -, o orçamento mensal será necessariamente menor. Com menor rendimento
Tome Nota:
A maioria dos créditos à habitação em Portugal são de taxa variável e estão indexados à Euribor (a três, seis ou doze meses). Quando as taxas sobem, podem aumentar a prestação da casa na data de revisão prevista no contrato. Em contrapartida, juros mais elevados podem favorecer a remuneração de alguns depósitos e produtos de poupança.
Crédito habitação: 5 estratégias para enfrentar a subida da prestação
Se já tem um crédito habitação, com taxa variável, o primeiro passo é calcular a sua taxa de esforço. O ideal é que o peso de todas as prestações de créditos (crédito habitação, crédito automóvel ou cartão de crédito) não ultrapasse um terço dos seus rendimentos.
Se ficar perto desse limite, e apesar de neste momento não estar em risco de incumprimento, deve tentar baixar as suas despesas com créditos. Lembre-se que é importante ganhar alguma margem para acomodar um acréscimo que uma subida da Euribor pode implicar. Eis o que deve ter em conta.
Tome Nota:
A Taxa Euribor é usada para calcular os juros de empréstimos pessoais, depósitos bancários ou crédito à habitação. Em Portugal, a indexação à Euribor a seis meses ainda predomina nos empréstimos para compras de casa.
Olhe para o spread
O spread é a margem de lucro do banco no empréstimo que contraiu e é livremente definido pela instituição. Se há muito que não fala com o seu banco, pode ser uma boa altura para entrar em contacto e tentar negociar uma descida.
Antes de o fazer, compare com os spreads praticados por outras instituições. Obtenha uma ideia do que o mercado está a oferecer e até onde pode ir.
Tome Nota:
A Euribor, principal indexante do crédito à habitação com taxa variável em Portugal, não é definida diretamente pelo BCE, mas tende a acompanhar as expectativas sobre as taxas diretoras.
Avalie se vale a pena mudar para taxa fixa
Se o seu empréstimo tem taxa variável, considere a hipótese de mudar para taxa fixa. Coloque essa questão ao seu Banco e analise se vale a pena. Lembre-se que com taxa fixa fica protegido de uma subida das taxas de juro, muito embora nunca possa beneficiar de eventuais descidas.
Tome Nota:
Crédito habitação com taxa fixa ou variável?
No crédito habitação com taxa fixa, a taxa de juro mantém-se igual durante todo o prazo do empréstimo. Já no crédito habitação com taxa variável, a taxa de juro e, consequentemente, a sua prestação alteram-se ao longo do tempo refletindo as subidas ou descidas da Euribor.
O QUE A CAIXA PODE FAZER POR SI?
Aceder a uma solução de crédito envolve todas as cautelas de prudência e boa gestão. Faça cálculos e antecipe todas as despesas e - muito importante - proceda a todas as simulações necessárias.
Reveja o seguro de vida associado ao crédito habitação
O seguro de vida associado ao crédito habitação tem um capital ajustado ao montante em dívida. Mas a partir de uma certa idade o seu valor sobe exponencialmente. E se não pode impedir a subida da prestação a pagar pelo crédito, caso os juros aumentem, pode sempre tentar baixar o que paga mensalmente pelo seguro.
Mais uma vez, faça uma análise aos preços praticados pela concorrência. Se subscreveu um seguro proposto pelo banco quando contratou o crédito, é provável que tenha uma bonificação no spread. Ainda assim faça as contas. Se encontrou uma opção de seguro mais barata, e o que poupa compensa a perda do desconto no spread, pode ser vantajoso mudar.
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Amortize parcialmente o seu crédito
Se tem algum dinheiro de parte, além do que está guardado no seu fundo de emergência, pondere usá-lo na amortização da dívida. O valor da prestação baixará e será menor o impacto do aumento das taxas de juro.
Lembre-se, no entanto, que a amortização também tem um custo, salvo em casos excecionais como, por exemplo, uma situação de desemprego ou de deslocação por razões profissionais. Por isso, convém perceber se o que vai poupar com a diminuição da prestação compensa os gastos relacionados com a amortização.
Tome Nota:
O Banco Central Europeu (BCE) na União Europeia e a Reserva Federal dos Estados Unidos (FED) nos Estados Unidos são as entidades que o podem desencadear mexidas nas taxas de juro bancárias.
