Chamadas falsas do Banco

Recebeu uma chamada do banco? Saiba como confirmar se é verdadeira

O Banco e Eu

Recebeu uma chamada do banco? Conheça os sinais de vishing, saiba como confirmar o contacto e o que fazer se partilhou dados ou transferiu dinheiro. 18-09-2026

Uma chamada pode parecer do banco, apresentar um número conhecido e até mencionar alguns dos seus dados. Ainda assim, pode tratar-se de vishing, uma fraude por telefone. Se lhe pedirem credenciais, PIN, códigos de segurança, aprovação de operações, instalação de aplicações ou uma transferência urgente, não siga as instruções. Desligue e contacte o banco através de um número obtido no cartão, na aplicação ou no site oficial.

 

O que é o vishing?

A palavra vishing resulta da combinação de voice, voz, com phishing. Trata-se de uma fraude realizada através de uma chamada telefónica, na qual o burlão se faz passar por uma entidade credível, como um Banco, uma empresa ou um serviço público. No caso dos Bancos, o objectivo visa obter dados pessoais ou bancários, levar a vítima a autorizar uma operação ou convencê-la a transferir dinheiro.

O contacto pode começar por uma gravação automática ou por uma pessoa que se apresenta como funcionário. O motivo alegado da chamada pode ser uma tentativa de acesso à conta, um pagamento suspeito, o bloqueio de um cartão, a necessidade de atualizar dados ou até a resolução de um problema de segurança.

 

O número no ecrã pode ser falso?

Sim. O facto de aparecer no telemóvel um número conhecido ou aparentemente oficial não prova que a chamada teve origem no banco. Os burlões podem recorrer a uma técnica conhecida como spoofing, que permite falsificar a identificação apresentada no ecrã do destinatário. O número parece corresponder ao contacto verdadeiro de uem entidade em quem confia.

O Banco de Portugal alerta que os atacantes podem copiar números de telefone, endereços de correio eletrónico. Esta aparência pode tornar a burla mais convincente.

Por este motivo, não deve considerar uma chamada segura apenas porque:
  • o número apresentado parece ser o do banco;
  • o interlocutor conhece o seu nome;
  • são referidos alguns dados pessoais;
  • a pessoa utiliza linguagem técnica;
  • existe música de espera ou uma gravação semelhante à do banco;
  • a chamada surge na mesma sequência de contactos anteriores;
  • o interlocutor diz estar a ligar do departamento de segurança ou de fraude.

 

Alguns dados podem ter sido recolhidos em redes sociais, bases de dados expostas, anúncios, mensagens anteriores ou outros contactos fraudulentos.  A presença desses elementos não confirma a identidade de quem está a ligar.

 

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Como funciona uma chamada falsa do banco?

O argumento utilizado pode mudar, mas estas chamadas seguem frequentemente uma lógica semelhante.

  1. É apresentado um problema urgente: o burlão diz que foi detetado um pagamento, uma transferência, um acesso à conta ou outro movimento suspeito. Pode também afirmar que o cartão será bloqueado ou que a conta está em risco.
  2. A chamada transmite autoridade: a pessoa apresenta-se como funcionário do banco, técnico de segurança ou elemento de uma equipa antifraude. Pode usar termos bancários, fornecer um número de processo ou transferir a chamada para outro falso departamento.
  3. É criada pressão para agir: o interlocutor afirma que o problema tem de ser resolvido naquele momento. A vítima é desencorajada de desligar, contactar outra pessoa ou confirmar a informação através de outro canal.
  4. São pedidos dados ou ações: ou seja, o pedido pode envolver:
    • palavras-passe de acesso ao homebanking ou à aplicação;
    • PIN de acesso ao SIM do cartão;
    • número completo do cartão;
    • código de segurança do cartão;
    • códigos recebidos por SMS ou pela aplicação;
    • aprovação de notificações no telemóvel;
    • transferência para uma alegada conta segura;
    • alteração de limites;
    • instalação de uma aplicação;
    • acesso remoto ao telemóvel ou ao computador.

 

A urgência, a autoridade e a promessa de resolver rapidamente um problema são técnicas de persuasão usadas neste tipo de fraude. O Centro Nacional de Cibersegurança recomenda que não se partilhem dados pessoais nem se sigam instruções sem confirmar o pedido através de outra fonte, como o contacto habitual do banco.

 

Que sinais devem levantar suspeitas?

Uma chamada deve fazer despertar as suas suspeitas quando apresenta um ou vários destes sinais, mesmo aparente ser verdadeiro por ter uma comunicação cuidada e sem erros.:

  • não estava à espera do contacto;
  • é-lhe exigida uma resposta imediata;
  • dizem-lhe que não pode desligar;
  • pedem credenciais de acesso à conta;
  • solicitam o PIN ou códigos de segurança;
  • pedem que aprove uma operação na aplicação;
  • exigem uma transferência para proteger o dinheiro;
  • aconselham a movimentar o saldo para uma alegada conta segura
  • pedem a instalação de um programa ou aplicação;
  • solicitam acesso remoto ao computador ou telemóvel;
  • dizem-lhe que não deve falar com familiares, funcionários da agência ou autoridades;
  • ameaçam bloquear a conta ou o cartão;
  • recusam que confirme a situação por outro canal;
  • garantem que a chamada é segura apenas porque o número parece oficial.

