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Tempestades e inundações são cada vez mais comuns.
Os fenómenos extremos da natureza são uma realidade com riscos e custos elevados para pessoas e património. É importante saber se os danos por fenómenos naturais estão ou não cobertos pelo seus seguros. Mas não só. Como agir antes, durante e depois de tempestades é crítico.
Se um automóvel ou habitação ficarem danificados depois de uma tempestade, os proprietários têm que lidar com elevados custos de reparação. Vejamos como funcionam os seguros e com o que pode contar antes e depois da intempérie. Ajudamos a lidar com estes embates e a minimizar os seus efeitos.
Fenómenos extremos afetam o mundo inteiro
A Organização Metereológica Mundial aponta para pelo menos 152 "fenómenos meteorológicos extremos sem precedentes" em 2024, dos quais 114 na Europa. O efeito das últimas tempestades deixa o Portugal cada vez mais exposto. O IPMA classificou 2024 como o 4.º ano mais quente desde 1931, com múltiplos episódios de extremos de temperatura e precipitação irregular, maior risco de incêndios, inundações e depressões atlânticas. Uma tendência reforçada em 2025 com ondas de calor prolongadas, novos máximos de temperatura e tempestades de forte impacto.
Casa e carro: o que fazer antes de uma tempestade?
Além dos cuidados a ter com os contratos de seguro e a atenção às coberturas associadas, é importante ter um conjunto de boas práticas que podem evitar o pior. Faça check em cada passo da lista seguinte para proteger família e património:
- Muito importante estar atento às previsões e alertas das autoridades oficais e metereológicas.
- Evite estacionar em áreas propensas a enchentes ou sob árvores durante tempestades;
- Utilize capas específicas para proteger o carro contra granizos;
- Inspecione regularmente o telhado, calhas e sistemas de drenagem para evitar infiltrações;
- Em caso de previsão de enchentes, mova objetos de valor para áreas mais altas da casa;
- Em zonas com risco de incêndio florestal, alerte as autoridades para a necessidade de limpeza;
- Em zonas urbanas com maior arborização, alerte preventivamente para os riscos de queda de árvore e fique com provas desse alerta;
- Limite os seus movimentos e nada de correr riscos. Proteja-se em lugares seguros. Evite permanecer em caves ou subterrâneos;
- Mantenha objetos, mobiliário e eletrodomésticos em pontos mais elevados da casa.
Já fui atingido pela tempestade: e agora?
Manter-se em segurança é o passo mais importante. Seguir uma sequência organizada de ações ajuda a evitar erros que podem agravar danos ou atrasar ressarcimentos do seguro. Passos e cautelas após uma tempestade ou fenómeno extremo:
1. Garantir segurança imediata
- Priorize a segurança da família; evite áreas instáveis, alagadas ou com risco elétrico.
- Não entre em casas com danos estruturais visíveis ou odores suspeitos (gás, curto‑circuito);
- Afaste-se de árvores, postes ou muros que possam colapsar.
2. Registar danos de forma completa
- Fotografe e filme todos os danos assim que possível, de vários ângulos;
- Recolha testemunhos de vizinhos ou transeuntes, devidamente identificados;
- Registe a data, hora e condições observadas.
3. Contactar de imediato a seguradora
- Comunique o sinistro logo que esteja em segurança;
- Siga as instruções da seguradora e guarde registos de todas as interações;
- Não remova ou deite fora bens danificados até à perícia.
4. Evitar reparações não autorizadas
- Só realize reparações urgentes para impedir agravamento dos danos ( tapar telhados, interromper fugas de água);
- Guarde todas as faturas e comprovativos associados.
5. Agir com prudência com veículos afetados
- Evite ligar o carro se foi inundado ou atingido por detritos;
- Solicite reboque ou assistência profissional.
6. Avaliar riscos sanitários e ambientais
- Ventile espaços afetados por inundações, evitando contacto com águas contaminadas;
- Utilize equipamento de proteção ao manusear bens molhados ou deteriorados.
7. Manter vigilância a novos alertas
- Acompanhe previsões e avisos do IPMA e Proteção Civil. Podem ocorrer novas tempestades;
- Evite regressar a zonas de risco até serem consideradas seguras.
Prepare-se para um processo moroso que pode passar por etapas de contestação pela seguradora. Tenha em conta os seus direitos e trate de os defeneder em todas as etapas. Se a decisão não lhe for favorável com pagamento dos danos, pode sempre recorrer ao provedor do cliente da Seguradora; contestar a decisão em Tribunal ou ainda recorrer aos serviços da Associação Portuguesa de Seguros e da entidade reguladora desta área seguradora.
O QUE A CAIXA PODE FAZER POR SI?
Ser afetado por um desastre natural traz despesas inesperadas que nem sempre estão cobertas pelas apólices de seguro. Para fazer face aos gastos, a CGD accionou uma linha especifica para ajudar a ultrapassar este momento.
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Carro: seguros por fenómenos naturais é obrigatório?
O único seguro obrigatório para veículos é o seguro de responsabilidade civil automóvel. Este seguro garante o pagamento das indemnizações por danos corporais e materiais causados a terceiros e às pessoas transportadas, com exceção do condutor do veículo.
No mínimo, o seguro tem de cobrir 6 450 mil euros por acidente para danos corporais e 1 300 mil por acidente para danos materiais. Ao contratar o seguro, pode incluir valores superiores para as indemnizações.
