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Entraste no ensino superior e vais estudar longe de casa? Encontrar alojamento pode ser uma das primeiras dificuldades. Começa pelos canais oficiais, compara várias opções e confirma os apoios antes de assinares um contrato ou pagares uma caução.
Explicamos todos os passos neste guia completo para entrares com o pé direito em 2026/27.
Onde começar a procurar alojamento universitário?
A procura deve começar nos canais da instituição onde vais estudar. Consulta:
- o site dos Serviços de Ação Social (SAS);
- a área de alojamento da universidade ou do instituto politécnico;
- o gabinete de apoio ao estudante;
- a associação de estudantes;
- o Observatório do Alojamento Estudantil;
- os protocolos de alojamento divulgados pela instituição.
Os SAS informam sobre residências universitárias, preços, candidaturas, critérios de prioridade e listas de espera. Já o Observatório do Alojamento Estudantil permite consultar informação sobre oferta privada, rendas praticadas e evolução das vagas nas residências públicas.
Pergunta também se existem protocolos com hotéis, pousadas, hostels ou outras unidades. Estes acordos podem abranger estudantes bolseiros e não bolseiros, desde que estejam inscritos e a frequentar uma instituição de ensino superior.
Só depois de verificares estas opções deves alargar a pesquisa aos portais imobiliários, plataformas de quartos e grupos nas redes sociais.
Onde procurar alojamento: portais e sites
Para comparar quartos, apartamentos partilhados e estúdios, consulta portais como idealista e Imovirtual e plataformas dedicadas ao alojamento, como Uniplaces e BQuarto. Recorre ainda às páginas dos Serviços de Ação Social e das associações de estudantes, onde podem surgir residências, protocolos ou anúncios locais.
Tome Nota:
As Pousadas de Juventude, geridas pela Movijovem, podem disponibilizar camas para estudantes do ensino superior ao abrigo de programas de alojamento estudantil. A oferta depende das unidades e das vagas atribuídas às instituições. Consulta os Serviços de Ação Social para conhecer vagas, preços e condições.
E as pesquisas no Facebook?
Os grupos de estudantes e de arrendamento no Facebook podem revelar opções na zona, mas exigem cuidados redobrados. Usa filtros por preço, localização, despesas incluídas, duração do contrato e distância até à faculdade. Compara o anúncio em vários sites e confirma se continua disponível. Antes de pagar, visita o imóvel ou pede uma videochamada, identifica o senhorio e exige contrato e recibo. Desconfia de preços muito baixos, pedidos urgentes de transferência, contas bancárias de terceiros ou anunciantes que não mostram o alojamento. As plataformas ajudam a pesquisar, mas não substituem estes cuidados.
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Quem é considerado estudante deslocado em 2026/2027?
A partir do ano letivo de 2026/2027, o estatuto de estudante deslocado aplica-se, em regra, a quem reside a pelo menos 50 quilómetros da instituição de ensino superior que frequenta. Podem ser consideradas situações excecionais abaixo dessa distância. A análise pode ter em conta o tempo de viagem, os transportes públicos disponíveis, os respetivos horários e a compatibilidade com as atividades do curso. Estas situações devem ser avaliadas individualmente pelos serviços responsáveis. Na prática, morar longe não é o único fator relevante. Se as deslocações forem demasiado demoradas ou não existirem transportes públicos adequados ao horário das aulas, apresenta essa informação aos SAS.
Tome Nota:
Segundo o relatório do Observatório do Alojamento Estudantil de novembro de 2025, o preço médio anunciado de um quarto para estudantes em Portugal era de 410€ por mês, mais 1,1% do que 12 meses antes.
Bolseiros deslocados: que apoios ao alojamento?
Em 2026/2027, os estudantes bolseiros deslocados passam a beneficiar de um complemento mensal de alojamento correspondente a 30% do IAS, independentemente de ficarem numa residência universitária ou no mercado privado. Esta é uma alteração importante em relação ao regime anterior. O apoio deixa de ser disponibilizado apenas em função do preço base pago numa residência ou da impossibilidade de obter uma vaga.
Se o estudante não conseguir lugar numa residência, pode ainda receber uma majoração, ou seja, um valor adicional destinado a aproximar o apoio do custo estimado do alojamento privado no concelho onde estuda. O valor máximo não é igual em todo o país. valores de referência mensais para 2026/2027 variam por concelho, entre 260€ em Mirandela e 500€ em Lisboa. Ou seja, consideram-se as reais despesas de cada estudante.