 

 

O banco pode ligar-lhe?

Um banco pode contactar os seus clientes por telefone através das suas linhas de apoio para  esclarecer uma situação, confirmar um contacto ou prestar informação. O elemento decisivo não é apenas saber se os bancos fazem chamadas, mas analisar o que está a ser pedido e em que circunstâncias. 

Segundo o Banco de Portugal, o Banco não solicita por telefone, correio eletrónico ou SMS os dados de acesso ao homebanking ou à aplicação bancária. Perante um contacto que alegadamente venha da instituição e peça dados ou informação, a  recomendação é confirmar primeiro a autenticidade através dos contactos oficiais. 

Mesmo que uma instituição possa realizar procedimentos legítimos de identificação, nunca deve revelar credenciais completas de acesso, PIN ou códigos destinados a autorizar operações. Também não deve aprovar uma notificação bancária sem compreender exatamente qual é a operação apresentada.

 

O QUE A CAIXA PODE FAZER POR SI?
A Caixa nunca pede dados pessoais ou dados do contrato Caixadirecta por SMS, e-mail ou chamada telefónica. Nunca o contacta a pedir dados (por exemplo, do SMS token) para aprovar ou cancelar operações. Se receber uma abordagem destas, trata-se de uma tentativa de fraude. Contacte de imediato 217 900 790 

Saiba Mais Aqui. 

 

 

Como confirmar se a chamada é verdadeira

Quando tiver dúvidas, não tente resolver a situação durante o telefonema. Siga estes passos:

  1. Nada de fornecer informação: nunca exponha dados pessoais, credenciais, números completos de cartões, PIN, códigos recebidos por SMS ou códigos apresentados na aplicação bancária. Não confirme informação sugerida pelo interlocutor. Até uma resposta aparentemente inofensiva pode ajudar o burlão a completar dados que já possui.
  2. Nada de aprovar operações: leia sempre a descrição de qualquer operação apresentada no telemóvel. Nunca valide transferências, pagamentos, alterações de limites ou novos dispositivos por indicação de quem lhe ligou. Um código de autenticação não serve para cancelar uma operação. Normalmente, serve para a confirmar. Se não iniciou a operação, não introduza nem partilhe o código.
  3. Termine a chamada: não tenha receio de desligar, mesmo que o interlocutor insista que a conta ficará desprotegida. Uma instituição legítima compreenderá que o cliente quer confirmar a autenticidade do contacto. A pressão para permanecer em linha é, por si só, um sinal de alerta.
  4. Procure o contacto oficial do banco: utilize um número obtido de forma independente, por exemplo:
    • no verso do seu cartão;
    • na aplicação oficial do banco;
    • no site oficial;
    • num extrato bancário;
    • no contrato celebrado com a instituição;
    • numa agência.

    Não utilize o número indicado pelo interlocutor, enviado  por SMS ou incluído numa mensagem durante a chamada.

  5. Contacte o banco diretamente:explique que recebeu uma chamada e indique (sem divulgar informação confidencial) a hora do contacto; o número apresentado; o motivo invocado; os dados ou ações solicitados; as instruções; se recebeu mensagens ou notificações durante a chamada. O banco poderá confirmar se tentou contactá-lo e verificar se existem operações ou acessos que exijam atenção.
  6. Consulte os movimentos da conta: verifique a conta, os cartões e as operações recentes através da aplicação ou do endereço oficial do banco. Não aceda através de ligações recebidas durante ou após o contacto. Recomenda-se a consulta pregular dos movimentos e o contacto imediato com a instituição quando forem identificadas operações não autorizadas ou desconhecidas.

 

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Nunca transfira dinheiro para uma alegada conta segura

Uma das abordagens mais perigosas consiste em informar a vítima de que o dinheiro está em risco e deve ser transferido para outra conta. Esta alegada conta de segurança pertence, na realidade, ao burlão ou a alguém utilizado para receber e movimentar os fundos.

Depois da transferência, recuperar o dinheiro pode ser difícil. Se alguém lhe pedir para deslocar o saldo para proteger a conta, termine a chamada. Contacte o banco através do número oficial e confirme a situação antes de realizar qualquer operação. Desconfie se lhe disserem que é necessário fazer uma transferência de teste, devolver um valor recebido ou simular uma operação para bloquear uma fraude.

 

E se a pessoa souber os meus dados?

O conhecimento do seu nome, número de telefone, banco ou parte de outra informação pessoal não prova que o contacto seja verdadeiro. Os atacantes podem combinar dados recolhidos em diferentes fontes para criar uma narrativa credível.

Podem ainda começar por confirmar informação aparentemente simples e avançar gradualmente para dados mais sensíveis. Em vez de pensar “esta pessoa conhece os meus dados, por isso deve ser do banco”, faça a pergunta inversa: "porque está a pedir esta informação e sobretudo, porquê através de uma chamada inesperada?"

