Investir na bolsa: Como começar e executar

O Banco e Eu

Aplicar as suas poupanças em bolsa pode fazer sentido mas tudo depende do seu perfil e expectativas. 28-01-2020

O investimento em bolsa é importante. O diretor da Caixa Banco de Investimento, João Lourenço destaca-o como “uma forma de as empresas financiarem o seu crescimento, captando recursos, (através de capital próprio ou da emissão de dívida) mas também de os investidores poderem investir parte das suas poupanças”.

O especialista em Research e responsável pela área de Equity Research naquele Banco de Investimento do Grupo Caixa deixa contudo o alerta: “A Bolsa deve ser olhada como uma forma de diversificar investimentos em particular num contexto, onde as taxas de remuneração dos depósitos normais são relativamente baixas.” Um contexto em tudo semelhante ao que se vive - neste início de 2020.

Toda a relevância que esta plataforma de negociação tem na Economia dos países mais desenvolvidos não a isenta, porém, de cautelas. Nomeadamente, por parte de todos quantos tenham interesse em estrear-se nas suas lides. Se é o seu caso, este artigo interessa-lhe.

 

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Como começar a investir na Bolsa?

Para tirar pleno proveito das suas potencialidades, o investimento em bolsa determina que comece por se esclarecer. Este conhecimento deve visar múltiplos aspetos que não se cingem ao ativo em que vai investir.

Tente adquirir alguma literacia financeira prévia - nomeadamente sobre os riscos em que incorre. João Lourenço recorda que “ao contrário de um depósitos a prazo, normal e sem qualquer complexidade, o investimento em bolsa pode mesmo ter possibilidade de perda total do capital”.

Muito importante ainda, é ter uma noção clara sobre a dinâmica do mercado. Ou seja, identificar fatores que podem influenciar (negativamente ou positivamente) as oscilações de preço. Estes fatores podem ser os mais diversos e, muitas vezes, sem ligação direta ao mercado de capitais. Por exemplo, uma pandemia pode ter impacte nestas flutuações.

Assim que começar a investir, faça-o com base neste princípio elementar de diversificar o risco. Isto significa que não se deve Investir num único ativo, nem numa única tipologia de ativos. Assim como a bolsa é mais um instrumento com que pode contar na aplicação da sua poupança, também deve diversificar a sua aposta em bolsa - em vários cestos de investimento.

Por fim, mas com igual importância, averigue todos os detalhes sobre os ativos à disposição. Elementos como “o que faz a empresa, quais as suas expectativas de evolução para o negócio, que expectativas de remuneração - seja através de dividendos que a empresa possa vir a pagar ou em função daquilo que tem sido o valor histórico da cotação daquela empresa” são importantes.

 

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Que ativos pode ter à disposição?

O mercado de capitais transaciona muitos mais ativos além das obrigações e da ações. Alguns com risco muito elevado. Quando compra ações está a adquirir uma participação em determinada empresa. Ou seja, está a partilhar o seu potencial de risco ou de pagamento de dividendos.

Quando compra obrigações está a adquirir dívida de determinada entidade que, em contrapartida, devolverá este capital no final de determinado período de tempo, mediante o pagamento acrescido de uma taxa de juro – o que representa a sua rendibilidade.

Resultado, as obrigações são um ativo com menor grau de risco. Não deve contudo daqui concluir que as obrigações estão alheadas de fatores de risco.

 

Tome Nota:
Também nas obrigações é preciso perceber muito bem em que riscos pode incorrer. O seu grau depende sempre do emitente.

Por exemplo, aquelas com nível mais baixo de risco estão associadas a emitentes com um rating considerado “muito interessante”. Aquelas com um nível de rating pior associam-se a níveis de risco mais elevados. Mas esta relação inversamente proporcional (entre risco e rating) nem sempre é assim tão direta.

E que ativos adicionais encontra em bolsa?

