calacular aumentos credito habitação

Crédito habitação: sabe quanto vai aumentar a sua prestação?

Banco & Eu

A subida das taxas de juro já está a aumentar a prestação do crédito habitação. Saiba quanto e o que pode fazer para proteger o seu orçamento. 22-07-2026

Tempo estimado de leitura: 5 minutos

Se tem um crédito habitação é provável que em breve possa ter que começar a  fazer contas para  perceber em quanto vai aumentar a sua prestação e o que pode fazer para acautelar este aumento.

Se tem um crédito à habitação com taxa variável, a evolução da Euribor pode alterar o valor da prestação na próxima revisão do contrato. Em julho de 2026, calcular esse impacto voltou a ser especialmente relevante.

Descubra porquê e fique mais preparado para fazer os cálculos que precisa .

 

Como evoluem as taxas em julho de 2026?

Em junho de 2026, o Banco Central Europeu aumentou as três taxas diretoras em 25 pontos base. A taxa da facilidade permanente de depósito, atualmente a principal referência da orientação da política monetária do BCE, subiu para 2,25%. Esta taxa não determina diretamente a Euribor, mas influencia as taxas de curto prazo do mercado monetário e as expectativas sobre a evolução dos juros.

Na prática, em julho a Euribor sentiu os primeiros efeitos destas mexidas e isso implicou com as taxas variáveis nos diferentes prazos. Ou seja, entre 30 de junho e 21 de julho de 2026:

  • a Euribor a três meses passou de 2,324% para 2,475%: subida de 15,1 pontos base;
  • a Euribor a seis meses passou de 2,568% para 2,689%: subida de 12,1 pontos base;
  • a Euribor a 12 meses passou de 2,728% para 2,918%: subida de 19 pontos base.  

 

Como funcionam as prestações do crédito habitação?

Cada prestação é uma devolução de parte do dinheiro que lhe foi emprestado pelo banco, mas não só. Além do reembolso do capital em dívida, há também a componente de juros. Ou seja, uma parcela do valor que entrega mensalmente ao banco destina-se a devolver parte do montante que pediu emprestado. A outra destina-se a pagar os juros que incidem sobre esse montante.

Em circunstâncias normais, o valor de cada prestação mensal é constante. No entanto, quando a taxa de juro sobe ou desce, no caso de créditos com taxa variável, essa variação reflete-se na prestação.

Nos primeiros anos do empréstimo, a componente da prestação relativa à amortização de capital é menor. O que significa que durante esse período estará sobretudo, a pagar juros. À medida que o seu empréstimo se aproxima do fim, esta relação inverte-se.

Num cenário de subida da Euribor, os créditos habitação mais recentes têm por isso, um agravamento mais acentuado. Grande parte da prestação é composta por juros. O portal Todos Contam  ilustra o efeito dos juros e amortização ao longo do empréstimo.

 

Tome Nota:
Na Ficha de Informação Normalizada Europeia (FINE), entregue quando contrata o empréstimo, pode encontrar, no quadro de reembolso indicativo, o montante a pagar em cada prestação. Através deste quadro pode perceber também o valor de juros e da amortização de capital em cada uma das mensalidades conforme as condições contratadas que pode ser (entre outras ) com taxa fixa, variável ou mista

 

Leia também:

 

Quando é que a minha prestação pode subir?

Num crédito com taxa variável, a taxa de juro é composta pelo valor do spread e da Euribor. O valor deste indexante é fundamental para determinar o montante da prestação.

Os contratos a taxa variável podem ter como base a Euribor a 3, 6 ou 12 meses. As instituições de crédito só podem rever o valor da Euribor de acordo com o prazo do indexante estipulado pelo contrato. Ou seja, se um cliente tem um crédito com Euribor a 3 meses, o valor dessa taxa só pode ser revisto de 3 em 3 meses.

A média da Euribor considerada para efeitos de revisão resulta da média dos valores da Euribor para aquele prazo observada no mês anterior ao da assinatura do contrato de crédito.