 

O que fazer se partilhou dados durante a chamada

Se revelou informação, aprovou uma operação ou instalou uma aplicação por indicação do interlocutor,  deve agir de imediato:

  • Contacte o seu Banco: use um contacto oficial e explique com exatidão o que aconteceu. Peça informações sobre os procedimentos necessários para proteger a conta, os cartões e os canais digitais. O Banco de Portugal recomenda a notificação imediata da instituição quando  detetadas operações não autorizadas ou se existir suspeita de fraude.
  • Peça o bloqueio dos acessos: consoante os dados comprometidos, o banco poderá indicar o cancelamento das credenciais de acesso, o bloqueio do cartão ou outras medidas de segurança. Siga as instruções dadas através do canal oficial.
  • Verifique as operações: consulte os movimentos da conta e dos cartões. Registe qualquer operação que não reconheça, incluindo pagamentos pendentes, transferências, alterações de dados ou novos beneficiários.
  • Guarde provas e conserve o número apresentado no ecrã a data e a hora da chamada; mensagens recebidas; capturas de ecrã dados das operações; comprovativos de transferências; nomes ou identificações usados pelos interlocutores; endereços de sites ou aplicações indicados. Contacte primeiro o banco e procure aconselhamento técnico através de canais de confiança; 
  • Participe a situação: depois de contactar o banco, pode participar a ocorrência à PSP, GNR, Polícia Judiciária ou Ministério Público. Esta é também a orientação disponibilizada pelo Banco de Portugal para situações de suspeita de fraude financeira.

 

E se já houver uma operação que não autorizei?

Comunique imediatamente a operação ao banco e siga os procedimentos previstos no contrato. Não espere pelo extrato mensal nem pela conclusão de uma participação às autoridades.  A responsabilidade por uma operação não autorizada depende das circunstâncias concretas, incluindo a forma como a operação foi realizada, os mecanismos de autenticação (como a chave móvel digital) utilizados e a atuação do cliente e do prestador de serviços de pagamento. Se o seu comportamento se revelar descuidado, o Banco não assumirá a responsabilidade do incidente.

Por isso, evite assumir antecipadamente que o banco reembolsará ou não o valor. Apresente toda a informação, guarde as provas e solicite uma resposta formal sobre a operação contestada.

 

A regra mais importante: pare desligue e confirme

Uma chamada inesperada pode criar receio, sobretudo quando é apresentado um problema com a conta ou o cartão. É essa urgência que reduz o tempo disponível para pensar. Antes de partilhar dados ou realizar uma operação:

  1. pare e não siga instruções sob pressão; 
  2. desligue a chamada; 
  3. confirme a situação através de um contacto oficial do banco.

 

Tome Nota:
Em setembro de 2026, a segunda fase da campanha Não passes cartão à fraude, promovida pela Associação Portuguesa de Bancos, destaca precisamente as chamadas falsas em nome do banco. A campanha aconselha os consumidores a não partilhar dados bancários e a confirmar a sua origem através dos canais oficiais.

 

Perguntas frequentes sobre chamadas falsas do banco

Como posso saber se uma chamada do banco é verdadeira?

Não confie apenas no número apresentado no ecrã. Não partilhe dados nem realize operações durante a chamada. Desligue e contacte o banco através do número indicado no cartão, na aplicação, num extrato ou no site oficial.

O banco pede códigos de segurança por telefone?

O Banco de Portugal esclarece que o banco não solicita por telefone, e-mail ou SMS os dados de acesso ao homebanking ou à aplicação bancária. Não revele PIN, palavras-passe ou códigos destinados a autorizar operações.

O número oficial do banco pode aparecer numa chamada falsa?

Sim. Através de spoofing, um burlão pode falsificar a identificação apresentada no ecrã. Um número aparentemente oficial não basta para comprovar a origem da chamada.

O que devo fazer se me ligarem sobre um movimento suspeito?

Não forneça dados nem valide operações. Termine a chamada, aceda à conta através da aplicação ou do site oficial e contacte diretamente o banco usando um número obtido por si.

Devo devolver a chamada para o número que aparece no ecrã?

A opção mais segura é procurar o contacto oficial por uma fonte independente e iniciar uma nova chamada. Não utilize números indicados pelo interlocutor ou recebidos por mensagem durante o contacto suspeito.

É seguro manter a chamada enquanto consulto a aplicação?

Não. O interlocutor pode tentar orientá-lo para aprovar uma operação ou revelar informação apresentada no ecrã. Termine primeiro a chamada e só depois consulte a aplicação por iniciativa própria.

Existe uma conta bancária segura para onde devo transferir o dinheiro?

Desconfie de qualquer chamada que peça uma transferência para proteger o saldo. Não movimente o dinheiro por indicação de um contacto inesperado. Fale diretamente com o banco através de um canal oficial.

O que faço se já partilhei um código?

Contacte imediatamente o banco, explique que código partilhou e indique se aprovou alguma operação ou instalou uma aplicação. Verifique os movimentos da conta, guarde as provas e participe a situação às autoridades.

 

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A informação deste artigo não constitui qualquer recomendação, nem dispensa a consulta necessária de entidades oficiais e legais.
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