Existem múltiplas alternativas de diferentes graus de sofisticação e risco. Além das obrigações e ações, a bolsa negoceia ainda um vasto leque de veículos como são por exemplo os Exchange Traded Funds ou ETFs; os Contracts for Difference ou CFD; os Futuros.

Trata-se de produtos complexos e que se desaconselham a um estreante mas, sobre os quais pode conhecer mais detalhes no portal da CMVM. Não obstante a sua potencial rendibilidade, dirigem-se a investidores mais preparados e com menor aversão ao risco.

Tome Nota:
Lembre-se que existe um risco de preço. Ou seja, se o investidor está perante um instrumento com uma taxa fixa – como pode ser o caso das obrigações -, o seu real valor variará sempre em função do comportamento das taxas de juro. Se as taxas de juro subirem, o preço do ativo tende a descer; se as taxas de juro descerem, o valor do ativo tende a subir. Existem, aliás, várias outras tipologias de risco em função de cada tipologia de ativo financeiro, como nos explica o portal Todos Contam.

 

Como pode operacionalizar o seu investimento?

João Lourenço explica que existem duas vias essenciais para pôr em prática as suas opções de compra de ativos em bolsa.

Por via indireta, “as famílias têm oportunidade de comprar unidades de participação em   fundos de investimento”. Estes fundos são criados e geridos pelas sociedades gestoras dos fundos de investimento que, com carteiras diversificadas de ativos, têm a vantagem de apresentar diferentes perfis de risco. Ou seja, “estes fundos de investimentos têm uma composição de obrigações, ações, ou outros instrumentos com cotação em bolsa”.

Por exemplo, acrescenta, João Lourenço, empresas como a Caixagest, do Grupo Caixa, “têm  uma panóplia imensa de fundos de investimento – adequados ao perfil de cada investidor. Há que identificar aquilo que o investidor quer e procurar o melhor fundo para responder a essas expectativas”. Estes fundos encontram-se à venda aos balcões da Banca e pode obter conselhos sobre estas opções junto do seu gestor de cliente.

Paralelamente, o investidor pode antes optar por, ele próprio, abrir conta num intermediário financeiro para gestão das suas poupanças em bolsa. Ou seja, o investidor escolhe os ativos que lhe interessam e aquela entidade assegura sua aquisição mediante o pagamento de uma comissão (fee). Este intermediário pode ser, mais uma vez, um banco ou uma entidade de intermediação financeira – devidamente autorizada pelo Banco de Portugal e pela CMVM.

 

Tome Nota:
A cobrança deste fee é feita consoante um preçário em vigor previamente estipulado a que deve dar atenção. Isto porque além dos custos associados à realização da operação tem ainda que considerar os custos para manutenção da conta.

Passando a ter uma conta de títulos, os bancos ou os intermediários cobram-lhe um preçário para a sua manutenção. Sendo a intermediação indispensável, pode ser garantida por um canal telefónico (gestor de conta) ou por um canal online (ver caixa de texto O que a Caixa pode fazer por si?). Muito importante ainda é lembrar-se que, independentemente do volume de investimento, há custos fixos a que deve responder. Se investir muito pouco pode não estar a rentabilizar este custo fixo.

 

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E quanto deve investir?

Eis uma pergunta sem resposta. O especialista da Caixa BI explica que não existem limites mínimos para investir em bolsa e reforça que isto depende sempre da dimensão do investidor. Ou seja o investimento “tem um objetivo e uma dimensão”. O fundamental é que nunca comprometa as poupanças da família. Ou seja, lembre-se que investir as suas poupanças tem o objetivo de as rentabilizar – não de depreciá-las.

E mais, não havendo limite mínimo para o investimento, também não deve confundir os preços das ações com a qualidade das empresas que estas representam. João Lourenço acrescenta “há ações com um valor de transação relativamente baixo e isso não significa que as empresas sejam más”.