Antes de arrendares um quarto, pergunta aos SAS:
- qual é o apoio aplicável ao teu concelho;
- se tens direito à majoração;
- que documentos comprovativos são exigidos;
- a partir de que mês começa o pagamento;
- como deves comunicar uma mudança de alojamento.
E se escolheres alojamento privado?
O estudante bolseiro deslocado mantém o apoio ao alojamento se optar pelo mercado privado. A escolha de um quarto ou apartamento fora de uma residência não elimina, por si só, o direito ao complemento. Ainda assim, tens de cumprir os requisitos do estatuto de deslocado e comprovar a situação de alojamento nos termos pedidos pelos SAS. Não assines um contrato contando com um valor que ainda não foi confirmado.
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Os estudantes não bolseiros também podem receber apoio?
Mantém-se um complemento de alojamento para estudantes deslocados não bolseiros que cumpram as condições previstas no regulamento. Para 2026/2027, o limite máximo deste apoio é definido de acordo com o valor mensal de referência do alojamento privado no respetivo concelho. É a mesma referência utilizada para calcular a majoração atribuída aos bolseiros sem vaga numa residência. Como o valor depende da localização e da situação do estudante, deve ser confirmado diretamente junto dos SAS.
Bolsa de incentivo de cerca de 1 075€: quem pode receber?
No ano letivo de 2026/2027, os estudantes caloiros abrangidos pelo primeiro escalão do abono de família a entrar no ensino superior pela primeira vez podem beneficiar de uma nova bolsa de incentivo.
O apoio corresponde a duas vezes o valor do Indexante dos Apoios Sociais (IAS), o que representa cerca de 1 075 €, em 2026. A bolsa é atribuída no primeiro ano de matrícula e pode acumular-se com a bolsa de estudo. Nos anos seguintes, a continuidade deste apoio depende dos resultados académicos. O estudante terá de alcançar uma classificação final situada entre as 25% mais elevadas no ano letivo anterior. Ou seja, terá de integrar o grupo correspondente ao quarto dos estudantes com melhores classificações.
Na prática, o acesso no primeiro ano depende da situação económica da família e é de atribuição automática. Depois, passa também a depender dos resultados académicos. Consegues obter mais detalhes sobre esta medida na Portaria n.º 331-B/2026/1, de 10 de agosto.
Tome Nota:
Esta bolsa não substitui o complemento de alojamento. São apoios diferentes. A bolsa de incentivo pretende facilitar a entrada e a permanência no ensino superior dos estudantes com menores recursos, enquanto o complemento de alojamento apoia especificamente os estudantes deslocados. Quando reunidas as condições de ambos os regimes, os apoios podem coexistir.
Alojamento privado: compensa escolher o quarto mais barato?
Nem sempre. Ao valor da renda deves somar transportes, água, eletricidade, gás, internet, alimentação e lavandaria. Um quarto mais barato pode sair mais caro se ficar longe da instituição ou exigir várias deslocações por dia. Compara também o tempo de viagem, a frequência dos transportes e a proximidade de supermercados, farmácias e serviços de saúde.
O que verificar antes de assinar o contrato
Confirma:
- a identidade do senhorio;
- a renda e a data de pagamento;
- a caução e as rendas antecipadas;
- as despesas incluídas;
- a duração do contrato;
- as condições de saída;
- o mobiliário e os equipamentos disponíveis;
- a emissão de recibos de renda.
Protege-te de fraudes e esquemas
Regista o estado do quarto e das áreas comuns quando entrares. Guarda o anúncio, o contrato, as mensagens e todos os comprovativos. Desconfia de preços muito baixos, pedidos urgentes de transferência, pagamentos para contas de terceiros ou anunciantes que não permitem visitar o imóvel. Evita situações de risco e procura fundamentar as tuas opções com dados reais. Lembra-te que o número de casos de fraude imobiliária no arrendamento aumentou 25% no primeiro trimestre de 2025.
Como preparar o primeiro mês?
O início do contrato pode obrigar a pagar a primeira renda, a caução, rendas antecipadas, transportes, mudança e utensílios. Antes de escolheres, calcula quanto tens de pagar para entrar, quanto gastarás mensalmente e que margem terás para imprevistos. Não assumas uma despesa com base num apoio ainda não aprovado.
Toma nota
As regras do apoio ao alojamento mudaram para 2026/2027. O complemento base dos bolseiros deslocados passa a corresponder a 30% do IAS e pode ser acrescido de uma majoração quando não exista vaga numa residência. O valor final depende do concelho e da situação do estudante. Confirma sempre o montante junto dos SAS antes de assinares um contrato.