Por exemplo, se o contrato foi feito em outubro, com taxa de juro variável indexada à Euribor a 3 meses, a taxa de juro a vigorar para os três meses seguintes (novembro, dezembro e janeiro), resulta da média da Euribor a três meses registada em setembro.

 

Como calcular o aumento da prestação?

Para calcular o aumento da sua prestação do crédito habitação, além do spread e do indexante, há que ter em conta o valor que ainda tem em dívida e a duração do seu contrato. Deve ainda incluir nesta contas a nova taxa anual nominal (TAN). 

 

Tome Nota:
Nos contratos com taxa variável, a TAN corresponde à soma do indexante, geralmente a Euribor a três, seis ou 12 meses, com o spread definido no contrato

 

Com base em todos estes elementos, pode utilizar, por exemplo, o simulador da Deco Proteste. Após inserir dados como o capital em dívida, Euribor, spread, valor da prestação atual e o número de prestações que ainda tem em falta, o simulador diz-lhe quanto passará a pagar.

Pode igualmente recorrer ao simulador de crédito habitação do Banco de Portugal (BdP). Esta ferramenta permite não só calcular o montante da mensalidade do empréstimo, mas também verificar como essa prestação pode variar se algumas das variáveis do contrato se alterarem, nomeadamente a taxa de juro.

Por exemplo:

Imagine que fez um um crédito habitação com as seguintes características:

  • Montante do empréstimo: 150 000€
  • Período de reembolso: 360 meses (30 anos);
  • Euribor 6 meses: 2%
  • Spread hipotético de 1,5%
  • Taxa de juro anual nominal: 3,5% (2%+1,5%)
  • Prestação mensal de capital e  juros: 673,57€
  • Não inclusão de seguros, comissões e outros encargos

 

A prestação mensal do crédito, de acordo com os resultados do simulador, é de 673,57€. Imaginemos agora que, meio ano após ter assinado o seu contrato, a Euribor a 6 meses passou de 2% para 3 %. Ou seja,  a TAN sobe para 4,5%. Restam-lhe neste momento 354 prestações e 148 573,23€ de dívida. 

Para calcular o impacte desta subida do indexante na prestação, terá de alterar os seguintes campos no simulador: 

  • Montante do empréstimo – passados seis meses, o valor do capital em dívida é de 148 573,23€ ;
  • Período do empréstimo – descontadas seis mensalidades, o número de prestações em falta corresponde a 354 meses;
  • Taxa de juro anual nominal – 4,5% (assumindo que o spread se mantém em 1,5%) 

Como consequência do aumento da taxa de juro, o valor da prestação mensal passaria de 673,57€ para 758,85€. Mais 85,28€  por mês, uma subida de cerca de 12,7%. 

 

Tome Nota:
Estes simuladores não substituem as contas do seu banco. Os cálculos levados a cabo pela sua instituição de crédito são sempre mais precisos, dado que esta têm toda a informação necessária e atualizada.

 

Leia também:

 

O que fazer para defender o orçamento da subida da Euribor?

Se receia os efeitos da subida da Euribor na prestação, há várias hipóteses para proteger o seu orçamento deste aumento. 

Se tem algum dinheiro disponível, pode optar por amortizar o crédito habitação, reduzindo assim o valor em dívida e, consequentemente, a prestação.

Outra forma de se precaver é renegociar as condições do crédito, o que pode passar por um alargamento do prazo, alteração para taxa fixa ou um período de carência, durante o qual não amortiza capital, pagando apenas juros.

Caso tenha vários empréstimos em simultâneo, a consolidação de créditos é uma opção a considerar.

Pode conhecer as diferentes estratégias para se defender da subida das taxas de juro neste artigo do Saldo Positivo.

 

Leia também:


A informação deste artigo não constitui qualquer recomendação, nem dispensa a consulta necessária de entidades oficiais e legais.

0 mensagens novas
A Assistente é baseada em Inteligência Artificial. Ao interagir com ela, está a aceitar as condições gerais de utilização.
Por favor, não partilhe dados pessoais ou de terceiros.
Olá, sou a CAIXA,
a sua assistente digital.
Em que posso ajudar?
Quer começar uma nova conversa?
Se continuar, vai perder toda a informação inserida até aqui.