 

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Algumas cautelas antes de começar:

  1. Aposta na sua literacia financeira – Procure saber sobre a realidade da bolsa, ativos disponíveis em que mercados pode executar as compras, quais os riscos que lhe estão associados. No limite, pode mesmo ter que perder todo o capital investido.
  2. Conheça o produto em que vai investir – Procure saber mais detalhes sobre a empresa, quais as expectativas de evolução do negócio; que expectativa de remuneração daquele investimento; quais os dividendos que habitualmente paga; qual o histórico da cotação.
  3. Conheça a dinâmica do mercado – Procure informação sobre o contexto de cada momento e em cada mercado. O objetivo é perceber e antecipar os fatores que podem fazer influenciar positivamente ou negativamente o preço dos ativos.
  4. Procure diversificar – Veja a bolsa como uma possibilidade para aplicar uma parcela da sua poupança investimento. Quer antes de apostar nos ativos em bolsa, quer quando já ali opera na escolha da tipologia de ativos, recorde-se deste princípio sabedor: “Não ponha todos os ovos no mesmo cesto”.
  5. Procure investimentos adequados ao seu perfil de risco – nem todos temos o mesmo perfil de risco. Se a sua margem de tolerância à perda de capital é igual a Zero. Zero será a sua apetência para este tipo de aplicações. Paralelamente, saiba que a bolsa transaciona mais ativos além das obrigações e ações. Alguns com alto nível de risco.
  6. Nunca se endivide para apostar na bolsa - Parta antes de um capital disponível e faça da sua gestão um exercício de apurada atenção e dobrado foco. Mais uma vez, existe mesmo o risco de perder todo capital que lá investiu.

 

O QUE A CAIXA PODE FAZER POR SI?

 
Para facilitar o acesso dos seus clientes à compra de ativos para investimento – nomeadamente cotados em bolsa - a Caixa disponibiliza os serviços de compra e venda de ações, assim como de alteração ou anulação de ordens de bolsa.

SAIBA MAIS AQUI

 

GLOSSÁRIO

 
Ação (ou Ação Ordinária): Valor mobiliário de uma participação social em sociedade anónima cujo proprietário tem direito a votar nas assembleias gerais, ao recebimento do dividendo (se existir) e à quota-parte do capital próprio em caso de liquidação da sociedade.

Activo Financeiro: Activos intangíveis (sem existência física) cujo detentor ou investidor tem direito ao recebimento de benefícios em data futura mediante o seu pagamento pela entidade que o emitiu.

Bolsa de Valores: Local físico ou virtual onde se negoceiam os valores mobiliários e instrumentos financeiros derivados.

CFD (Contracts for Difference ou Contratos Diferenciais): Trata-se de um contrato diferencial entre duas partes, comprador e vendedor, sendo que o vendedor pagará ao comprador a diferença (se positiva) entre os valores de mercado de um ativo à data de fecho e à data de abertura das posições assumidas em contrato.

Comissão: Valor a pagar pela prestação de um serviço.

Contrato de Futuros: Contrato padronizado, reversível, de compra e de venda de uma dada quantidade e qualidade de um ativo (financeiro ou não) numa data futura específica, a um preço fixado no presente. Pelo contrato de futuros, o comprador fica vinculado ao pagamento do preço acordado e o vendedor fica vinculado à entrega do ativo nas condições acordadas.

Cotação: Preço de um valor mobiliário formado num mercado regulamentado.

ETF (Exchange Traded Fund): Fundo de investimento aberto admitido à negociação em bolsa que visa obter um desempenho dependente do comportamento de determinado indicador de referência (um índice, um ativo ou uma estratégia de investimento).

Fundo de Investimento: Organismo cuja finalidade é o investimento coletivo das poupanças de investidores (designados participantes), em função do princípio da diversificação de riscos e à prossecução do exclusivo interesse dos participantes.

Obrigações Clássicas: Valores mobiliários representativos de uma dívida que confere ao seu titular o direito ao recebimento periódico de juros durante a vida útil do empréstimo e ao reembolso do capital na respetiva data de maturidade.

Taxa de Juro: Juro relativo a um capital unitário que se vence em dado período de tempo.

Fonte: CMVM

 

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