Consolide créditos
Se tem outros créditos com taxa variável, equacione consolidá-los. Ao juntar todos os créditos, é possível baixar o valor a pagar mensalmente, o que pode ser particularmente útil se a sua taxa de esforço já for elevada.
Embora o prazo de pagamento se vá tornar mais longo, a verdade é que a consolidação lhe dá mais liquidez todos os meses, permitindo-lhe suportar uma eventual subida da prestação do crédito habitação.
E que ajustes posso fazer na poupança e no orçamento familiar?
Além dos cuidados para gerir o próprio empréstimo junto do Banco, a subida da prestação pode obrigar a rever passos adicionais na gestão do seu orçamento e da sua poupança. Destacamos alguns:
- Calcule o peso do crédito no orçamento familiar. Compare a nova prestação com o rendimento líquido mensal do agregado e confirme quanto ficará disponível para alimentação, energia, transportes, saúde e outras despesas essenciais;
- Tenha em conta o aumento do custo de vida. Evite analisar a prestação isoladamente. Considere a taxa de inflação e reveja o orçamento com valores atualizados e as despesas que mais aumentaram;
- Reduza primeiro os gastos não essenciais. Cancele serviços pouco utilizados, compare fornecedores de energia e telecomunicações e verifique se pode renegociar seguros ou outros contratos. Evite recorrer a novo crédito para pagar despesas correntes, pois aumentará os encargos mensais;
- Proteja a poupança possível. Se o orçamento deixar de comportar o montante que costuma pôr de parte, ajuste temporariamente esse valor em vez de eliminar por completo a poupança. Sempre que possível, preserve uma reserva financeira para despesas imprevistas.
Tome Nota:
Fale com o banco antes de falhar uma prestação. Se prevê dificuldades no pagamento do crédito à habitação, comunique-as de imediato à instituição. O banco deve avaliar a sua capacidade financeira no âmbito do Plano de Ação para o Risco de Incumprimento (PARI) e, quando seja viável, apresentar soluções destinadas a prevenir o incumprimento.
Cautelas para quem ainda vai contratar um crédito habitação
Agora mais do que nunca, há cuidados acrescidos ao contratar um crédito habitação. Nomeadamente:
- Calcule a sua taxa de esforço atual e veja qual a prestação máxima que poderá pagar (a soma das prestações de todos os créditos não deve ultrapassar 30% do seu orçamento. Os Bancos passaram a ter a recomendação de não aceitar uma taxa de esforço acima de 45% para o crédito habitação);
- Peça propostas a várias entidades financeiras com taxa fixa e taxa variável (embora no imediato o custo possa ser superior, com a taxa fixa sabe que o valor se mantém igual mesmo que os juros subam);
- Ao comparar as propostas olhe para a Taxa Anual Efetiva Global (TAEG) e para o Montante Global imputado ao Crédito (MTIC);
- Tenha em atenção o prazo do empréstimo. Um prazo mais curto, significa normalmente uma prestação mais elevada;
- No final da Ficha de Informação Normalizada (FINE), encontra alguns quadros que lhe dão conta do impacto da subida da taxa de juro na prestação. Considere esta informação ao decidir;
- Se optar pela taxa variável, crie uma almofada financeira para eventuais alterações nas taxas de juro;
- Considere as determinações do Banco de Portugal que apontam para uma maturidade máxima de 35 anos para o crédito habitação. O limite máximo de 40 anos aplica-se apenas a clientes com menos de 35 anos de idade.
- Lembre-se ainda que quanto maior for o valor da entrada, menor será o valor a pedir emprestado e menores o efeito das taxas de juro neste seu pacote de despesas;
- Tenha prudência nos cálculos para antecipar a sua vida financeira.
Sempre que se verifica uma subida dos juros com risco de vir a falhar o pagamento das prestações, fale com o seu Banco para, em conjunto, chegarem a uma solução.
As instituições de crédito estão vinculados a planos de ação para estes casos. No âmbito desses mecanismos, poderá ser-lhe apresentada uma proposta para negociação do crédito, adequada à sua situação financeira, evitando assim que entre em incumprimento.
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A informação deste artigo não constitui qualquer recomendação, nem dispensa a consulta necessária de entidades oficiais e legais.