Tome Nota:
O valor a pagar pelo seguro de responsabilidade civil automóvel depende da seguradora e de fatores como o tipo de veículo, cilindrada, histórico de sinistralidade do condutor, entre outros.
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O seguro de responsabilidade civil automóvel não cobre fenómenos naturais. Isto significa que esta cobertura, tal como, por exemplo, a de roubo, de vandalismo ou de danos próprios, terá de ser contratada à parte.
As coberturas adicionais aumentam o valor do prémio. Como as coberturas do seguro obrigatório são as mais básicas, é comum que sejam contratadas outras, com despesas adicionais.
Um dos principais cuidados ao escolher um seguro é, precisamente, a análise das coberturas a contratar. Um valor mais baixo pode significar menos proteção.
O seguro contra todos os riscos cobre mesmo todos os riscos?
O nome parece indicar que o seu automóvel está protegido, aconteça o que acontecer. No entanto, é a própria ASF (Autoridade de Supervisão dos Seguros e Fundos de Pensões), a entidade reguladora para o setor dos seguros, que explica que não é assim. Apesar de expressão “seguro contra todos os riscos”, nenhum contrato de seguro cobre mesmo todos os riscos. A ASF explica que a designação se refere ao seguro que cobre também os danos próprios, isto é, os danos sofridos pelo veículo seguro, mesmo nas situações em que o condutor seja responsável pelo acidente.
Carro: O que abrange a cobertura de fenómenos da natureza?
A cobertura de fenómenos da natureza assegura a reparação ou indemnização de danos causados no veículo por fenómenos como inundações, tempestades, sismos, aluimentos de terra ou erupções vulcânicas.
É a única forma de assegurar a reparação ou uma indemnização caso o seu automóvel seja danificado ou destruído por catástrofes naturais. Pode adicionar esta cláusula ao seu seguro atual. Caso esteja a pensar contratar um novo seguro, deve informar-se sobre preços e condições para a incluir no contrato.
Como saber que coberturas tem?
Se tem dúvidas quanto às coberturas ou em relação a qualquer aspeto do seu contrato de seguro, deverá consultar a apólice.
A apólice é o documento que formaliza o contrato e deve estar datado e assinado. Inclui todas as condições acordadas entre as partes:
- Gerais: são os aspetos básicos, geralmente comuns a seguros com características semelhantes. As coberturas e exclusões gerais e os direitos e obrigações das partes estão nas condições gerais;
- Especiais: dizem respeito, normalmente, às coberturas adicionais. Se o seu seguro tiver uma cobertura relativa a fenómenos da natureza, estará identificada nesta parte da apólice;
- Particulares: estas condições são específicas para a pessoa que fez o seguro. Identificam, por exemplo, as coberturas escolhidas nas condições especiais, valores do capital seguro, franquias, beneficiários, entre outras informações.
Casa: os seguros que podem responder
O único seguro obrigatório para habitações é o seguro Multiriscos Incêndio, nomedannte se viver em condominio. Mas tal como acontece com o carro, deve grantir uma proteção mais completa e que seja capaz de responder a estes incidentes extremos da natureza.
Das coberturas base às complementares a de incêndio, queda de raio ou explosão é a mais elementar. Mas há outras. Nomeadamente, as seguintes:
- Fenómenos atmosféricos: abrange danos resultantes de ventos fortes, granizo, tempestades e inundações;
- Danos por água: cobre prejuízos causados por infiltrações, rupturas de canalizações ou transbordo acidental de sistemas de esgoto;
- Cobertura de fenómenos sísmicos: protege contra danos estruturais causados por tremores de terra
Mais, imagine que a casa fica inabitável por causa deste tipo de incidentes, existem coberturas que podem pagar o transporte e guarda do património assim como alojamento enquanto decorre a reparação da casa. Muito importante, é ainda estar atento às coberturas de responsabilidade civil.
Muito deste seguros multiriscos contemplam danos causados aos bens do segurado mas não se responsabilizam por danos causados a terceiros. Imagine que é fã de vasos à janela, e que um destes objectos é projectado com o vento. Se não tiver uma cobertura de responsabilidade civil, é a si que cabe assumir os danos.
E se não tiver cobertura pelos seguros?
Quando uma tempestade severa provoca danos significativos na habitação ou no automóvel, muitas famílias em Portugal deparam‑se com custos imediatos para os quais não estão financeiramente preparadas.
Quando os prejuízos não estão totalmente cobertos pelo seguro, pode ser necessário ponderar o recurso a soluções de crédito para reparações urgentes. A sua prioridade passa por dar condições de habitabilidade e conforto por exemplo à sua casa.
Existem várias opções. Desde crédito pessoal para obras, linhas de financiamento específicas disponibilizadas pelos Bancos após fenómenos naturais extremos, até soluções de consolidação de crédito para aliviar o orçamento. É crucial tomar uma decisão informada. Por exemplo, deve comparar taxas de juro, analisar a capacidade de endividamento, avaliar prazos, comissões e condições de reembolso para evitar compromissos financeiros excessivos e acima da sua taxa de esforço. Um crédito escolhido com critério pode funcionar como uma ferramenta de estabilização após uma intempérie. Mas uma decisão precipitada pode agravar ainda mais os seus efeitos.
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A informação deste artigo não constitui qualquer recomendação, nem dispensa a consulta necessária de entidades oficiais e legais.