Posso deduzir a renda no IRS?
Se tiveres até 25 anos e estudares a mais de 50 quilómetros da residência permanente da tua família, podes ser considerado estudante deslocado. É possível deduzir 30% das rendas documentadas, até 400€; por ano. Quando existem estas rendas, o limite global da dedução por despesas de educação pode chegar a 1 100€. Para beneficiar da dedução, precisas de contrato, recibos e do registo anual da condição de estudante deslocado no Portal das Finanças. Não tens de alterar a morada do Cartão de Cidadão.
Alojamento intergeracional: que opções podes encontrar?
Garantir alojamento com custos controlados e ao mesmo tempo ter oportunidade de fazer companhia a idosos que vivam sozinhos e precisem de apoio e proximidade pode parecer uma boa ideia mas já uma realidade em muitas cidades do País. Procura informação na cidade onde vais estudar. Por exemplo, a cidade do Porto tem em curso o programa Aconchego que parte de uma parceria entre a Câmara Municipal e a Federação Académica, mas existem mais cidades onde este modelo já existe, nomeadamente com plataformas em diversas cidades:
O Porta 65 Jovem também pode ajudar?
O Porta 65 Jovem apoia pessoas entre os 18 e os 35 anos no arrendamento de uma habitação para residência permanente, através de uma subvenção mensal. A candidatura pode ser apresentada sem contrato de arrendamento, embora seja necessário cumprir posteriormente as condições do programa.
Não é um apoio específico para estudantes. Antes de contar com esta ajuda, confirme se o alojamento, o agregado, os rendimentos e a renda cumprem os requisitos.
Aproveitar todos os apoios: bolsas e incentivos
As candidaturas a bolsas de estudo para a Faculdade e a bolsas de mérito assim como à rede de residências universitárias deve ser a primeira abordagem para quem se vê confrontado com a procura de alojamento na Universidade.
Procura saber os apoios oficiais pela DGES e os seus critérios de atribuição. Nota que existem inúmeras entidades privadas que também atribuem bolsas capazes de aliviar bastante o orçamento para estudar. Por exemplo, a Caixa Geral de Depósitos e outras empresas atribuem-nas.
É fundamental procurar essa informação em fontes oficiais como a Direção Geral de Ensino Superior (DGES). Caso não te seja possível aceder às residências universitárias, lembra-te que pode, pelo menos, aceder ao apoio financeiro capaz de complementar as despesas que vier a ter que pagar com o alojamento.
O QUE A CAIXA PODE FAZER POR TI?
Dar o passo universitário é também o primeiro passo para começar a caminhar na conquista de uma carreira. Consolidar este início de trajeto envolve cuidados adicionais como por exemplo gerir a vida financeira e bancária.
Sabe Mais Aqui.
Estudar na universidade: 6 dicas essenciais para fintar as despesas
- Faz um orçamento: soma alojamento, alimentação, transportes, propinas e material escolar.
- Pede os apoios disponíveis: verifica bolsas, complemento de alojamento e benefícios de transporte.
- Começa pelos SAS: consulta residências, cantinas, protocolos e outros apoios da tua instituição.
- Compara o custo total: um quarto barato pode não compensar se aumentar as despesas de transporte.
- Cria uma reserva ou fundo de reserva: guarda algum dinheiro para caução, primeira renda e despesas imprevistas.
- Pondera arranjar um part-time que te permita algum rendimento por exemplo em emprego de Verão.
- Onde procurar alojamento universitário?
- Quem é considerado estudante deslocado em 2026/2027?
- Quanto recebe um bolseiro deslocado para alojamento?
- Posso receber apoio se arrendar um quarto?
- Como evitar burlas no arrendamento de quartos?
Perguntas frequentes sobre alojamento universitário
Começa pelos Serviços de Ação Social da instituição, residências universitárias, protocolos de alojamento e Observatório do Alojamento Estudantil.
Em regra, quem precisa de viver fora de casa e reside a 50 quilómetros ou mais, em linha reta, do local das atividades letivas.
O complemento mensal corresponde a 30% do IAS. Pode existir uma majoração se o estudante não conseguir vaga numa residência.
Sim. O bolseiro deslocado pode usar o complemento numa residência universitária ou num alojamento privado, cumprindo as condições aplicáveis.
Visita o imóvel, confirma a identidade do senhorio, exige contrato e recibo e não transfiras dinheiro sem verificares o anúncio.
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A informação deste artigo não constitui qualquer recomendação, nem dispensa a consulta necessária de entidades oficiais e legais.
